Segunda-feira, 16 de Dezembro de 2013

Num curto espaço de 5 meses e picos, o sr Henrique Monteiro escreveu 2 vezes sobre a senhora Ana Avoila, no Expresso online, nada a dizer, nihil obstat. Da primeira vez, após consultas efetuadas na Net, o senhor Henrique descobre que D. Ana milita no PCP, é dirigente sindical de longa data e de escassos cometimentos: durante o seu consulado, os direitos adquiridos definham a olhos vistos, um caso de insucesso invulgar, de que só ela se pode queixar… Provavelmente em desespero de causa, a senhora vira «profissional da contestação» (e não colabora porquê?) «O que faz correr uma pessoa assim?» - perguntava então o sr Monteiro aos seus botões. Pessoalmente, não sabia que a senhora Avoila corria, mas a sugestão que fosse corrida fica.

Mais tarde, o senhor Monteiro topa D. Ana a fazer novamente das dela. O quê concretamente? Um gesto à Enzo Perez, avança um dedo hirto à moda do senhor Steinbrück, arma um gesticulado estilo Manuel Pinho? Não, ei-la que monta uma chinfrineira, com cartazes vermelhos metidos ao barulho (um deles fica do avesso, coisa inestética, por sinal), nas galerias da Assembleia da República, o que deixa um secretário de Estado com os cabelos em pé. Afinal não tinha sido afastada da vida sindical, está ela para ali com um grupo de capangas a protestar, com desrespeito ao chão sagrado que pisa, esta mulher é do piorzinho que se tem visto… Estará a senhora Avoila protegida por um estatuto especial tipo do treinador Jesus, ou tipo do filho-família que o juiz do estado do Texas não condenou, pelo facto dos ricos pais não o terem formado à maneira, dando de barato, ou tipo do sr Jardim que acumula salário e pensão?… Fica perdida uma boa oportunidade de a calar, infringe os regulamentos, teria que ir de cana, não é?

Aqui para nós que ninguém nos ouve, senhor Henrique Monteiro, não andará a senhora Ana Avoila a tramar a tomada do parlamento pela força? Note que ela fez parte de um dos comandos de sindicalistas que ocuparam ministérios, sem que o SIS conseguisse topar! Isto é fascismo puro e duro, que horror!…

Aconteça o que acontecer, continue a escrever, senhor Henrique Monteiro, é motivo para gaudio, caríssimo. E defender a honra do convento é glorioso!



publicado por Jorge às 09:17
Sábado, 14 de Dezembro de 2013

«Acha que me vou pronunciar sobre os que se manifestam, quando estou aqui para me reunir com empresários que exportam e contribuem para 40% do PIB?»

Quem se manifesta pouco colabora na produção, portanto não risca. Quem toma as decisões sobre a produção conta e não se manifesta.

Os verdadeiros salvadores da pátria são estes últimos que fazem tudo por tudo para nos manterem à tona de água, para que não vivamos todos acima das capacidades reais, para que todos tenham direito a uma bucha, que guardado está o bocado…

Ao invés, esses profissionais da confusão, sempre prontos a pedir ao patronato que se assuma na formação de riqueza, vêm depois espantar a caça com as suas bocas soezes, as suas diatribes, as suas diabruras e verrina.

Ainda sou do tempo em que não se falava tão amiúde dos mercados, tal o medo que eles tinham de não porem o pé na poça, pois as hordas reivindicativas andavam por todo o lado. Infelizmente nos últimos 80 anos não se falava abertamente sobre os mercados e a economia como agora se faz abertamente, ou por acinte ou porque as hordas reivindicativas pululavam por aí. Esta, aliás, é uma conquista recente, mas decente! É patriótico e glorioso perceber que toda a gente pode manda bitaites sobre o pib, sobre as taxas, sobre a evolução das ações, etc., sem ser levado de cana ou levar com a moca. Viva a liberdade!

Por isso mesmos os nossos donos externos vão cair em cima das associações benemeritamente sindicantes que julgam ter a faca e o queijo na mão, com todo o peso do seu dinheiro. Esta cambada de calaceiros, esta cáfila de antipatriotas e huguenotes mal se dá conta da gravidade da situação que eles criaram com a satisfação das suas reivindicações, antes aconselhassem os seus associados que vergassem a mola, baixassem a bolinha que a bolina corre de contramaré. Vão mas é trabalhar, que o trabalho dignifica a todos e enrica a poucos, mas é assim que porta a lei natural das coisas, seus malandros!...

(Assim pensou a irredutível personagem, antes de importante reunião com empreendedores, antes de ir vender azeites e vinhos e promover ginásios que anda no Oriente Próximo, produtos de fábula que encurtarão o saldo negativo do erário, com a ajuda de génios locais.)



publicado por Jorge às 11:09
Quarta-feira, 11 de Dezembro de 2013

A senhora deputada da maioria entra no frente-a-frente habitual na tevê, cheia de verve, ao ataque, nitidamente contrafeita com os desacatos empreendidos nas galerias da Assembleia da República. E diz de sua justiça, que a democracia não se compadece com desaforos, uma coisa é não ser negado o direito à manifestação, outra bem diferente é achar que esse direito pode ser exercido da mesma forma em todos os lados e recantos. Há formalidades a cumprir e a desbunda não colhe. O seu colega de debate e de bancada oposta, da minoria e que é favorável às manifes, também não embarca em desmandos, tudo tem o seu lugar, as regras são para ser cumpridas doa a quem doer, quem não entra nos eixos, não entra na dança. A senhora deputada da maioria volta à carga e insinua que ali há gato, possíveis combinações, tratos e acordos secretos entre os frequentadores habituais do senado e manifestantes. Que muita da tralha exibida pelos manifestadores não passaria pelo crivo da polícia, postada à porta que dá acesso às galerias da populaça (esta teoria da conspiração releva de uma outra criada para interpretar a presença de materiais indesejáveis dentro de recintos desportivos, ao que se sabe). O senhor deputado da oposição e o moderador ficam siderados de estupor. Não fosse uma triste notícia de última hora, a dar conta da partida de um vulto da solidariedade internacional e talvez assistíssemos à demonstração que o teletransporte absoluto funciona mesmo…



publicado por Jorge às 18:39
Quarta-feira, 11 de Dezembro de 2013

A senhora presidenta disse que as manifestações de desagrado são legais fora, mas constituem crime público dentro das instalações da Assembleia da República. Muitas outras coisas deveriam ser proibidas e potencialmente indiciadas dentro das mesmas instalações, mas não vêm ao caso. Os senhores agentes da autoridade incarnada pela senhora presidenta que também é doutora de leis cumpriram com desvelo a evacuação das galerias e o incidente – mais um, em pouco espaço de tempo - foi sanado num ai. Então assiste-se a um acontecimento inominável: professores a serem postos no olho da rua, em direto, para vergonha de correligionários (coraram de vergonha até à raiz dos cabelos), para gáudio e mofa de alunos e alunas, bem como assumida perplexidade da opinião pública por este país afora e adentro.

Fica assim provado que a prova da avaliação de conhecimentos e capacidades, PACC para os amigos, se não se destina a afastar, serve mesmo para humilhar…

Já agora, senhora presidenta, que me diz da organização de uma manifestação de desagravo, no mesmo local? Acha que, ainda assim, seria crime público?

 



publicado por Jorge às 18:23
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