Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2014

Prós e contras

Milhares e milhares de vítimas, heróis, heroínas e mártires tinha criado aquela guerra. Vai-se a ver e descobre-se que também tinham sido usadas armas químicas para esse efeito. É preciso eliminá-las! Meu dito, meu feito, as armas químicas usadas naquele morticínio tanaz foram para o maneta (as outras vendem-se que nem pãezinhos quentes) e postas a ferros nos fundilhos de um mar por apurar. A continuação das hostilidades promete mais e mais vítimas, heróis, heroínas e mártires.

Tudo vai bem no reino da Dinamarca, portanto!

 

Parecem bandos de pardais…

Aquela foi uma manifestação e peras. Putos com menos de 15 anos a mandar vir com e a crescer para a polícia, só na América Latina. Terá havido mosquitos por cordas, umas cargas policiais de criar-bicho, correspondendo aos arrufos. Putos armados aos cucos, a arremeter contra polícias de choque não é notícia de todos os dias. Que se passou, afinal? Os danadinhos pretendiam convencer o parlamento do país da bondade dos seus propósitos, que deixasse cair uma lei que proibia o acesso de adolescentes de idades inferiores a 15 anos ao mercado de trabalho. Bastaria a aquiescência dos interessados, dada de viva voz ou assinadas por punho próprio (sim sou menor, mas trabalho de livre vontade).

Para bom mestre, o patrono certo…

 

Com a verdade me enganas!

A senhora diretora, mulher dos 4 costados e muito poderosa na cena internacional, adora, por isso mesmo, mandar palpites, deixar uns bitaites a esmo, fazer soundbytes aos molhos e torpedear nas entrelinhas. Do poder instalado tudo se pode esperar, como pôr de trela curta os incautos infratores - individuais ou coletivos -  dos sãos princípios do crescimento e desenvolvimento económicos instalados, uma especialidade que não surpreende nos tempos que correm.

Com toda a autoridade deste mundo e arredores, acaba de afirmar que a crise não acabará, enquanto houver 20 milhões de desempregados.

Então, quantos mais são precisos?

 

Dor de alma

O pastor de almas estava contente, via-se na face e media-se no perfil: as ovelhas do seu aprisco engrossavam a olhos vistos. Em tempos de borrasca procura-se um abrigo, quem lucra é deus. Por falar nisso, lá está o pastor à bica das caixas das esmolas que são inspecionadas com fervor e inopinadamente fica com um grande melão. Os óbolos tinham diminuído a olhos vistos.

Falou sem blandícia aos seus seguidores e disse que quem dá aos pobres a deus ajuda. Que passaria a prescindir do ordenado de pastor e das alcavalas todas, começando pela isenção de impostos, se a caixa das esmolas ficassem atafulhadas naquele dia. Um a um, os crentes, no dealbar do ofício passam ordeiramente pelo sítio das caixas das esmolas que ficam repletas.

O pastor de almas ia caindo para o lado, assim que se dá conta da marosca, as caixas estavam cheias de medalhas. Em má hora tinha falado…

 Com grande cachola ficaram igualmente os larápios que, a horas mortas, se lembraram de assaltar o presbitério.

 

Com essa me lixaste!

Era mais um cidadão candidato militante da causa da ascensão social, fosse a pulso, às custas, ou às costas de outrem. Aos ocupantes dos primeiros degraus, os céus permitem – entre outras tantas benesses – desfrutar de vida estadão, com mulheres capazes de pôr os olhos em bico e dar a volta ao miolo a um gajo, carros à-jogador-de-futebol-no-ativo, casas inteligentes e muita pasta. Teve muito sucesso, em altas elucubrações da bolsa e da banca e nadava em dinheiro. Integrou o restrito Clube dos 85, que só aceita inscrições num máximo de 85 indivíduos, capazes de perfazer, em qualquer momento, a fortuna da metade da humanidade mais vitimizada pela acumulação primitiva. Levou uma vida à grande e à francesa, em abastança, em paz, sossego e ar digno de ser respirado.

No dia em que completava o propósito de se rodear de mulheres de todas as latitudes e de todos os tipos de beleza, lembrou-se que era semíviro.

Tornou-se guarda de harém.



publicado por Jorge às 19:38

Quem vai ao café fá-lo pela bica, pelo pastel de nata ou por um acepipe no género. E também porque gosta de cheiricar e comentar, não há café sem cavaqueira, que se quer amena. As conversas dos cafés são tomadas por ligeiras e brejeiras, mas de facto são corriqueiras, para elas aflui a realidade.

Vejam lá que se debatia as últimas condições meteorológicas, sim o tempo, opinava-se sobre as causas do súbito destrambelho das nuvens, com o aquecimento global a vir ao barulho e a poluição a talhe de foice. Tretas, diziam uns, conversa de chacha, opinavam outros, se ainda fosse um arrefecimento global... 

Faz-se então ouvir a custo uma vozinha de capuchinho encarnado que se atreve a defender o princípio do utilizador-pagador. Falou como quem não quer a coisa, a donzela recatada, tomada de imprevista impância. Desabafou e depois corou.

A tirada donzelesca foi tida por atávica pelo cavalheiro de fino recorte que postava no centro do estabelecimento comercial, tido por ser portador de sangue pouco dado a fervências. Daquela feita, estalou-se-lhe o verniz e foi taxativo: isso que a menina propõe não tem pés nem cabeça, no quadro atual de referência; provavelmente andará a sonhar com ladrões, porque quer que a assaltem, ou então ouve vozes, a minha não!

Entredentes terá terminado o raspanete com um concelho paternalista «passa-fora, ó croia!» Ora passem muito bem… E foi à vida!

A moça atravessou o passeio e foi tomar a primeira bica no novel café da vizinhança, uma marca dos novos ares do empreendedorismo que enformavam as paisagens. Foi vista a falar com os seus botões.

(Não estará abolida a expressão «ouvir vozes» dos cardápios das boas maneiras, destinada a quem quer que seja, na rua ou na magna assembleia da santa terrinha? Alternativamente estará já espalhada a ideia que ouvir vozes nem sempre é sinal de psicose…)

 



publicado por Jorge às 16:50
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