Sexta-feira, 07 de Fevereiro de 2014

Só há um ridículo  no planeta -  o homem  que não tem dinheiro – Camilo Castelo Branco

 

Anda a decorrer por aí o concurso Ideias de Origem Portuguesa.

Fonte segura garante que o governo do país não apresentou a ideia da Fatura da Sorte (FS), senão o prémio já estava no papo. São pormenores destes que dão grandeza…

Essa ideia foi inscrita no OE2014 e é uma delícia.

Essa ideia foi inscrita na agenda do conselho de ministros, porque de uma delícia se trata. Passará a constar no Guiness Book of Records, foi a primeira vez, em todo o mundo…

À FS antevê-se mais sucesso que às promessas eleitorais do nosso-primeiro, à PACC, à Tv rural, às conferências de imprensa governamentais on e off, ao leilão das pinturas do senhor Miró e à redução do défice das contas públicas, p.ex.

Longe vá o agoiro e a atoarda que este governo não acerta uma. Mesmo que, por hipótese remota, tal fosse verdade, a prova provada do contrário aqui está: oferece, com generosidade e sem despeito, a hipótese de alguém acertar… no número da sorte.

A FS guinda a política ao clímax, é um golo como nunca visto (grande galo seria se não cobrar dividendos). De vistas largas, como a tirada daquele ex-ministro, entretanto caído em desgraça junto da opinião pública - que não junto dos poderes montados -, quando relacionou a má performance da economia com as cataduras da chuva e do mau tempo.

Aqui se deixa umas dicas para publicitar o evento: «Compre à fartazana e ganhe sem derrama!»; «Compre e peça fatura, ou lá em casa ninguém o atura»; «Um carro de gama média-alta dá jeito na hora de pagar impostos; «Esqueça o corte, tente a sua sorte, mas não se descuide com os cupões»…

Tá na cara que a ideia será copiada por governos regionais, municípios e freguesias. Aí o respeitinho pelas hierarquias aconselha que a sorteio possam ir carros de gama mais baixa, também lambretas, motas, triciclos, biclas, trotinetes ou patins. E por que não rifas com lotes de semanas de 35 horas de trabalho, de anulação de cortes nos salários e/ou pensões, de anos de isenção do IRS, de anos de isenção da CES, de deslocações gratuitas ao tribunal mais próximo, de helicópteros de combates a incêndios, por que não?!  

O governo afirma pretender que "do conjunto das medidas recentemente adotadas no sentido do reforço do combate à economia paralela e à evasão fiscal resulte um aumento importante da equidade fiscal, alargando a base tributável de forma a criar as condições necessárias a um futuro desagravamento da fiscalidade".

Não dá para entender, mas parece que a coisa poderá funcionar como panaceia da economia paralela e até da corrupção, âmbito em que o governo tem revelado resiliência a dar-com-um-pau, assim vai longe. Pode ir aí mais longe e prever a retoma da economia sã e dos mercados internos.

Porém, este desígnio nacional emperra por defeito. Um carro de cada vez, mais uns extras?! Quinhão pífio face à vasteza do mercado de potenciais interessados. Minhas senhoras e meus senhores, não sejam cafuinhas! Vá lá, tratem, em primeiro lugar, do concurso público ou privado para decidir a marca de automóveis a sortear, até pode acontecer que a empresa sortuda ofereça mais carripanas.

De caminho, encaminhem rapidamente as conversações com a tevê que vai transmitir o sorteio. Daqui me atrevo a sugerir que a tômbola possa girar a meio de um grande espetáculo de variedades, apresentado pelo nosso-primeiro e pela ministra das finanças (ou por quem faça as vezes deles), do género que comporta música de fazer-meninos, quermesse, atuação de ranchos folclóricos das casas do povo, de fadistas marialvas à desgarrada, com muitas estórias de vida a pagar, récitas de agremiações e confrarias, marchas-ó-filambó, muita magia e circo ambulante, com palhaços de partir o coco a rir. Não podem faltar os beijinhos da praxe.

As tevês, nos serões para trabalhadores, passariam a sortear fardos de bacalhau, toneis de azeite, sacas de batatas e de arroz carolino e cartolas de tinto, branco, verdelho, generoso e clarete, carros não, que fica mal a compita, mas prémios monetários sim.

(No dia de estreia do sorteio, poderia ser exibido o filme «A grande farra»?)

A coisa arranca em abril. Será a 25? Eu acho que, por exemplo, o Salgueiro Maia (paz à sua alma) era menino para engendrar uma destas…

Os governos dos países que estão na crista da onda estão a mandar observadores, para se inteirarem de todos os pormenores. Temem ser ultrapassados em crescimento e desenvolvimento económicos por esta nação de gente esforçada, generosa e «cool», com medidas desta jaez dum governo sem paralelo (a pequena história recordará este como o governo FS)…

Também se sabe que, por conta da inovação excecional da medida proposta, há empresários estrangeiros a fazer bicha para comprar o gold card (alguns são realizadores famosos de reality shows, standby comedy e filmes negros).

Muitos emigrantes pensam retornar, assim que acabem de pagar as despesas com a partida do solo pátrio, tal a vergonha que passam lá fora.

 

 

PS1 – Se não têm, comprem um computador, senão como estar atento aos cupões e ao prémio?

PS2 - As linhas vermelhas foram cruzadas, as demissões irrevogáveis deram em continuidade, o varejo de funcionários públicos e pensionistas não tem fim à vista. Depois, isto?!!!

PS3 – Os 3 éfes da velha senhora recuperam a olhos vistos…

PS4 – Parece que as empresas interessadas em jogos online se queixam de concorrência desleal. Providência cautelar em perspetiva?

PS5 – Ao que parece, estará já a ser congeminada no segredo dos gabinetes um campeonato de sueca e outro da malha.

PS6 – Julgava-se imbatível a ideia peregrina dos jotinhas-cds de voltar atrás com o ensino obrigatório, afinal…



publicado por Jorge às 13:10
Terça-feira, 04 de Fevereiro de 2014

(Por consideração a todos nós)

Assim rezava um excerto de uma notícia que andou por aí não vai com muito tempo:

 

«O  ar que respiramos tornou-se poluído com uma mistura de substâncias causadoras de cancro. Sabemos hoje que a poluição é não só um risco importante para a saúde em geral como também uma das principais causas das mortes por cancro", afirmou Kurt Straif, do Centro Internacional para a Investigação do Cancro (IARC), uma agência especializada da Organização Mundial de Saúde (OMS), numa conferência de imprensa em Genebra.

Os peritos da IARC concluíram que "há provas suficientes" de que "a exposição à poluição do ar provoca cancro do pulmão" e aumenta "o risco de cancro da bexiga", depois de analisarem estudos envolvendo milhares de pessoas acompanhadas durante várias décadas.

Embora a composição da poluição e os níveis de exposição variem acentuadamente entre diferentes locais, a agência afirma que esta classificação se aplica "a todas as regiões do mundo".

A poluição do ar já era cientificamente considerada como causa de doenças respiratórias e cardiovasculares.

A agência refere que os níveis de exposição à poluição aumentaram significativamente em algumas zonas do mundo, principalmente aquelas que se estão a industrializar rapidamente e têm grandes populações.»

 

Sem alarmismos, mas as cidades estão em ponto de mira,  mesmo que as fábricas escasseiem…

 



publicado por Jorge às 17:29
Terça-feira, 04 de Fevereiro de 2014

Zaranza

Um ancião disse que um herói que virou mito e lenda gostava de homenagear Baco, pelas manhãs e tardes todas. O ancião acabava de violar a norma que impõe o uso de paninhos quentes, quando nos pronunciamos sobre figuras míticas, mitológicas, mítico-religiosas, com direito a panteão. Sobrevieram homenagens de desagravo múltiplas. O ancião recolheu à travessa do Fala-Só, onde clínico abalizado lhe descobriu pedra no sapato. Terá que evitar idas à beira-mar, ou tribunas muito frequentadas.

 

Manobra de diversão

Constou junto de certos média (nada tinham a ver com o assunto) que os mais renomados opositores aos cortes de pensões eram eles próprios reformados. Fica-lhes mal ser juiz em causa própria, em época de nojo… Um voyeur que confessou ter sido antes paparazzo montou o estaminé de observação perto de uma caixa multibanco onde sabia que, no dia x de cada mês, um desses criticastros ia pôr as mãos na massa. Vindo da prestação de prova de vida, o criticista cumpre o ritual e logo dirige os seus passos à livraria mais próxima (olá, aqui há gato!), onde foi visto a adquirir livros de oferta, até ao último cêntimo da pensão. E foi um ver-se-te-avias, por parte de certos média (que dantes não eram tidos nem achados no assunto), no encalço do criticador, a ver quem seria o primeiro a avença-lo.

 

Macanjo

 Era moço novo, mas costumava defender a máxima que antigamente é que era bom. Tanto bastou para que o vissem como seguidor acérrimo de velhos preceitos, de velhas sebentas e de doutrinas retro, um apaniguado da outra senhora, tout court. O moço cresceu em estatura física, a moral e a intelectual não chegaram ficaram a milhas, paciência, não se pode ter tudo na vida. Fez-se moço de fretes, marçano e paquete e foi um pau! Em dia de festa rija, quando praticava paraquedismo, estatelou-se sobre o prédio que alberga a presidência da junta, vindo a malhar com os ossos e mais tarde a alapar-se no cadeirão do presidente. Tem sido o cabo dos trabalhos para tirá-lo de lá.

 

Pano para mangas

Era dia de greve e aquela senhora estava inconformada com o facto de não poder valer-se do passe social. Quem quer fazer greve que a faça, cada um sabe de si, mas vão chatear lá os chefes e patrões deles e que nos deixem em paz. O meu patrão é bem capaz de fazer descontos pelo atraso, na pior das hipóteses sou acusada de desadaptada à missão a cumprir no posto e acabo na reforma com 2 tostões de mel coado. Não lhe posso dar esse gozo e não estou ainda para aí voltada, tenho família a sustentar. Merecem ser repensadas estas paralisações, são sempre os mesmos e tantas as vezes que os grevistas estão a pedi-las. Pago pelo transporte e vejo-me metida em assados, não pode ser. Nisto, um curioso que cocava a entrevista que a senhora dava a um canal de rádio, perguntou por perguntar se a entidade patronal dos grevistas estaria a cumprir com as démarches que lhe estão acometidas, nestas circunstâncias. Viola no saco, que se acabou a conversa...

 

Preservação sistémica

Todos os dias, aqui e em largas partes do mundo, são atirados a enxaguões, montureiras e aterros sanitários, toneladas incalculadas de alimentos, como peixe, por exemplo. Se não obedecem aos normativos da comercialização e das capturas, fora! Todos os dias se perdem nas cantinas de escolas e nos restaurantes um número incalculável de refeições que correspondem a muitas toneladas de alimentos. E ninguém acode a semelhante desperdício. Em equipa que joga bem não se mexe…

 

 



publicado por Jorge às 17:07
Domingo, 02 de Fevereiro de 2014

O nosso-primeiro demonstra, por palavras, atos e obras que tem topete para fazer suar o topete a muitos. Os senhores ministros e as senhoras ministras manifestam, por obras, palavras e atos, que têm o mesmo topete para fazer suar o topete a muitos, a exemplo do nosso-primeiro. As senhoras deputadas e os senhores deputados da cor da governamentação mostram por atos, obras e palavras que têm idêntico topete para fazer suar o topete a muitos, a exemplo do nosso-primeiro e dos senhores e das senhoras ministras.

O nosso-primeiro comprou uma coleção especial de tomahawks. As senhoras ministras e os senhores ministros compraram coleções especiais de tomahawks, iguaizinhas à do nosso-primeiro. Os senhores deputados e as senhoras deputadas do matiz da atual governança compraram coleções especiais de tomahawks, iguaizinhas às do nosso-primeiro e às das senhoras ministras e senhores ministros.

O nosso-primeiro foi aos mercados internos e externos e pôs-se a vender escalpes. As senhoras ministras e os senhores ministros foram aos mercados internos e externos e puseram-se a vender escalpes, de braço dado com o nosso-primeiro. As senhoras deputadas e os senhores deputados da aparência de governabilidade foram aos mercados internos e externos e puseram-se a vender escalpes, de braço dado com o nosso-primeiro e com as senhoras ministras e os senhores ministros.

(Cá dentro todos eles e todas elas prometeram a todos os cidadãos e cidadãs que enterrariam, no regresso o machado de guerra.)

Na volta o nosso-primeiro manda distribuir chinós.

Na volta os senhores ministros e as senhoras ministras mandam distribuir bonés.

Na volta as senhoras deputadas e os senhores deputados do arco (e balão) dos atuais arranjinhos governamentais mandam distribuir barretes.

(40 anos tomou a travessia do deserto ao povo eleito.)

 

 



publicado por Jorge às 12:01
Domingo, 02 de Fevereiro de 2014

Há uma geração de estudantes do superior deste país (não isenta de atitudes néscias e desmandos) à qual foram permitidas práticas académicas insipidamente dignas (estilo queima-das-fitas), a par de outras, menos toleradas, as quais buliram com a paz podre do regime da outra senhora.

Há memória da ousadia de ações na praça pública levadas a cabo por associações e estudantes (veja-se as crises académicas de 1962 e 1969), em prol dos direitos dos estudantes e da população em geral, as quais não calaram fundo à mesma velha senhora.

Nesse tempo, (também de capa e batina), a essas ações, estava reservado um de dois destinos: ou cediam à nascença, de morte matada, ou feneciam de morta macaca. 

Em tempos atuais mais liberais, mais hedonistas porventura, com progenitores mais mimados, os estudos dos rebentos são forçosamente acompanhados de saborosas tranches de diversão, de forma a obviar queixas de almas jovens censuradas.

Quanto a laurear a pevide, muitas são as opções, das quais retenho três: primeira, convívio franco; segunda, noitadas, com copos, rock and roll, sexo e adjuvantes; terceira, praxes.

O pessoal teso (desta massa se curtem os gladiadores vencedores) grama à brava emoções fortes e dá preferência a cenas conotadas com militarismo serôdio e medievo, com uns pozinhos de militantismo deletério, a evocar uma qualquer revolução cultural.

Que é para mostrar à malta nova os cantos da academia e a vida lá fora, pois claro, por isso recorre-se à farronca e à estroinice, atributos exigidos cada vez mais a quem pretende dirigir a banda e não vê-la passar.

O fado é que induca e o vinho é que instrói, hic!

Atualmente há muitos ex-caloiros e ex-caloiras orgulhoso(a)s das praxes académicas, que o(a)s preparou para a vida, mais que a família, o credo, os amigos, a militância nas claques, nos grupos informais de bullying…

Nos tempos atuais, isto é política e por falar nisso faz-se muita política dentro de faculdade e institutos. É lá que os jotinhas ganham viço e estaleca nas associações de estudantes, nas comissões abertas de festas disto-e-daquilo, nos comités maçónicos das praxes e mais não digo.

Malta do superior, que tal uma mudança de práxis? Podiam dedicar-se às tunas, ao teatro, à rádio, por exemplo.

Caso daí não retirem a satisfação ambicionada, resta a alternativa da pesca (já foi pior, já!)...

 

 {#emotions_dlg.evil}

 



publicado por Jorge às 10:40
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