Sexta-feira, 15 de Maio de 2020

 

   A velhos ainda poucos chegam, mas de velho ninguém passa.

    Provérbio

 

   Neste país há já bastantes pessoas idosas, tendência que se tem reforçado em décadas recentes, a traduzir progresso social.

   Infelizmente a covid-19, na morte, privilegia anciãos e anciãs, estas em menor número, o que faz alguma espécie a muita boa gente, mas certo é que quem nasce mulher conta com maior esperança de vida, vivem mais, em média.

   (Doutras interpretações decorre que isso se deve antes ao facto de os homens trabalharem mais, os trabalhos mais perigosos são tarefas para os varões, muitas mulheres ainda se quedam por casa a cuidar dos filhos, correm menos perigos, ora pois, não nos venham com essa laracha que a conjugação genética é mais favorável para as senhoras de origem!)

   Agora sabe-se que uma parcela das mortes impostas pela covid-19 a pessoas da terceira idade deram-se em lares clandestinos, estão a ver 35 0000 a viver em estabelecimentos destes, presume-se que, às vezes, em condições de bradar aos céus, reúnem mais condições para infeções. 

   Pergunta: os familiares sabiam das condições destas instituições de acolhimento de idosos?

   Outra: o Estado não sabia, não exigia, ou não vai cobrar a estas instituições?

   (Parece haver lares da terceira idade, reconhecidos e até subsidiados, a funcionarem fora dos regulamentos.)

   Os complexos de culpa são tramados!

    Inadmissível pensam as boas almas, temos pena, são derramadas lágrimas pelos velhotes mortos, pelos funcionários infetados, mas aceita-se que ainda não seja a altura de exigir responsabilidades a quem de direito, é tempo de cuidar de quem se acha no legítimo direito de continuara a viver por muitos e bons anos, além de enterrar os mortos.

   O látego abater-se-á depois, ou pôr-se-á uma pedra sobre o assunto?

   A velhos ditosos poucos chegam.

Gerontes.jpg

 



publicado por Jorge às 20:21

Há uma regra sem exceção:  todos precisamos de comprar serviços e produtos, uns de primeira necessidade, outros espúrios.

Na ordem estabelecida, é suposto que, todos os anos, os bens aumentam, no primeiro dia, do primeiro mês do ano, por conta da inflação, em certas condições, apaparicada pela Economia.

Tudo normal!

Na ordem estabelecida, há uma porrada de impostos diretos e indiretos.

Indiquem-me uma transação, que não esteja legalmente submetida a impostos que revertem para o Estado. Os impostos manifestam uma tendência para crescenças, por conta da inflação, no início, a meio, ou no fim do ano, tanto faz! o que é acarinhada por sãos princípios da Economia.

Tudo normal!

Há uma porrada de comissões impostas pelos donos dos bancos (ora consideradas imprescindíveis na gestão de contas, com menos funcionários). São cada vez mais escassas as operações e movimentações bancárias não sujeitas ao jugo de comissões, que invariavelmente, no princípio do ano, também padecem de inflação, a tal que também é mimoseada, em certas condições, pelas sãs regras da Economia.

Tudo normal!

Há uma porrada de portagens a pagar nas autoestradas, nos itinerários complementares, no acesso a pontes, etc… Todas elas aumentam, regularmente, todos os anos de preferência, não há maneira de lhes fugir, porque não resistem ao prendimento da inflação, que, quando bem acautelada, desempenha um papel motivador das economias.

Tudo normal!

Assim, a inflação pode jogar o seu papel no crescendo dos rendimentos públicos e privados.

Como se sentiria o pobre, o remediado, o pequeno, ou o médio burguês, sem entrar, em data certa, com mais umas moedinhas, para o escorreito crescimento económico?

Mal, por certa e a vida seria sensaborona!

Em tempo de pandemia, não convém suprir os elementos que conferem alguma excitação social...

PS – Não dá, em tempo de pandemia, para se voltar, no imediato, ao Cabaz de Compras, entre outras políticas oficiais imperativas?

Carestia.jpg

- Qual a solução efetiva que sugere para o controle do crescimento da população mundial?

- Inflação incontrolada!



publicado por Jorge às 19:39
Quinta-feira, 07 de Maio de 2020

Rodrigo era agente policial, um homem dado a aconselhar mais que a penalizar.

Veja lá não estacione aí, veja lá não sacuda os tapetes para a via pública, veja lá não deixe o cão arriar o calhau em qualquer sítio, veja lá não faça barulho, façam as pazes, que seja a última vez que o vejo janado, trate-se, deixe-se disso, portem-se bem, tenham calma, vão mas é para caselas e cumpram o confinamento profilático, que o germe não está para brincadeiras, vá lá não custa nada!...

Naquele dia, nem ele sabe que raio de bicho o mordeu, pôs-se a controlar um cidadão que fumava tranquilamente na via pública, à vista desarmada não havia cinzeiro, deixa lá que já trato de ti, meu lindinho, há muito que embirrava com esta gente que suja a via pública de piriscas, a Lei devia de proibir as cigarradas!...

Rodrigo compôs um ar safado, anormal nele e aproximou-se pé-ante-pé do viciado cidadão!

Antero fumou o paivante até ao filtro, pegou no coto do cigarro, inclinou-se e pô-lo no chão. Rodrigo rapou dum bloco, disposto a sacar os dados de identificação ao faltante e a aplicar a coima máxima que pune o descarte de beatas na via pública, 250 euritos nem mais, a punir o descarte de beatas, em terreno público, sem contemplações, dura lex sed lex!...

Foi quando notou que Antero, acabando de pisar a ponta da pirisca, projetou a ponta do cigarro, extinta, ao caixote do lixo mais próximo.

Rodrigo, pressentiu que um buraco se abria a seus pés, ensaiou uma guinada mal-amanhada, nisto deu de caras com um cidadão anónimo, olhe atravesse a rua na zebra ali mais adiante e ala que se faz tarde, não sabe para que servem as zebras?, da próxima leva a multa da praxe para aprender!...

À sua volta leu nas feições dos passeantes risos amarelos, - tá-se a rir de quem? - e até o atirador de beatas ao lixo depois-de-apagá-las-com-a-biqueira-da-bota (ou era ténis?), compôs um ricto de gozação, que, por acaso, ia mal com aquela cara de desriso, se te apanho mais uma vez!…

No dia seguinte, Rodrigo esteve numa movida policial a um bando de amigos do alheio, a coisa correu bem para a força-da-ordem, uns quantos meliantes foram parar ao xadrez.

A caminho de casa, Rodrigo ainda acariciava o cassetete, quando deu de caras com Antero que acabara de acender mais um cigarrito.

Vai de rirem a bandeiras despregadas, um alívio para os nervos!…

À coca.jpg

CARTAZ: Buzine, se cometeu um crime

                          - Acho que assim não dá resultado, capitão!



publicado por Jorge às 21:32

 

Agostinho perorava:

- Os bancos e correlatos são templos onde se celebram ritos pristinos, de vetusta patente, onde se incensa César, seus tributos e atributos. A ministrante e apóstolo são muitos os chamados, pouquíssimos os escolhidos, nem todos têm vocação para guardar um bom segredo que faz a alma do negócio.

(Lá dizia o outro, armado em pensador: poucos são os indivíduos habilitados por capacidades de levar a vida em plenitude, o amor pelo dinheiro.)

Que sim, diziam paternalisticamente as pessoas estacionadas, naquele cantinho do jardim.

- Os bancos e correlatos seguem à risca a máxima que incita a ficar com a melhor parte, quando se reparte, para não ser tomado por agalhas. Dessa arte é mister que sejam muitos os comungantes e adjuvantes, poucos os mandantes, ou o mundo não seria aquele que se conhece.

(Passos largos são apenas sugeridos a quem não tenha estatura meã e perna curta para o ofício.)

Que sim, diziam paternalisticamente as pessoas que, naquele cantinho do jardim, seguiam sobretudo as peripécias dum jogo de cartas.

- Os bancos e correlatos gerem valores, moedas, ações, bilhetes, certificados, letras, títulos, fundos, património material, património imaterial, a partir de refúgios de acesso reservado aos poucos que têm arte para baralhar e dar cartas e depois realizar lucros pingues.

(Segredos sobre a arte de acumular muita massa, sem sujar as mãos e os pés, só se revela a amigos que são sempre contam pelos dedos de ambas as mãos, quando não de uma só) uma, ou quando muito, das 2 mãos).

Que sim, diziam paternalisticamente as pessoas que, naquele cantinho do jardim, seguiam sobretudo as peripécias duma partida de cartas, rijamente disputada.

- Os bancos e correlatos têm-se na conta de instituições filantrópicas: gabam-se de conceder empréstimos, a qualquer hora, em qualquer lugar e a qualquer indivíduo que dê garantias, mas raramente perdem (só nas derrocadas). Neste caso, tentam despejar para cima de acionistas indefesos, ou impõem taxas e taxinhas aos clientes simples da ocasião.

(Se não és bom comerciante, recomenda a sabedoria que feches a loja.)

Que sim, diziam paternalisticamente as pessoas que, naquele cantinho do jardim, seguiam sobretudo as peripécias duma partida de cartas que terminava à melhor de 3.

- Aos bancos e correlatos interessa tanto a gestão de dívidas soberanas, como a administração de poços de petróleo, de minas de ouro, de minas de diamantes, de minas para coltan, de circuitos de distribuição de bens materiais e imateriais, etc…Os seus gestores forçam engenharias financeiras, requerem sigilos, requisitam experts em diversas matérias, exigem paraísos fiscais e não enjeitam, em momentos de azar, perdões fiscais e/ou subsídios, sempre na perspetiva de ampliação da fortuna, com pouco despesismo associado, isso fica para o Estado.

(Na arca do avarento, o diabo jaz dentro.)

Que sim, diziam paternalisticamente as pessoas que, naquele cantinho do jardim, seguiam sobretudo as peripécias duma partida de cartas, rijamente disputada, que terminava à melhor de 3.

- Portanto, os bancos e correlatos são manobrados por uma cáfila de passarões de arribação que se consomem a comer as papas na cabeça de centenares, ou de milhares, ou de milhões de indivíduos. Essa malta não passa de unhas-de-fome, filhos diletos de belzebu, azeiteiros ramelosos e por mim passo bem sem eles.

(Quem perde a vergonha fica senhor do mundo!)

Que sim, diziam paternalisticamente as pessoas que, naquele cantinho do jardim, seguiam sobretudo as peripécias duma partida de cartas, rijamente disputada, que terminava à melhor de 3 e valia uns púcaros grátis aos vencedores, tomados na tasca mais próxima.

Em cena surge Damião que o conhecia de ginjeira, em tempos tivera de lhe pagar juros leoninos, daquela vez em que precisou da sua ajuda para ocorrer a um gasto de saúde imprevisto. Damião volta a encher Agostinho de impropérios, claro que não era a primeira vez, seu isto, seu aquilo, bandido, patifório, emprestaste-me dinheiro, mas tive de pagá-lo mailos juros com língua de palmo.

(Merda, tinha sido a única vez que se armara em onzeneiro, emprestara aquele dinheiro ao Damião que pagou nos prazos, honra lhe seja feita, depois apostara em cavalos errados e, há muito, que não passava da cepa torta!)

Que não, disseram em coro as pessoas que, naquele cantinho do jardim, seguiam sobretudo as peripécias duma partida de cartas, rijamente disputada, que terminava à melhor de 3 e valia uns púcaros grátis aos vencedores.

Agostinho estará a pregar noutra freguesia, ou entrou de quarentena, nunca mais lhe puseram a vista em cima.

Vidas 4.jpg

Computador estúpido, sempre a dizer «tem correio»

 

 



publicado por Jorge às 20:15
Quinta-feira, 23 de Abril de 2020

Diálogos de outono 17

 

- Estou sim, é o Sr. Antunes?

- Sim, sim, como está o senhor Fagundes?

- Bem, graças a Deus! E o senhor Antunes?

- De saúde vou bem, obrigado, Sr. Fagundes!

- Estou a ligar-lhe, porque, daqui por 5 minutos, estarei à sua porta, como combinado, para lhe pagar a continha em dívida. Não há problemas, pois não, Sr. Antunes?

- Vai desculpar-me, Sr. Fagundes, mas um imprevisto está a manter-me longe de casa, neste momento!

- Espero que não seja nada de grave, Sr. Antunes!...

- Efetivamente não, Sr. Fagundes, mas, por conta da infelicidade de outros, eu estou retido, numa imensa fila de trânsito, à entrada da ponte 25 de abril!

- Lamento, Sr. Antunes!

- Assim sendo, só nos resta adiar a sua deslocação cá a casa, para depois do fim-de-semana, Sr. Fagundes, desculpe lá o inconveniente...

- Homessa, está claro que sim, Sr. Antunes. Cá estarei, a ver, se, finalmente me vejo livre desta prestação! Não gosto de ter dívidas pendentes.

- Compreendo. Então, até lá, Sr. Fagundes!

A conversa ao telefone decorre, cumpria o Sr. Fagundes uma visita social a pessoa de estima que vivia no primeiro andar do prédio em que também o Sr. Antunes é um dos condóminos.

Terminada a troca de impressões, o Sr. Fagundes despede-se efusivamente e vai à sua vida.

Ao transpor a porta da rua, dá-se conta que as filhas e esposa do Sr. Antunes, ataviadas para ocasião festiva, olham fixamente a porta do elevador, acabadinho de chegar, e do qual sai o chefe da família.

De um salto, o Sr. Fagundes cola-se às paredes do prédio, já tingido pelas sombras do início da noite e, afrontado, desarvora dali para fora, pernas para que vos quero!!!

 

Diálogos de outono 17.jpeg

 

 

 

 

 

 



publicado por Jorge às 19:39
Terça-feira, 21 de Abril de 2020

Apetece gritar, mas ninguém grita.

Apetece fugir, mas ninguém foge.

Um fantasma limita

Todo o futuro a este dia de hoje

Excerto do poema Dies Irae, de Miguel Torga, in 'Cântico do Homem'

 

Uma doença, Covid-19, está a deixar em casa a maioria dos habitantes da Terra (acontecimento singular!).

Uma doença que é entretecida pelo voraz SARS-CoV-2, (sigla do Inglês), o coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2, que ninguém conhecia de parte alguma e que, pelos vistos, é mimético.  

(Sabe-se que o resfriado comum é provocado por um microrganismo, mais benigno, desta família).

Uma doença, inesperada, revertida em pandemia – que seja breve! -, está a pôr a maioria dos habitantes da Terra (o aumento não para, de há muito), não só de pés enfiados em tamancos, mas também lívido, de nervos à flor da pele e de credo na boca, neste período de clausura.

Uma doença quase ubíqua, entretecida, em pouco tempo, por um inimigo de muito reduzido porte, sagaz, de pé ligeiro, está a deixar muita gente órfã de familiares e de sentimentos.

(É estarrecedora a frivolidade oficial na declamação das estatísticas de vítimas).

Uma doença que só pode ainda ser combatida à espadeirada, quando o generalíssimo dela tem a seu dispor manchis topo de gama, dispostos a manter respeito em todas as frentes e campos de batalha.

 

Muitos crentes, com um encolher de ombros, veem nesta coita uma profetizada intervenção de divindades que, há muito, andam a torcer o nariz a muitos pecados levados a cabo por seres humanos, ao ponto de estar prestes a chegar-lhes a mostarda ao nariz e ir tudo a raso, chega de brincadeiras!

(Os entendidos que controlam o relógio do juízo final dizem que o futuro da Terra está por um fio, acaba de ficar a 100 segundos da meia-noite fatídica).

 

Outros, não-crentes, não vão por aí, preferem versões, mais comezinhas, como estas:

1 - A Covid-19 difunde-se, por más práticas, depois do microrganismo SARS-CoV-2 ter sido parido em laboratório - no âmbito da guerra bioquímica?- , na cidade da Wuhan, na China (país que pretende conquistar a liderança da economia e das finanças globais, ou não fosse ela o País do Meio da Terra e do Universo também).

2 – A Covid-19 surge por ação do SARS-CoV-2, microrganismo transmitido aquando de repastos de animais exóticos - como o pangolim e a cobra que o terão ido buscar ao morcego – e que são tidos como boa pitança e/ou boa mezinha, pela maior população do mundo, a da China (país que estará empenhado em tomar o leme do mundo).

3 - A Covid-19 surge por ação do SARS-CoV-2, microrganismo que dantes hospedava seres vivos irracionais, mas que, com o encurtamento dos ecossistemas passa a colonizar também os humanos ávidos de arrecadar mais fundos e que se chegam perto, sem muitas cautelas.

4 - A Covid-19 surge por ação do SARS-CoV-2, microrganismo que se fortalece nos diferentes tipos de poluição, a qual já assumiu um caráter global e que tem vindo a ser vituperada por muita e boa gente, a viver principalmente em países de abundância material.

5 – A Covid-19 surge por ação do SARS-CoV-2 - microrganismo cuja patente será detida por uma empresa dos EUA - que poderá ter sido espalhada aquando duma competição desportiva internacional de militares, realizada, em outubro passado, precisamente em Wuhan, na China (ação supostamente intentada para contrariar o expansionismo sínico?).

6 - A Covid-19 surge por ação do SARS-CoV-2, microrganismo peçonhento e capaz de ser burilado por conta de radiações emitidas das antenas que alimentam as novas tecnologias de comunicação 5G; na China, a cidade de Wuhan é fiel depositária dalgumas.

7 – A Covid-19 surge por ação do SARS-CoV-2 e é uma infestação extraterrestre, pois consta que terá mesmo caído um meteorito, em outubro, perto de Wuhan e dos seus resíduos se libertou o sobredito infestante.

 

A pandemia existe, sem que qualquer profeta da desgraça a entrevisse tão arrasadora.

A pandemia existe e tomou de surpresa o planeta, há poucos dias - que mais parecem anos - e terá vindo para ficar.

A pandemia existe e está sobretudo a ser combatida com ações profiláticas que têm exigido muito a profissionais ligados à Saúde, de colaboração com a clausura imposta à maioria dos cidadãos, por esse mundo fora (tão inimaginável quanto os preços do crude a preços negativos!).

A pandemia existe e não há ainda arma eficaz – apenas paliativos - que a desterre; seja em países de carestia, seja em países onde corre o leite e o mel, as vítimas contam-se por largos milhares.

A pandemia existe e muitos laboratórios esgotam-se ao pretenderem criar uma panaceia capaz de pôr a salvo a imensa mole humana que habita a Terra e que desespera pela sua aparição.

 

Aqui e agora, esperam-nos mais tempos difíceis, na expetativa que as medidas de controle e o Sistema de Saúde caseiro se aguente firme, na contenção desta pandemia do dialho.

Aqui e agora, esperam-nos mais tempos difíceis, tanto mais se os rendimentos teimarem em diluir-se na austeridade e na inflação que aí vem a galope, na linha da lógica dos mercados que não se deixam envolver em perdões de dívida, ou lucros maninos.

Aqui e agora, esperam-nos mais tempo difíceis, sobretudo porque ainda vivemos num país vergado ao peso da dependência financeira e económica de outros mais poderosos (são poucos, mas não quererão largar o osso).

 (Maiores angústias habitam os refugiados e todos aqueles que sobrevivem em áreas de conflitos bélicos).

 

Muitos milhões de habitantes da Terra andam consternados, mas afiançados na sobrevivência.

Morituri te saluant?

Qual quê!

Lamenta-se todos aqueles gladiadores que já partiram e que provavelmente, lá no espaço etéreo, fazem uma forcinha para que lhes sobrevivamos, cá em baixo, preferencialmente em moldes mais solidários.

A esperança e a vida são formas de património inalienável.

 



publicado por Jorge às 20:31
Quinta-feira, 19 de Março de 2020

A liberdade é defendida com discursos e atacada com metralhadoras.

Carlos Drummond de Andrade

 

Do Serafim, toda a gente dizia ser bom homem.

Do Serafim toda a gente dizia ser bom cidadão.

Do Serafim toda a gente dizia ser bom profissional.

Como médico, era muito amistoso, no relacionamento pessoal.

Como médico, era muito contido nas análises e exames que mandava fazer.

Como médico, era muito competente, nos diagnósticos e operações que recomendava.

Um dia, Serafim aparece nas primeiras páginas dos jornais.

Um dia, Serafim aparece logo a abrir os noticiários das tevês.

Um dia, Serafim aparece referenciado, em muitas redes sociais.

De véspera, tinham morrido 2 pessoas, num feroz acidente rodoviário.

De véspera, tinham morrido 2 pessoas, num feroz acidente rodoviário; ambas tinham sido levadas ao hospital mais próximo.

De véspera, tinham morrido 2 pessoas, num feroz acidente rodoviário; ambas tinham sido levadas ao hospital mais próximo, onde trabalhava Serafim.

Meio mundo asseverava que Serafim estava de escala às urgências.

Meio mundo asseverava que ele, Serafim, estando de serviço às urgências, fora incumbido de assistir aos 2 sinistrados.

Meio mundo asseverava que ele, Serafim não se apressara a dar assistência aos sinistrados, que estava ferrado no sono, após muitas horas de laboração e que não o conseguiram arrancar à soneca, naquela situação de emergência.

Mais tarde, Serafim, abalado, disse de sua justiça e nega a insídia.

Mais tarde, Serafim, abalado, depois de negar a perfídia, apresenta as condolências aos familiares dos sinistrados.

Mais tarde, Serafim, abalado e uma vez apresentadas as condolências à família dos mortos e denegada a velhacada e retira-se para parte incerta.

Só então, aquele comandante de bombeiros surge a testemunhar que os sinistrados, uma senhora e uma filha adolescente, haviam encontrado morte imediata, numa curva fatídica duma estrada, há muito referenciada.

Passadas muitas luas, ainda abalado, Serafim está de regresso, que há muitas vidas por que lutar.



publicado por Jorge às 11:11
Terça-feira, 10 de Março de 2020

No chão estava um saco de plástico sujo.

Pareceu-me que ali jazia, há muito, por indiferença.

Apanhei-o e dirigi-me ao contentor mais próximo.

Estou na iminência de introduzir a coisa no dito cujo.

Nisto, alguém, em alta grita, atira uma série de impropérios.

Cabrão, estúpido imprestável, analfabruto de merda!

Viro-me na direção da voz alterada

E logo fico a saber que os Insultos a mim se destinavam.

Alguém, que acabara de se plantar à minha frente,

Gesticulava com cenho reprovador.

Aí fez-se luz no meu espírito, eureka!

Não é que me preparava para introduzir a peça,

No contentor azul, dos papéis, que distração!

Onde se metera o meu sentido cívico, caramba?!

Mas, ferido meu brio, não me fiquei:

Mandei a gentil senhora aquela parte, assunto arrumado



publicado por Jorge às 20:22
Domingo, 01 de Março de 2020

   Não anda com muito tempo, a constatação que Portugal é o país que menos cumpre as recomendações do Conselho da Europa contra a corrupção: relatório fidedigno garante que, no final de 2018, não estavam cumpridas 73% das recomendações daí emanadas. Logo, Portugal fica mal na fotografia, posicionando-se inclusive atrás da Turquia (70%), Sérvia (59%), Roménia (44%), Bélgica (42%) e Croácia (39%).

(A enunciativa faz ainda questão de "lamentar" que Portugal - à semelhança de outros 13 países - ainda não tenha ratificado a Convenção sobre Corrupção e Lei Criminal).

(Ser detentor da patente dos «brandos costumes» tem muito que se lhe diga…).

 

   Diz-se à boca pequena que, em Portugal, há muito disto: falta de controlo sobre as usuais derrapagens dos custos de obras públicas e do seu caráter; falta de controlo sobre o desperdício o destino dado a subsídios e financiamentos comunitários e nacionais; evasão fiscal à fartazana; a persistente sangria das empresas públicas, através de toda a sorte de atos de nepotismo e compadrio e por aí fora.

E não é por falta de disposições legislativas sancionatórias que são mais que muitas.

(A quem e como atuar é que traz muita gente e muitos agentes confundidos, ao que parece…).

 

   Em busca de propostas de combate a tal lástima social, reúno aqui - e com sua licença! – algumas, da autoria do magistrado Euclides Dâmaso Simões, um cidadão apostado no rigor das leis e nas boas práticas sociais que não se coadunam com o «deixa passar esta linda brincadeira». Sugere(que):

       . A criação de um programa coerente de prevenção, adaptado à realidade nacional, sobretudo com recurso a campanhas de sensibilização dos cidadãos que seriam alertados para os males da corrupção e promoção dos valores da “transparência” e da “probidade”.

       . Ao Conselho de Prevenção da Corrupção seria atribuído papel mais determinante, quer dinamizando essas campanhas, quer apresentando ao poder legislativo propostas de códigos de conduta no exercício ético de funções, por parte de funcionários públicos em geral e de titulares de cargos políticos e/ou públicos.

        . O reforço da capacidade de prospeção e da fiabilidade das instâncias de fiscalização administrativa, vulgo “inspeções”, encarregadas de comunicar às instâncias formais de controlo (polícia e MP) os atos de corrupção de que tomem conhecimento no exercício das suas funções.

       . A criação de um regime adequado de recolha de queixas dos cidadãos, que não exclua as feitas sob anonimato.

      . A promoção e proteção da liberdade de se procurar, receber, publicar e difundir informação sobre a corrupção(...), sem fazer perigar o sigilo das investigações e a reputação dos visados.

       . No campo da “prevenção dirigida”, se impõe o robustecimento da vigilância, por parte do Conselho de Prevenção da Corrupção sobre alguns dos setores mais sensíveis: as parcerias público-privadas, as privatizações, a aquisição de bens e serviços de grande vulto e a adjudicação de obras de maior significado económico. 

       . A afetação da Polícia Judiciária à investigação da corrupção e da criminalidade similar investigadores e peritos em número adequado e especialmente vocacionados e motivados para uma atitude proativa.

      . A concentração no Ministério Público de tais investigações, em Departamentos que recorram a magistrados e oficiais de justiça com vocação, formação especializada, experiência e adequado enquadramento hierárquico (DIAP sobretudo).

(E fazer votos que, nas instâncias propostas, não se instale o ovo da víbora…).

 

   Por mim, não doam as mãos a quem se dispõe a cercear a propagação de corruptelas, embora seja voz corrente que só com recurso a cunhas e padrinhos - tidos em alta consideração, olaré! - o sistema funciona à maneira…

   (Importante será não ser apanhado(a) com as calças na mão, que o perdão espreita para todos).

   Será inglório o esforço dos incorruptíveis?

 

PS1 - Já agora, ficava bem às autoridades do país verterem para a legislação doméstica convenções internacionais tidas por indispensáveis na propagação da corrupção junto das massas!

PS2 – Nem por acaso, há poucos dias soube-se que Portugal recuou dois pontos no Índice de Perceção da Corrupção (62, em 2019, contra 64, em 2018), segundo a organização Transparência e Integridade, associação cívica de utilidade pública, independente e sem fins lucrativos. O «score» luso fica abaixo da média da União Europeia (64) e a par do Qatar, Barbados e da Espanha (está em recuperação).

911770b8b7ee7e58db324de0e7e0f6b0.jpg«Sejamos sérios, estamos a falar de ética empresarial, não da ética (pd).»



publicado por Jorge às 12:03
Segunda-feira, 27 de Janeiro de 2020

a - “Enquanto que mais de metade dos adultos do mundo tem uma riqueza inferior a 10.000 dólares, cerca de 1% dos milionários detêm 44% da riqueza mundial”, consta em alguns relatórios de entendidos da coisa.

E a tendência parece ser, segundo muitos peritos (de mercados e correlativos), o reforço da parte do bolo que compete aos milionários.

(Previsão baseada em estratégias atualmente em vigor.)

Previsão ousada, não acha?

 

b – Que os climas andam incertos, parece indesmentível. Há quem jure e trejure que a principal causa do inequívoco aumento da temperatura média do ar da atmosfera da Terra, é uma consequência inevitável do desatino das atividades do Homem - sempre em busca de mais e melhor -, as quais tirocinam o ambiente, muito por conta do CO2.

Outros juram e trejuram que estamos a entrar em novo episódio de aquecimento global normal na história do planeta (alternam com períodos de arrefecimento) e que costumam durar pra burro! Não anda com muitos milhares de anos que a Terra aqueceu à brava, pela última vez, e, para tal, não concorreu de modo algum uma produção extremada de CO2 coisa nenhuma!...

Em qualquer dos casos, estamos feitos ao bife!

Venha o dianho que ouse na escolha!...

 

c – A senhora é indiana e trabalha todos os dias até às tantas, a troco de cinco reis de mel coado.

A senhora vive, num habitáculo, junto à usina, para que não falte à chamada, sempre que seja convocada para tarefas rotineiras de ocasião.

Uma vez sem exemplo, a senhora pede uma licença que lhe é concedida a título excecional.

A senhora encaminha, sem delongas, os seus passos para uma clínica, sita nos fundilhos de tortuosa travessa, perto do local trabalho, onde se submete a uma histerectomia (ablação do útero).

Estava assim garantido que a maternidade não a arredaria do ganha-pão…

Muito ousa quando se luta pela sobrevivência imediata!...

 

d – Uma atleta portuguesa participa duma final duma prova de um campeonato europeu, disputado, há pouco, em país distante: entre 8 concorrentes, fez o oitavo lugar.

Logo ali alguém a convence ser merecedora do apreço do país e - quem sabe! – até de uma comenda, entregue em mão pelo PR.

Porra, nenhum dos colegas seus chegou a uma final, foi ou não um grande feito da sua parte?! Em tempos recentes, presentearam-se comendas por méritos menos expressivos que o seu!...

De regresso, descobre que o seu resultado tinha apenas sido mencionado, de raspão, num programa de uma rádio nacional, em hora de seca noticiosa!...

Isto não fica assim! – fica assim prometida a vingança, na próxima oportunidade.

Ousar vencer!



publicado por Jorge às 21:16
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