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oitentaeoitosim

18
Nov13

Escolas escalonadas

Jorge

    Faz-se rankings de bebidas, de empresas, de clubes da bola, de santos milagreiros, de serviços, de mulheres bonitas e outras, cada um com seu critério bem aferido por que não aplicar o maneirismo às escolas? Foi difícil, mas encontrou-se um critério capaz de hierarquizar todas as escolas pré-universitárias, básicas, secundárias, profissionais, inclusivas, oficiais e particulares, mas já cá canta! Há uns anos atrás seria um bico-de-obra, não havia exames e até se pode dizer que a escola que tanto gosta de classificar fugia a ser classificada, entregue que estava a olhar para o umbigo da autoavaliação, em casa de ferreiro…

    Agora há provas iniciais, intermédias, finais, temos material capaz, vamos a isso (nas escolas superiores aí a coisa fia mais fino, mede-se pelo nível dos estudantes, dos lentes, dos centros de investigação, da atividade investigadora, das publicações dadas à estampa, do nível de impacto web, etc.) que se faz tarde!

    As escolas oficiais, abertas às pulsões e pulsações da comunidade e ao virtuosismo encantatório do ensino-aprendizagem, recebem, ab initio, todos os alunos e todas as turmas que a tutela bem quer e entende, pode-se cambiar e recambiar alunos dentro da mesma área pedagógica por conta de oferta desigual de cursos, mas a escolaridade obrigatória até ao 12º ano (olhem só a pipa de massa que se poupava se o decreto que aqueles bandidos fabricaram há 2 anos fosse anulado!) impõe que nenhum adolescente fique à porta…  

    As direções das escolas públicas pugnam pela qualidade dos seus agrupamentos (escolas conchegadinhas sentem-se mais reconfortadas), os profes que dão aulas em regime diretivo ou não-diretivo, que são avaliados pelos colegas, que são obrigados a atualizarem-se e com menos dinheiro no bolso de ano para ano fazem o melhor que podem; vai daí os alunos, quantas vezes transportados de longe a horas impróprias, apertadinhos em turmas de quase 30 (dá jeito na altura dos frios, vejam lá se a tutela não mede tudo ao pormenor), sejam normais, NEE, com comportamentos desviantes, provindos de todo o lado, em qualquer altura do ano, idem. Muitas aulas depois, vários momentos de avaliação, momentos de pausa, momentos de estudo, reuniões mil depois, chegam os exames obrigatórios (o suprassumo da pedagogia, da didática e do desenvolvimento), com regras apertadas na sua preparação, realização e correção. Quando saem os resultados, raramente correspondem às expetativas e fica a malta que ali trabalha de cara à banda. Ninguém gosta de ouvir remoques do género «olha lá, trabalhas na escola 444, não é?»

     Do outro lado, as escolas privadas, cada vez menos abertas às pressões da comunidade, recebem os alunos que tenham massa para pagar as propinas (com ou sem ajuda do Estado), podem recusar a matrícula dos alunos que bem entendem, os diretores sempre atentos ao negócio, espetam-nos em turmas de menor dimensão, os professores que também têm de frequentar ações de formação e serem avaliados e cada vez com menos dinheiro no bolso fazem o que melhor podem e dão aulas em regime diretivo ou não, os alunos bem comportados todos (senão retiram-se do aprisco) idem. A vida escolar é um regalo, aprende-se sem esforço, com montes de visitas de estudo, muitas confraternizações, prática desportiva do melhor, em instalações comme il faut! Vêm os exames, as regras da sua consumação seguirão ao que se supõe os mesmos trâmites (tempos houve em que os alunos das privadas prestavam provas nas escolas oficiais da área, por que seria?), saem os resultados e ficam lá para cima na classificação. É reconfortante para o ego ouvir um remoque do género «aquela que ali vai trabalha na escola nº 11, que é pequenina, mas maneirinha!»

(Por estas e por outras as escolas privadas deveriam ser maioritárias no país, falta às escolas públicas o sentido do empreendedorismo.)

PS - Há dias uma universidade pública deu conta que os alunos provindos das escolas públicas têm melhor desempenho que os das privadas. Nas universidades privadas, não há esse perigo!

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18
Nov13

Teste

Jorge

Assinale a única hipótese correta em cada uma das 3 questões seguintes.

 Questão A

Um senhor disse tudo isto (com galhardia e tom prazenteiro):

1 – Que para pagar as dívidas o pessoal teria de «trabalhar mais de um ano sem comer, sem utilizar transportes, sem gastar absolutamente nada só para pagar a dívida". 

2- Que o Orçamento do Estado 2014 tem por base quatro pilares (consolidação orçamental, equidade, solidariedade  e crescimento), por isso é adequado. 

3 – Que a preocupante redução na natalidade significa a longo prazo mais prestações sociais do  Estado para uma população em que há mais idosos do que trabalhadores ativos.

4 – Que o crescimento e o emprego não poderão  obter-se atualmente «através da mera injeção de capital na estrutura produtiva  do país e de um maior endividamento para esse efeito». 

5 – Que o futuro passa pela reforma  do IRC, a redução da taxa do IVA e a agilização do sistema judicial.  

6 – Que está otimista à conta da diminuição recente da taxa de desemprego e ao aumento das exportações.

7 - Que o país «entrou na espiral responsável, aumentando a sua competitividade  externa".

Assinale com X a função desempenhada atualmente por esse senhor:

Hipóteses:

a –  ministro da educação b – ministro da suprema felicidade social

c - ministro adjunto       d – ministro dos negócios estrangeiros.

Questão B

Outro senhor do mesmo clã afirmou tudo isto (talvez a rir-se por dentro, no Porto e em Londres)):

1 – Que "não haverá segundo resgate para ninguém".

2 - «Não, não e não, no que depende das famílias e dos cidadãos, no que depende da economia e das suas empresas, no que depende do Governo de Portugal e creio que de todas as instituições com responsabilidade em Portugal não haverá segundo resgate para ninguém».

3 – Reconhece que «o esforço dos portugueses não se pode afundar quando estamos com a praia à vista”.

4 – Desejou que «possamos agora entrar diferente, numa fase de compromisso, numa fase de atenção ao essencial que é a recuperação da nossa economia”.

5 – Sabe que acabar o atual programa acordado com o Fundo Monetário Internacional, a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu na data prevista é uma “obsessão” do atual Governo e afastou o cenário de um segundo resgate.

6 – Mas confirmou que «o objetivo do Governo é começar a negociar um programa cautelar nos primeiros meses de 2014».

 Assinale com X a função desempenhada atualmente por esse senhor:

Hipóteses:

a – ministro da economia      b - ministro da suprema felicidade social

c – ministro adjunto    d – ministro dos negócios estrangeiros.       

                              

            

                                                          Questão C

Outro senhor da mesma elite fez isto (para amigos, filhos e netos e amigos se perderem de riso):

1 – Disse que não acompanhava um primeiro-ministro ao Vaticano, pois tinha sido proibido pelo seu cardeal, em Lisboa.

2 – Integrou órgãos sociais de 5 bancos, em simultâneo.

3 – Cometeu uma «incorreção fatual», quando garantiu ao parlamento que nunca possuíra ações da SLN.

4 – Pediu «desculpas diplomáticas», por causa de investigações a autoridades de um país irmão e que se faziam (?) neste país.

5 – Diz que haverá 2º resgate, se os juros a 10 anos nos mercados cambiais não baixarem dos 4,5%.

Assinale com X a função desempenhada atualmente por esse senhor:

Hipóteses:

a – ministro adjunto    b) ministro da suprema felicidade social

c) – ministro dos negócios estrangeiros   d) – ministro da solidariedade.

 

Critério de correção único: Se assinalou a alínea b) nas 3 questões, tem direito a levar a taça que tiver mais à mão.

 

18
Nov13

Apostilha 2

Jorge

A troica emprestou uma pipa de massa a Portugal, porque o país era assopeado por credores e não conseguia empréstimos ajustados nos centros financeiros, para fazer frente a tais calotes. Metido num colete-de-forças por conta da entrada na União Monetária, não se vislumbra melhor saída para estoutra crise que a famosa barrela das dívidas soberanas. As fintas aos credores tinham-se acabado, agora tratava-se de pagar com língua de palmo. Num santiámem, a troica passa a encabeçar a lista dos principais beneméritos, dita as sentenças e recebe juros catitas. Assim sendo, que acontece aos anteriores credores encartados, a maioria com raízes locais (a banca, fundos e seguradoras dominadas por portugueses) a quem o país já devia essoutra pipa de massa? Receberão eles uma parte das quantias que o Estado paga agora com regularidade, ou vai tudo parar às mãos da troica que depois faz a distribuição da argentaria? Aos costumes os governantes dizem nada, os segredos ajudam a manter a fé viva. No entanto, a medir pela solicitude com que o Estado português acorre a bancos da praça, quando entram em desgraça, talvez não recebam grande coisa. Afinal a comiseração do Estado pelos bancos em dificuldades pode ser ditada por uma questão de má consciência...

14
Nov13

Diálogos de outono 1

Jorge

- Os senhores e as senhoras não têm consciência social.

- Temos muita equidade, para dar e vender, ao desbarato.

- As senhoras e os senhores marimbam-se nas necessidades da maioria.

- A maioria dos votos está connosco, portanto, nada nos pesa na consciência.

- Os senhores e as senhoras estão a pôr muitas famílias na miséria.

- Entre marido e mulher não metemos colher, cada um como cada qual.

- As senhoras e os senhores estão a contribuir para o fim das pequenas e médias empresas.

- As grandes empresas governam  e ditam, jogamos pelo seguro.

- Os senhores e as senhoras ampliaram o desemprego.

- Os colaboradores dos nossos empresários não são competitivos, mesmo com mais horas de trabalho, precisavam de ainda mais.

- As senhoras e os senhores rilham a espinha do Estado.

- O Estado somos nós.

- Os senhores e as senhoras impõem-se sempre aos mais fracos.

- Os credores gostam de nós assim e não bulimos.

- As senhoras e os senhores partem e repartem e dão a melhor parte a quem conhecem de ginjeira.

- Caso contrário, diriam que não temos arte.

­- Os senhores e as senhoras estão a fazer pior que os prógonos.

- Depois de nós virão os que só maravilhas de nós dirão.

- As senhoras e os senhores são instados por se esquecerem das promessas originais.

- Sim, todos nós somos vítimas do pecado original, mas todos os dias nos esforçamos por remediá-lo.

- Senhoras e senhores, não seria esta uma boa altura para se porem ao fresco?

- Olhe que não, depois de nós, o dilúvio! 

14
Nov13

Apostilha 1

Jorge

Saberá o mundo que a União Europeia e um seus rebentos, o BCE, de braço dado com o FMI, o governo do país e 2 dos 3 partidos do arco-da-governação, dia-sem-dia-não xingam o Tribunal Constitucional? Se todo o mundo sabe que o país está a ser negociado às postas, que o governo quis ser mais papista que o papa, que não pode haver mudança de governação, antes da data prevista por lei, também tomou por certo conhecimento das pressões que se exercem com regularidade sobre os magistrados supremos, por mais sinais positivos que a economia indígena esteja a dar. Por que será que tantas instituições e tão renomados especialistas gostariam de fazer justiça por suas mãos? Por que será que tantas instituições e tão renomados especialistas se enfadam tanto, sem um mínimo de diplomacia, como se estivessem a dar ordens ao gato no pátio deles? A resposta parece óbvia: meteram a pata na poça, num caminho sem retorno e quem se lixa é o povo, a tal congregação que não teve lições de empreendedorismo e que se lixa sempre em tempos de guerra e de paz. De uma maneira ou de outra quem tem a batuta na mão gosta de dar música...

13
Nov13

Cenas do País Tetragonal (XIV)

Jorge

      O que se compra abaixo de 1 euro? Vão hoje a um mini a um super ou a um híper e façam a lista dos produtos à venda por menos de 1 euro, experimentem. Ponha aí um chupa palitos uma maçã uma laranja gamesses e outros que tais. Voltem lá no princípio do próximo mês de janeiro e a lista será mais reduzida e os preços mais altos, combinado? (Cuidado, não vão muitas vezes ou o pessoal da segurança ainda desconfia que andam a gamar).

     Como é, os ordenados baixam e os preços dos produtos aumentam? Não me venham com tretas que é só burrice de quem governa, os donos das lojas não são pecos também se governam, aumentam preços na procura insana de ganhar sempre mais, bater o recorde do ano anterior (menos que 3% a mais já não é mau). Esta é uma prova da ordinarice do sistema ordinário em que vivemos.

     Os culpados disto são os inventores da pólvora, antes que se lhe esgotasse o génio, deitaram mãos à obra e descobriram a inflação, essa coisa que significa poder de perda nos mercados, mas que se traduz num aumento dos preços do pão, do óleo da farinha da pescada etc. todos os anos. Ora esta maquinação permite vender menos do mesmo e ganhar mais (os descobridores deste continente incógnito também descobriram a recauchutagem e as máscaras de beleza, mas isso não vem ao caso). Outra prova que o sistema nunca foi bom de bola.

      Eu não me importava que este país tivesse uma inflação de 0%, mas dizem os entediados entendidos que 3% ou por aí é a medida certa, a zeros a inflação origina lucros menores nas empresas, a procura apoucava-se, o desemprego desatinava (afinal a as crises podem ter origens mil). Portanto, a inflação é um dado adquirido, faz parte da cartilha.

     Vamos a isso, senhoras e senhores entendidos, esclareçam 2 coisas: primeira, por que carga de água os preços de Mianmar não são os nossos? (Se é por causa do nível de rendimentos, pode subir-se os deles, nada de egoísmos); segunda, a malta está a exportar mais, ótimo diz toda a gente, e não se pode vender mais caro, o comprar caro dá estatuto… Com mais dinheiro e menos ganância, dava para todos vivemos nas calmas, não fosse a ruindade de uns quererem sacar sempre mais que outros, querem mais?

    Por fim, uma sugestão grátis: não se pode voltar à política do «cabaz de compras»? O Estado não deixa que certos produtos ultrapassem dado preço nos mercados e praças, caso contrário alinha com o restante, como nessa estória tétrica dos xeque-ensino que vai ter sequência nos xeques-refeições e xeques-explicações. Pode ser que isto contrarie a inflação, o regresso aos mercados e o ajustamento, mas que dava um jeitão isso dava!?

   (Também não ficava mal o consentimento real e efetivo à troca direta.) 

  

13
Nov13

Cenas do País Tetragonal (XIII)

Jorge

1 – Aquele meco falava e dizia estar de acordo que o Estado contrate advogados às catadupas para estudos disto e daquilo. E deveria contratar mais, senão todos mesmo. Só assim esses donos de toga pagariam tributos a valer…

2 – Os credores estão contentinhos da Siva, pois contam com reabastecimento das suas caixas registadoras. Mas há uma nuvem a pairar sobre esse cenário idílico do OE14, a lavratura do acórdão decisivo. Os acredores gostariam de ter a última palavra a dizer, deixam aqui uma ali outra ameaça velada, olham de soslaio a moca afiada, não vá o arranjinho dar com os burrinhos na água. Também os pais biológicos da rica prenda fazem cara de pau aos éfetas da terra, na esperança que não roam a corda e não borrem a pintura.

      Mas com estes gajos todos os cuidados são poucos, os antepassados deles bem que moeram o juízo aos romanos, nunca fiando, mesmo que venham de mão estendida a pedir batatinhas, olho neles! A nossa proposta era honesta, os governanças armados em palhaços acrescentaram pontos à narrativa, mas não se sabe para que lado caem os sacanas, fosse isto o Chipre e outro galo cantaria…

(Entretanto, um pasquim traz a revelação, o OE14 tinha sido feito em Olhão, com muitos ingleses a ver, sabem-na toda estes mariolas!)

3 – O senhor das botas cardadas formatou muitas cabeças, o mesmo fez um cardeal aliado. Ambos gostavam de se rever numa vasta comunidade de pobres de bens e de espírito e esforçavam-se para a conter dentro dos limites da fezada. Os próceres ficaram agradecidos e os seus arautos nãos se cansam de passar palavra.

       Os tempos são outros, não são de botas cardadas, tão pouco de sólidas alianças entre poder temporal e espiritual, no papel, pela calada dá-se o jeito. Os aplausos aos intendentes do reino numa casa de deus na posse de sua excelência reverendíssima caíram que nem ginjas aos saudosistas situacionistas e puseram muitos titubeantes em sentido. A partir de então sucedem-se reverências e piscares de olhos entre representantes de ambos os poderes, tudo a bem da lei e da grei.

(Ouviram aquele senhor em tom beato a propor a proclamação do estado de emergência?…)

4 – Querem a melhor prova que o país está a recuperar? Cá vai: aqui vivem (?) mais multimilionários do que no ano anterior (870 para ser preciso, 0,009% da população, aumento de 10%), indivíduos com fortunas superiores a 25, mas outros dizem 22, milhões de euros em carteira. Em conjunto totalizam bens superiores a 74 mil milhões de euros, um pouco menos (?) que a importância emprestada a Portugal pelo trio de torcionários a soldo dos forra-gaitas que mandam e desmandam (estratégia perfeitamente enquadrada na constituição da terra).

        Num destes dias o erário público pôs à venda títulos do tesouro ou coisa que o valha com juros pingues. Há muito que só as entidades bancárias e parabancárias daqui e de fora podiam subscrever títulos de dívida pública, o povo comprou até fartar vilanagem aos braçados apara ajudar o país, presume-se. Não está na cara que os multimilionários da casa dariam uma ajudinha e tiravam-nos de sarilhos, caso fossem convocados, às boas está claro?!…

5 – Os funcionários públicos fazem uma greve, convocada pelas 2 centrais que reconhecem ser das mais participadas. Os média referem-se ao evento por frete ou coisa parecida, mas a greve por tempo determinado metia-se pelos olhos dentro. Na guerra dos números, os oficiais terão levado à palma, posto que no dia seguinte só 2 quotidianos de maior nomeada afixam na primeira página uma sumida referência ao evento.

      Nesse mesmo dia disputa-se um dérbi de futebol a prometer emoção a rodos. No dia seguinte os quotidianos de referência sem exceção acolhem grandes parangonas sobre as vicissitudes do jogo logo em primeira página.

     Os pássaros que não voam em bando também não gostam de espantar a passarada a qualquer preço…

6 – Uma sociedade desportiva tem tratado da sua vidinha por conta de perus e frangos, nunca se sabe quando não lhe sai na rifa uma avestruz daquelas que interiorizam a cabeça na areia. Assim fica demonstrado que as atividades agrícolas ou a ela vinculadas estão aí para as curvas, a ajudar à recuperação da economia, pena serem pouco rentáveis…

 

09
Nov13

Cenas do País Tetragonal (XII)

Jorge

    Perguntaram um dia a um senhor uniformizado a quem obedecia ele e ele respondeu sem rebuço que obedecia e defendia com unhas e dentes os interesses e direitos dos seus legítimos superiores. Foram perguntar a um legítimo superior do senhor uniformizado a quem obedecia e ele respondeu sem rebuço que obedecia e defendia com unhas e dentes os legítimos interesses e direitos do governo legitimamente eleito pelo povo. Foram perguntar aos governantes a quem obedeciam e eles responderam sem rebuço que obedeciam e defendiam com unhas e dentes os interesses e os direitos legítimos do povo que os escolhera legitimamente. Foram saber do povo a verdade, se o senhor uniformizado, os superiores do senhor uniformizado ou o governo defendiam com unhas e dentes os seus legítimos interesses e direitos. O povo (de unhas e dentes aparados) disse que sim, que defendiam os interesses dele(s).  

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     Um presidente na sua despedida de 1ª figura da autarquia põe uma medalha ao peito a um amigo do peito. Na sequência viria uma lauta refeição, não há festejo sem um bom naco e uma boa pinga, fora os extras. Até aqui nada de especial, é o trivial na terra e é pena que o iva da restauração não venha cá para baixo e traga os preços com ele, para a gente conviver mais vezes com Baco e Pantagruel. Acontece que o senhor do medalheiro e o senhor medalhado eram compadres, conheciam de ginjeira os meandros da vida social e até enfrentaram a barra de tribunais pelo mesmo motivo, num processo judicial que deu muito brado por causa de um sobiote revestido a ouro naquela terra, mas que deu em nada por falta de escutadores ajuizados. Um peixito ou outro ficou entalado na rede por falta de tarimba, a culpa morre solteira quase sempre, ou não fossem os brandos costumes reis e senhores nestas andanças.

    Saem ambos impantes como quem paira nas nuvens, maila comitiva de bargantes e acompanhantes, quando se cruzam com a mulher de César que ali vinha a despacho. Assim que os topa, dá-se ao descaro de rir a bandeiras despregadas a finória.  

- Peço perdão, as risadas brotaram-me irresistíveis, lá se me borrou a pintura. É que ainda ontem atirei ao lixo umas 3 centenas de medalhas iguaizinhas a essas, latão e pechisbeque (e lá se foi o resto da pintura). Aos circunstantes pareceu que a madama tinha ensandecido.

(Os risos prolongam-se no tempo e no espaço, por isso à foto que registou o recontro foi acrescentado a posteriori um buço à senhora, ora isto não se faz!) 

09
Nov13

Cenas do País Tetragonal (XI)

Jorge

A minha mãe que deus ainda não tem, lagarto lagarto, diz que vamos ter, mais um créne, crena, QREN ou coisa que o valha nos próximos 6 ou 7 anos. Vai chegar ao país uma barrigada de dinheiro, mais de 21 mil milhões de euros, 21 com 9 zeros, uma coisa impressionante. A minha mãe que é de Peva disse-me que os senhores do governo falam bem comós padres, os advogados, os arquitetos, mas a gente não compreende peva e não nos alegram, mas uma coisa se sabe, o país tem de entrar também com 21 euros com 9 zeros (a entrar senhorias a ver como a massa pública vira privada e porquê tanta dívida) e que o bago será usado no apoio a projetos de salvação de pêemeés, PME ou lá que raio é. Para quem acha que se deve resolver em primeiro lugar as primeiras coisas, normal seria que os governantes pegassem naquela pipa de massa e pagassem aos credores anónimos reunidos em sarl e logo se desfazia o molho de brócolos em que o rincão se enterrou até às orelhas. Assunto encerrado, vamos partir para outra, com o caminho desimpedido! As pêmeés esperavam mais uns aninhos pela sorte grande, mas ficavam bem servidas, porque o país crescia em área e em progresso, a malta comprava mais, já não seria preciso cortar nem nas dívidas nem nas receitas, ficava tudo aparado e a bagalhoça não se perdia nos mesmos caminhos ínvios dos rapadores do fundo do tacho dos habituais pardais comedeiros. Se calhar os acredores aprosopos que voluteiam por estas bandas não curtem a cena, mas que parece bem fisgada a proposta lá isso parece (passe a imodéstia).

(Vá lá, as verbas do QREN até podem levar o sumiço do costume, prontos, então deixem usar os dinheirinhos do FSU, querem maior catástrofe que esta?)

 {#emotions_dlg.angel}

    Naquela aldeia perdida no oceano havia umas senhoras e uns senhores que não gostavam de livros. Livros enchiam-se de pó e a limpeza estava em primeiro lugar, que horror as visitas chegarem a casa e verem pó à luz do sol caiam os parentes na lama. Podia lá ser, a honra da casa a honradez da família e o bom nome do sítio dependiam de uma casa limpa, com certeza. Por isso era frequente ver livros nos depósitos do lixo, tivessem sido eles comprados às escâncaras ou às escuras no par de livrarias que se atreviam a tanto. Por causa disso, a polícia dos costumes, sempre à coca e mortinha por atrapalhar o primeiro que não se precavesse, topou uns fieis que julgava infiéis e vice-versa, vindo alguns a sentir na pele as desditas do desterro. No ínterim agentes da benemérita instituição aproveitavam-se do esbulho para porem a leitura em dia.

   Num belo dia um comissário externo alérgico ao pó, visitou a sede e quase morria de espirros expetoração e espasmos, pelo que fica desmascarada a marosca.

  A poeira trazida do deserto pelo suão passou a depositar-se nos vidros das janelas que se tornaram foscos.

 

 

09
Nov13

Ladinices 5

Jorge

- Zé, vai à janela e diz-me que vês.

- Muita gente agarrada a malas de cartão, chefe.

- As minhas são de cabedal, acabadinhas de comprar na avenida da Liberdade, são muito mais práticas, recomendo esta marca a toda a gente, Zé.

- Muitas delas encaminham-se para autocarros, camionetas, furgonetas e carros das mais variadas cilindradas, chefe.

- Distingues algum Porsche no meio da confusão, Zé?

- Por acaso não, só chaços, espere lá, vejo um ou outro de marca topo de gama, mas já nas lonas, chefe.

-Que sirva de lição aos profissionais do escárnio e maldizer que acham que eu deveria dispensar os carrinhos oficiais. Se até o cidadão vulgar tem carro à maneira, queriam que andasse de metro, não?

- A maioria das pessoas segue para a raia, chefe.

- Agora confundiste-me, eles vão almoçar, Zé?

- Não, com sua licença, seguem para a fronteira seca e depois continuam por franças e araganças, chefe.

- Estás a enganar-me e eu a ver-te, então há assim tantos dos meus patrícios nesta altura do ano a fazer férias, Zé?

- Acho que não, vão tentar arranjar trabalho lá fora, decerto que não ignora que batemos os recordes de emigração no ano transato, chefe?

- Os indicadores de recuperação económica em curso são música para os meus ouvidos, a taxa de desemprego baixou, essa coisa da emigração esquece, caso não queiras passar a ser o mais mal pago dos meus assessores, Zé!

- Vão trabalhar para o estrangeiro, à míngua de ocupação por estas bandas, chefe.

- Ouve lá, tento na língua! «À mingua», dizes tu, a tanto de atreves?! Por que ainda estou a saborear o abaixamento do desemprego e a criação de novos e efémeros postos de trabalho, perdoo-te a aleivosia. Às vezes tornas pálido o que brilha e vice-versa, Zé.

- Desculpar-me-á, chefe, retiro o que disse, havia rarefação de postos de trabalho para colaboradores neste país, mas o caso mudou de figura, assim está bem, chefe?

- Aprendes depressa, meu rapaz! Que a rarefação é obra de belzebu, da constituição, está fora de questão, Zé. E dos acólitos e ministrantes de missas negras…

- A emigração é fruto da árvore das imposições dos nossos credores estrangeiros de quem a gente muito gosta e com quem muito gasta. Também é verdade que os nossos conterrâneos gostam de mudar de ares. Felizmente que nos sentimos nas nossas 7 quintas, neste lugar, chefe.

- Estás em forma, meu colaborador preferido. Hoje à tarde tiras folga, almoças com a tua cara-metade no take away da esquina e depois vão ao cinema e até podem entregar-se a devaneios. Nós temos os nossos, como essa ideia de dizer que os sacrifícios foram pedidos e não impostos, enfim….Toma lá 5 euros e não digas que vais daqui, Zé!

- Obrigado, beijo-lhes as mãos, chefe.

(Zé já ia longe, quando ouviu o desabafo do chefe: «Como diria o meu mestre, se estes meus patrícios soubessem o que custa mandar só quereriam ser mandados»)…

 

 

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