Sábado, 29 de Janeiro de 2011

O célebre clube de futebol encaixou uma mão cheia de golos. De tal forma que as redes tiveram de ser intervencionadas, durante a peleja. Todo o mundo ficou assombrado com tamanho descaro, ineficácia e desonra. Já não se usava zurzir em mortos, sem dó nem piedade. Aventaram-se várias hipóteses: que os homens tinham chumbo nas botas, que estavam feitos, que tinham andado na tainada, nas vésperas da jogatina. Nada mais falso, os jogadores tinham perdido a sua eficácia, quando uma «streaker» atravessara o campo, nada mais nada menos que a cara-metade do presidente contrário. Na altura, o marcador assinalava 0-0.

 

O baronete, palitou os dentes, distendeu as comissuras labiais, inflou as fauces e perorou, com ar reprovador:

- As contas do cantão estão que nem uma praga, desde, há pelos menos, 15 anos;

- Muitos boys andam a meter as mãos na massa; - Boas almas ligadas à banca, à bolsa e ao mundo patronal comem à mesa do orçamento;

- O cantão vai empobrecer, mas os banqueiros vão liderar a retoma;

- O governo do cantão anda desgovernado, mas que tem de levar o desgoverno até ao fim;

- Só a a caridadezinha externa tem permitido fazer face aos excessos consumistas;

- A contracção salarial dos mangas-de-alpaca é um mal necessário;

- É preciso reformular a prática laboral.

Promoveram-no a barão: Decidiu então que não convinha mexer no anterior guião.

 

Dizia um grande pensador nas plagas ocidentais:

  Em tempos idos, num território aqui tão perto, houve uma epidemia que comprometeu a colheita da batata. Houve fome de criar bicho. Os timoneiros do barco entenderam que não deveriam ser aceites ajudas externas, porque havia um deus exigente ao ponto que querer experimentar a selecção natural ao vivo. Será que da experimentação original não saiu convencida a divindade, a tal ponto que nos escolheu para a prova dos nove?

 

A quadratura do círculo:

  O dirigente disse ser contra o orçamento da junta de freguesia, porque penalizava o povo. De imediato convocou os fregueses para o devido protesto. Um dia destes fez saber que o país precisa do orçamento aprovado. Mas, conclamou o povoléu para nova acção de rua, contra a aprovação.

 

  Orçamêndio nasceu bisonho, raquítico, enfezado. Vieram os parentes aos cumprimentos da praxe:

 - Parece-se com o pai – disse o primeiro parente.

 - Parece-se com a mãe - disse o segundo parente.

 - Parece-se com o avô materno – disse o terceiro.

 - Parece-se com a avó materna.

 Colado às paredes, Domingos, velho amigo da família que fora contemplada com tal herdeiro, não perdia pitada à conversa. Orçamêndio era a sua cara chapada.

 

 Disse o mister aos jogadores:

 - Vamos morrer pelo clube!

 Os atletas seguiram o conselho à risca,ignorando que no dia anterior o melro se fizera sócio de uma agência funerária.

 

  Pensamento pouco aprofundado (1):

  - Deus quis que eu fosse o Adão; reprovei por falta de habilitações. Mas estou casado com a Eva.

 

  Acontecimento pouco aprofundado (1):

  O homem estava sempre em brasa. Receou que pudesse ser acusado de homicídio involuntário, caso se casasse ou se mancomunasse. Decidiu fazer votos sempiternos de pureza e entrou para um convento. Mas não evitou que aquela peça de património fosse consumida num incêndio devastador.

 

  O candidato disse que ninguém via melhor que ele. Assim era, de facto: a principal loja da localidade pertencia-lhe: era oculista e o único que não usava óculos.

 

  O cabo da esquadra disse:

  - Eu gosto de empresas mini, médias e grandes.

  Um dia descobriu-se que também gostava de bacalhau miúdo, médio, graúdo. Da mesma forma que tinha inclinação para bejecas mini, normal e de litro. Para ele era tudo igual ao litro.

 

  Naquele bidonville:

  - Um homem confessou que tinha mentido com quantos dentes tinha na boca ao juiz togado, porque os inquiridores o tinham encostado à parede

  - Outro homem decidiu aumentar as tenças dos vassalos, quando o senhor feudal tinha determinado que em tempo de guerra não se limpam armas.

  - Outro ainda garantia que toda a gente vivia à grande e à francesa, pois lhe havia constado que se tinham ido os anéis da maioria, mas que tinham ficado os dedos artrósicos.

  Aos 3 o povoléu quer bem, dado que a vida é uma passagem para a outra margem, onde a virtude abunda.

 

 O candidato disse que quem quisesse ser mais honesto que ele tinha de nascer 2 vezes. Por precaução e à sorrelfa, um seu pau-mandado encerrou  os templos dos credos que defendem a transmigração das almas e a reincarnação. Mais ordenou que fossem enfiados nas catacumbas profundas os fiéis que porfiam em renascer.



publicado por Jorge às 11:42
Sábado, 29 de Janeiro de 2011

À mesa de uma casa de pasto, 6 comentadores pronunciam cada um sua sentença lapidar.

     - Hoje em dia a esquerda confunde-se com a direita e vice-versa – assevera o comentador primevo.

     Durante 365 dias produz manuscritos para todos os tipos de média sobre o assunto em epígrafe. Cansados os ouvintes/leitores/espectadores/bloggers, o comentador I parte para outra.

     - Hoje em dia a iniciativa privada confunde-se com a pública e vice-versa – assenta o comentador secundo.

      Durante 365 dias redige catilinárias para todos os tipos de média sobre o assunto em epígrafe. Cansados os ouvintes/leitores/espectadores/bloggers, o comentador II parte para outra.

     - Hoje em dia a democracia confunde-se com a ditadura e vice-versa – assegura o comentador ternário.

      Durante 365 dias produz artigos para todos os tipos de média sobre o assunto em epígrafe. Cansados os ouvintes/leitores/espectadores, o comentador III parte para outra.

      - Hoje em dia o capitalismo confunde-se com o comunismo/socialismo e vice-versa – asserta o comentador quaterno.

      Durante 365 dias produz textos para todos os tipos de média sobre o assunto em epígrafe. Cansados os ouvintes/leitores/espectadores, o comentador IV parte para outra.

      - Hoje em dia a bolsa confunde-se com a banca e vice-versa – acentua o comentador quinário.

      Durante 365 dias produz requisitórios para todos os tipos de média sobre o assunto em epígrafe. Cansados os ouvintes/leitores/espectadores, o comentador V parte para outra.

      - Hoje em dia os direitos do homem confundem-se com os dos animais e vice-versa – assaca o comentador senário.

      Durante 365 dias produz editoriais para todos os tipos de média sobre o assunto em epígrafe. Cansados os ouvintes/leitores/espectadores, o comentador VI parte para outra.

      366 dias transcorridos, volveram sobre os próprios passos. Já não eram comentadores. Fizeram-nos comendadores, aos seis de uma assentada: ficou a lucrar o erário régio.



publicado por Jorge às 11:39
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