Quarta-feira, 08 de Fevereiro de 2012

1 – Soube-se recentemente que uma associação secreta daquelas que detêm alguns segredos longe dos olhares do mundo tem contribuído para a promoção de importante segmento das exportações desta praça, o dos aventais. Igualmente terá contribuído para o aumento do sucesso em matemática, pois do compasso faz uso de mestre. Assim, por tudo isso e pelo apoio a nautas, pedreiros e arquitetos, hoje mesmo será imposta à dita corporação uma das comendas de mais alto coturno. Qual? Está ainda no segredo dos deuses. Entretanto sabe-se que a cerimónia, de pompa e circunstância, ocorrerá em Mação.

2 – O puto era bravio, estrebuchava que nem javali filado pela rede. Um matulão, por pirraça, prendera-lhe os braços atrás das costas; ato contínuo, arremessou a presa ao chão e depôs um joelho vitorioso nos costados do reguila. Debatia-se com apego à causa da honra o petiz, o sansão de trazer por casa mostrava, em toda a sua plenitude, a alvura do esmalte dentário. «Sai de cima de mim!» - conseguiu debitar o minorca para o latagão, enquanto de debatia com todas as ganas. Um transeunte tentou arredá-los, mas saíram baldados os seus esforços. Só quando chegou a polícia, se soube que ambos praticavam a última versão do jogo dos indignados.

3 – O comandante das tropas botou a boca no trombone e disse de sua justiça. Que os proventos da família por si geridos nem davam para comprar tremoços, quanto mais pevides. Ato imediato, uns amigos de Peniche se reuniram e juntaram umas moedinhas, para que não lhe faltasse nada. Outros condoeram-se, a pontos de ofereceram a casa, mulher e filhos, pois já não sabiam que lhes fazer. Outros, insidiosos, queriam que ele levantasse a tenda e fosse pregar para outra freguesia. O último a opinar, sugeriu melhor: que fosse caçar gambozinos para a ilha da Páscoa. Proposta aceite, hoje é um moai.

4 – O xerife disse que os seus súbditos são pobres piegas. Em apoio da sua tese, vieram arremelgados os ricos por lei e os ricos por portas e travessas. De cenho desanuviado, diziam-lhe: «Conte connosco!», ao que o xerife respondia que sim, mas que não era preciso. Pardeus, que se mantivessem a operar as rédeas dos seus empreendimentos, que estariam a ser prestáveis. Os pobres não gostaram de serem assim tratados e decidiram dar conta ao xerife. Uma coisa é ser pobre piegas outra é ser apontado a dedo à conta disso. Uma coisa é ser o bombo da festa, outra, bem diferente é dar à palheta, como o faz sua senhoria. Pediram-lhe encarecidamente que se retratasse. No dia seguinte, a fotografia do xerife apareceu em todas os mídia, de cenho semi carregado, semi aliviado, acabadinho de deixar o confessionário.

 



publicado por Jorge às 20:16
mais sobre mim
Fevereiro 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
13
14
15
16
17
18

19
20
21
22
23
24
25

27
28
29


pesquisar neste blog
 
blogs SAPO