Quarta-feira, 16 de Julho de 2014

«O BES está de boa saúde e recomenda-se.»

O GES está mal e o BES não, está são que nem pero acabado de colher. Palavra da comissão de trabalhadores, não levem a mal. O problema é que GES e BES defendem o mesmo emblema...

 

 «Família Espírito Santo equaciona entrada do Estado venezuelano para salvar GES.»

A sabedoria do povo avisa, sibilina, que pão duro é melhor que figo maduro.

 

«Há cada vez mais grávidas, bebés, crianças e idosos a passar fome.»

Dizia o inteligente que dantes era assim, embora mais disfarçado. Que isto também se deve a «tempos difíceis». Criados por obra e graça do espírito santo, de verdade?

 

«Portugal teve a taxa de natalidade mais baixa da EU (em 2013).»

O amor ao país falou mais alto…

 

«Pais, crianças e professores da Guarda pedem manutenção de escolas»

O sr. Crato disse que ia empenhar-se para que a manutenção não falhe, a partir do fecho…

 

«Nenhum PM pode pretender que o país seja um estado de servidão fiscal»

Nada se compara à primitiva…

 

«Cheiro de pum pode ajudar no tratamento de cancro.»

Esta é a prova provada que peido não mata ninguém…

 

«Atribuição da bola de ouro a Messi é injusta.»

A glória é, para o virtuoso, o que a sombra é para o corpo… Os outros não te fazem sombra, rapaz! Os investimentos têm de ser protegidos...

 

«A morte esqueceu-se de mim»

Diz indiano com 122 anos e a quem já foi atribuída a idade de 179 anos. Deixe-se lá estar assim, homem de deus, que é exemplo a seguir…

 

«Tribunal indiano suspende  pena de morte para acusados de violação coletiva.»

Querem ver que se provou que os réus antecessores eram de casta alta?!…

 



publicado por Jorge às 08:40
Sábado, 12 de Julho de 2014

 

O país devia uma data de papel a meio mundo. Descobriu-se isso, quando os herdeiros dos credores encontraram livros de fiados do fundo do baú. Uma catrefada deles… Aí o xerife decide que todos os íncolas devem pagar, com língua de palmo.

 

Diziam manifestantes:

- Não pagamos! Não pagamos!

- Calem-me esses gajos! O seu a seu dono, pagamos e não se fala mais no assunto! Comeu, pagou! – Estuporava o xerife e seus ajudantes incondicionais.

(As taxas de juro – tadinhas! - são muito sensíveis, quando expostas aos vírus disseminados por iconoclastas.)

Diziam especialistas:

- Pagamos tudo, com revisão! Pagamos tudo, com revisão!

- Calem-me lá essa gajada! Estudaram tanto, que não percebem nada do assunto. Armados em filantropos, vivem à grande e à francesa, mas assobiam às canelas dos protetores!… Abrenuncio, satanás! – Arrepelavam-se o xerife e os seus ajudantes beguinos.

(É que os nossos admiráveis credores – uns quiduchos! - de quem somos os dignos representantes, são muito sensíveis e não queremos que lhes chegue a mostarda ao nariz, a bem das taxas dos juros dos empréstimos que já estão suficientemente crescidinhas…)

Diziam hereges:

- Pagamos, com perdão! Pagamos, com perdão!

- Calem-me esses tipos! Perdão só no confessionário, no tribunal, ou nas finanças, qual quê! Pagamos tudo e não bufamos, fazemos das tripas coração, até apostamos na economia paralela, mas pagamos! – Clamaram o xerife e seus ajudantes ensoissados.                                              

(É que os mercados não dormem – à imagem dos omnipotentes! –, não querem ouvir desculpas de mau pagador, é pegar, pagar ou largar. Quem honras faz, cortesias merece!)

A seca continua

 

(Água… e trabalho!) 

Dizia um banqueiro (DDT, para os amigos):

- O meu banco por um cavalo!

- Qual quê, amigo, nada arreceeis, nem tanto ao mar, nem tanto à terra! Que se lixe os juros da dívida, que se lixe os pruridos dos mercados e que se lixe Wall Street, que os amigos são para as ocasiões! A gente até saca mais uns milhões aos saloios, se for caso disso.… A lebre é de quem a levante, o coelho de quem o mata e não se fala mais no assunto – Trejuraram pelas barbas do profeta o xerife e seus acólitos policitantes.

(É que a dança – das cadeiras e a macabra - tinha de prosseguir.)

Idólatra


O governo oferece a Constituição (e o mais que for necessário) aos mercados.



publicado por Jorge às 10:50
Quarta-feira, 09 de Julho de 2014

«5 minutos de estória»,  de Xico Braga

Livro, quando te fecho, abro a vida.

Pablo Neruda

 

Sigam-me ao longo de 6 estórias (de 20). Depois digam-me se não gostariam de ter captado a centelha que nelas perpassa.

1

O meu livro favorito

Estava o escritor a laurear a pevide, frente à Baía, quando, perante ele, se materializou uma menina curiosa. Olhei e deslumbrei-me com o sorriso que enchia a cara toda da menina...Vai daí, a infanta quis conhecer o livro favorito do autor que se viu à rasca, como qualquer adulto, perante perguntas inocentes, quantas vezes! Desconcertantes. Há os livros que são grandes criações artísticas, sublimes obras literárias; há os livros que respondem às nossas dúvidas e incertezas; há aqueles que nos causam outras dúvidas e que abalam as nossas convicções… Ora, adeus minhas encomendas! O autor passa no teste, à rasquinha…

2

A minhoca preguiçosa

Era minhoca amiga do seu amigo, simpática, com sentido de humor, para além do resto, mas tinha uma conceção pessoal do cumprimento das tarefas, era mais dada a vagares. À pala disso, um dia, apanhou um valente escaldão, quando veio à superfície do solo e não se apressou a penetrá-lo azinha. Amachucada, recebeu a visita da líder, a saber se estava melhor. A chefe não a ameaçou com a ostracização, limitou-se a olhá-la com aquele seu ar muito sério a impor respeito, mas a abraçá-la de bondade. Como não haveria de melhorar?

3

A biqueira do sapato

A biqueira era luzidia, esplendorosa, arrogante. Estava-se nas tintas para a sola, o calcanhar e mesmo para os atacadores, com os quais refilava, caso se atrevessem a incomodá-la. Rompia o ar com uma prosápia de pavão conquistador e resplandecia em cada tomada de raio de luz que conseguisse apanhar diretamente sobre si.» Em dia de temporal a chuva foi tanta que arrastou consigo pelas ruas e passeios uma quantidade inusitada de terra arrancada dos montes distantes. Ficou lixada com a lama que atingiu o sapato todo e aí mudou. Hoje a biqueira abre o caminho, mas vai narrando tudo o que vê às outras partes do sapato. É que nada, nem ninguém é uma ilha.

4

O passo largo

O amigo Alberto esfalfava-se, mas não conseguia acompanhar a passada do autor, a caminho da estação do comboio. A coisa já vinha de infância, eles e outros amigos competiam por serem os primeiros a chegar à escola (tempos estranhos!) A professora fingia-se zangada, do que ela tinha mesmo medo, era que nos aleijássemos. E as culpas sobravam para o autor, dono de pernas de passos longos, à época. Chegam à estação, onde desembarcaram os netos que largaram à desfilada até casa. «Andem mais devagar, rapazes!» - reivindica o autor. O amigo Alberto soltou uma gargalhada cristalina, só merecia.

5

O Largo do Paço

Grandes malucos, os putos; à falta de consolas, computador, televisor, ipods e ipads, punham-se a criar cavalos ilusórios. Preparámos uma nova colheita de magníficos corcéis – puros-sangue, nascidos das canas que fomos cortar no canavial da ribeira -, caprichámos nos ornamentos feitos com tiras de jornais e uma outra folha colorida. Assim mesmo! Depois, com pompa e circunstância dirigiam-se ao Largo do Paço, em frente à casa que, no passado fora do rei, para a cerimónia de investidura, à laia dos Cavaleiros da Távola Redonda. O Artur fez de rei Artur, sabendo os outros que ele não podia montar a cavalo, pois a sua poliomielite obrigava-o às muletas. E convidaram irmãs e amigas, a assistir. Entrámos no Largo a cavalgar, dois a dois. Fizemos salamaleques de imitação e desmontámos, júbilo no rosto e espada à cinta. A coisa estava a correr bem, até ao desfile. O Manel alembra-se de puxar da espade dele, e lá vem a algaraviada da praxe. Atentas, as mães acodem e aí nada a fazer, recolheram-se as montadas à cavalariça. A imaginação é a grande força a que geralmente a sociedade não dá importância suficiente. A criançada solidária, sim!

6

O  pombo apaixonado

Os pombos e as pombas, as rolas e os rolas arrulham, independentemente de se sentirem apaixonados ou não. Aquele era um pombo apaixonado que se pendurava no ramo duma árvore, fronteira à gaiola de rolas dos novos vizinhos do segundo andar direito. Ficava ali pasmado, horas a fio, a arrulhar. Até se esquecia de ir fazer as necessidades a outro sítio, por isso arriava o calhau que se acomodava sistematicamente num vidro do carro de um amigo do autor. «Todos os dias, caramba! É demais!» Nada que um pouco de água de garrafa, mantida na bagageira do carro não retirasse, mas era chato! Quando o vai a enxotar, o bicho saiu-se com esta: Nunca estiveste apaixonado? Que sim, mas o bicho falou?!… E as cagadelas sucessivas?, questão arrumada!… Respeitoso, saiu da varanda, fechou a porta da cozinha e encheu nova garrafa com água, para de manhã a levar para o carro. E nem uma só vez pensou em procurar outro lugar de estimação para parcar o popó.

 

Portanto, pais, avós e indivíduos em geral, da classe alta, média ou baixa, peçam à meninada que se atire ao livro; já agora, façam-se convidados e entrem na dança. Eu deixei-me levar pela sua prosa poetizada que prende à vida.

 



publicado por Jorge às 16:47
Quarta-feira, 09 de Julho de 2014

. A ministra do interior preside a congresso internacional sobre o recurso à morigeração no uso das armas de fogo, aquando da perseguição a amostriqueiros encartados. Vem afogueada, da briga havida, à saída. Aguardada por numerosos jornalistas e curiosos, confessa que tudo dissera lá dentro e que não lhe sobrava mais fôlego, nem palavras. Instada, por um árdego repórter, acerca de cortes no orçamento, fala pelos cotovelos, até que os jornalistas desistem, de cansaço. A dama dirige os seus passos ao restaurante de 5 estrelas mais próximo, a recobrar energias em manso almoço.

. O ministro do exterior coordena conferência internacional sobre a importância de blandícia e afagos nas relações diplomáticas trilaterais. Surge desolhado, da briga havida, à saída. Tenta driblar os repórteres que lhe saem na rifa e em cima, porque sentia ter dito tudo lá dentro, pelo que não lhe sobram termos, nem alento para adir mais qualquer coisita. Instada por uma fogosa repórter, acerca de cortes orçamentais, fala até mais não. Uma vez caídos de extenuação os jornalistas, o cavalheiro, fresco que nem alface, põe-se a caminho do restaurativo de melhor fama e proveito das redondezas, a recobrara recompor forças e a retocar a aura.

. O ministro das finanças co-preside a convenção sobre a importância da boa disposição no estabelecimento de negócios com países emergentes, ou de low profile. O homem emerge, feito num molho de brócolos e derreado, por conta da valentia das perspetivas antagónicas que tivera de aturar, à saída. Escusa-se a fazer mais comentários, pois tudo dissera lá dentro, fossem lá saber. Perguntado por uma fogosa repórter, acerca dos cortes do orçamento, perora até à lancha encostar. Os jornalistas desistem, por quebranto; pelo contrário sexa, remoçado, abana-se todo em direção à boutique gourmet que servia bufê ao almoço e que ficava ali a 2 passos perdidos.

. O ministro da economia intervém em colóquio sobre a indexação da candonga, da prostituição e da ganza ao PIB, em nações civilizadas e outras que nem por isso. Bom, o senhor, está com ar de defunto, de gato-pingado e de agarrado até, por conta da catilinária com que havia arrostado, à saída. É manifesta a sua vontade em não fazer mais comentários, porque se lhe esgotara a eticidade e a palavrada lá dentro. Assediado por uma codiciosa repórter, acerca dos cortes do orçamento, disserta até mais não. Quando, esmifrados, os repórteres repousam microfones, cadernos, canetas e gravadores, o dignatário, leve qual passarinho saído da gaiola, deserta a caminho do restaurante dietético mais próximo, a dar avio a bravio almoço.

(A mentira dá o almoço, que não o jantar.)

 - Chatice, parece que me cortei!

          - Mas seguiste o memorando à letra…



publicado por Jorge às 11:35
Quarta-feira, 09 de Julho de 2014

O grande problema da seleção de futebol representativa do Brasil contra a Alemanha, na competição mundial de seleções nacionais, em 2014, residiu na desproporção na ficha técnica: 

Repare-se no «onze» inicial, do último jogo:

Julinho, Maiconzinho, Dantinho, David Luizinho, Marcelinho, Luiz Gustavinho, Paulinho, Hulkinho, Oscarzinho, Bernardinho e Fredinho.

Treinador: Filipão.

Deu bota, pois está claro!

 



publicado por Jorge às 10:00
mais sobre mim
Julho 2014
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11

13
14
15
17
18
19

20
21
22
23
24
25
26

27
28
29
30
31


pesquisar neste blog
 
subscrever feeds
blogs SAPO