Sábado, 07 de Abril de 2012

   A descoberta apodera-se de todas as parangonas: dezenas de milhões de planetas da galáxia vizinha da via láctea contêm H2O, o precioso líquido fiador da vida no universo do big bang. A descoberta pôs de cara à banda muitos dos supremacistas terráqueos, confundidos pelas assunções do design inteligente. Na lista dos investigadores surge um nome: Sertório I.

   Organiza-se um peditório para um foguetório de homenagem ao herói, uma vez que o torrão pascal, perdão, torrão natal está a braços com crise aguda de brotoeja. Também se arranja uma parada militar à maneira do império, durante a qual e o laureado se compromete a escutar de cabo a rabo uma heróide lavrada por vate assaz louvaminhado.

   A coisa esteve compostinha!

  Todas as aberturas de telejornais são peremptórias: afinal há vitrinos que conseguem mover-se a velocidades superiores à da luz. A descoberta dissemina-se a uma intensidade estonteante e baralha antigos fados, mas também permite novos cálculos sobre juros vindouros. Mais tarde desceu alguma descrença sobre esta teoria, mas, enquanto o pau vai e vem, folgam as costas. Uma vez publicada a lista dos escabichadores, lá estão os nomes: Sertório II e Sertório III.

  Há peditório para novo foguetório de homenagem aos heróis, uma vez que o torrão pascal,  perdão, torrão natal convalesce de uma crise aguda de sarampelo. Também se arranja uma parada de injustiçados anónimos e de ocupas e os premiados são contemplados com a versão mais recente da ode marítima, dedilhada por um companhia de artistas despidos de convenções, mas dependentes de subvenções.

   A coisa esteve compostinha!

   Todos os jornais digitais, blogues e redes sociais publicitam e comentam a notícia com segundos de diferença e em tom maior: um grupo de cientistas descobre uma forma prática de reverter o plástico ao petróleo original. A descoberta baralha os partidários da teoria inorgânica do ouro negro, mas também permite devaneios à volta de lucros futuros de estadão. Compulsada a lista dos papelistas, encerra os nomes que se seguem: Sertório IV, Sertório V e Sertório VI.

  Impõe-se outro peditório para outro foguetório, porque o torrão pascal, perdão, torrão natal vive uma recaída de acne aguda. Também se disponibiliza uma parada de autarcas com guia de despejo, outra de militares defenestrados e outra de patos bravos indigentes. Os galardoados aturam uma dúzia de discursos, alguns pícaros, outros pícaros, estoutro picaresco que continham obrigatoriamente elucubrações  homéricas.

  A coisa esteve compostinha!

  Todo o mundo anuncia que as crises de brotoeja, sarampelo e acne são obra do homem do saco. O achado é recente e transtorna os espíritos recatados e os iluminados. As contas sobre lucros passíveis prolongam-se para as calendas gregas e troianas. Da lista dos descobridores não consta nenhum nome do torrão pascal, perdão torrão natal. Em boa hora, porque os foguetes estão extintos, o dinheiro segue o mesmo descaminho e o tom laudatório é valhacouto dos áugures. Permitidas estão apenas marchas de agiotas compungidos, de provocadores de chuva, de ciliciados e auto flagelados.

   As descobertas podem esperar por melhores dias, caso não sejam sonegadas.

   A coisa está compostinha!



publicado por Jorge às 11:28
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