Sábado, 15 de Fevereiro de 2014

Dos contornos todos da notícia, recordo apenas alguns; sei que a li, provavelmente há uma década.

Era, aliás, uma pequena notícia, com direito a foto, apesar de tudo. Na foto via-se um senhor, sentado perto de uma cama onde repousava tranquila uma senhora. Do rosto masculino jorrava uma alegria contagiante e (quase) se identificava uma aura de bem-estar em todo o seu perímetro. A senhora olhava terna e sustentadamente para ele, assim me pareceu na altura e ainda se me afigura tal, hoje.

Lembro-me de ter ficado a contemplar o instantâneo extraordinário.

A senhora, vivinha da costa, estava em fase de recuperação (correto?) Saíra de estado de coma, profundo. Enquanto vegetou, sempre contou com a presença ativa e persistente daquele homem, o marido, que lhe prodigalizou todos os desvelos.

Da notícia não retive se esteve internada num hospital, se numa instituição capaz de providenciar assistência similar, se em casa… Talvez nem referisse tal pormenor.

A senhora esteve 25 anos em coma (incrível, não?)

O senhor acompanhou-a durante 25 anos, sem nunca desistir (incrível, não?)

A senhora terá sobrevivido em perfeitas condições? Desconheço.

Este hino maior à vida teve direito a uma pequena notícia, num cantinho de uma revista e foi pena.

Diz o aforismo que a vida é um sono de que a morte nos desperta. Todavia, a ilusão e a sabedoria são os seus encantos…

 



publicado por Jorge às 18:19
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