Sábado, 27 de Setembro de 2014

(Sobre os acontecimentos vividos no último «Debate Quinzenal» - que mais pareceu uma «Conversa em Família» - e factos subsequentes.)

 

 

Ao senhor Bonzinho não chega doar a camisa, dá as calças, os polos, as calças, as botas e até as trusses por uma boa causa. De uma vez ficou em pêlo.

O senhor Bonzinho gosta de colaborar na recuperação do património, na manutenção das reservas, na recuperação das florestas, no apoio aos sem-abrigo e na salvação das almas danadas e correlatos. É homem de causas.

Ao senhor Bonzinho basta uma palavra só, um credo só, uma ideologia só, uma cara só e uma casa só. Não leva uma vida de estadão e é mais de arriscar em rifas, em raspadinhas e no euromilhões.  É remediado.

O senhor Bonzinho continua a sobreviver com um só ordenado que é destilado do suor do seu rosto e paga sempre as faturas comunicadas eletronicamente. Ele sabe avaliar quanto custa a vida.  

Tirante isso, ao senhor Bonzinho deu jeito uns subsídios que se puseram a jeito de compor o seu remendado pé-de-meia.

O senhor Bonzinho não vai à bola com quem se faz ao bife a retribuições, avenças, prémios, gorjetas, gratificações e outras alcavalas: gosta de oneguês que, coitadinhas, passam o tempo a lutar pelo paz, pelo pão e pela liberdade, pelo mundo fora. Faz o bem, não olhes a quem…

Ao senhor Bonzinho já tinha cabido a suprema dita de cirandar mundo fora, ao serviço de uma oneguê que inclui no seu cardápio a implementação de universidades e a abertura de portas a oportunidades novas. Vai daí chegou a reunir muito, mas só nos fins de tarde, nos fins-de-semana ou pela madrugada dentro. A lei obriga e ele é um seu devoto servidor.

O senhor Bonzinho adorava (ainda adora) reunir em Bruxelas, cidade que tem umas couves de trás da orelha; delambia-se a fazer as honras ao pitéu. Só cobrava (já não) o que gastava. Está aqui uma faturazinha de 1000 - com o nº de contribuinte e tudo -, passem para cá 1000 e até à próxima, se não for antes… Aqui me vou e contem sempre comigo!

Ao senhor Bonzinho faz espécie que se ponha familiares a abrir contas e empresas em benefício dos mandantes. Sempre detestou sessões de strip tease de contas por serem do mais rasca que há. Então, quando lhe falam na violação da exclusividade, passa-se dos carretos. Quando lhe falam em levantar o sigilo bancário, ele amanda-se ao ar, isso é segredo de confissão. Que o façam outros, até que nem é mal pensado…

O senhor Bonzinho abomina falsas declarações de impostos, nunca foge ao cumprimento das suas obrigações. Agora, se não é obrigado a declarar as gorjetas às finanças (por acaso, uma situação a rever), não se arma aos cágados. «Não sou mais nem menos que os outros…» - acrescenta.

(Eu seja ceguinho, se fugi aos impostos, já pedi que a procuradoria analisasse, porque ando com falta de memória e a tomar centrum.)

Quando era menino, ao senhor Bonzinho ocorreu soltar uma mentirinha para arranjar a vida. Levou semelhante pantufada de um seu superior, que ficou a ver estrelas, durante 20 horas seguidas. Nesse dia só lhe foi permitido comer salsichas – lembram-se bem os amigos de gebreira. Nem pão, nem água, nada!

Anteontem alguém notou que do corpo do senhor Bonzinho se desprendia um halo de santidade e emanava uma aura de beatitude. «Temos entre nós, um bem-aventurado!» - diz uma chusma de seguidores a quem ele abona e não abandona.

Aberto um peditório nacional online, ficou comprado, em tempo recorde um andor e um altar, onde se espera que o senhor Bonzinho venha alternar. Contam lavar-lhe os pés, depositar flores e acender velas, todos os dias.

(Uns maus de antanho diziam que «em santo de carne, pau nele». Nem tanto ao mar, nem tanto à terra!)

A felicidade suprema tem o seu custo

 

- De certeza que não posso entrar com isto? Aqui está o seu quinhão das despesas de representação…

     - Para que estava eu guardado!...



publicado por Jorge às 11:55
Sábado, 27 de Setembro de 2014

[Um contributo avisado para a contenção da burocracia e da despesa(?)]

 

Se não gosta de alguma coisa, mude-a; se não consegue mudá-la, mude a forma como pensa sobre ela.

Mary Engelbreit

 

Em repartições pode dar-se o caso de haver procura desmesurada e funcionários demasiado atarefados. Ninguém gosta, por conta do estresse que tem - até ver - mais defeitos que virtudes.

Estar numa bicha, a despachar papelada e a alinhar com a burocracia, é tempo retirado à produção. Em tempos de tem-te-não-caias-ó-economia, é para lamentar ainda mais.

(Se for numa loja já se engole melhor as fiadas, aquilo não é de todos.)

In illo tempore, em terras de Nascente, as filas estiveram na moda, hoje nem por isso. Elas terão contribuído para que a desgraça batesse às portas de famílias, do país, até ao debacle final.

Quem anda na linha gosta de ser atendido na repartição, na hora, caso contrário pode haver mau tempo no canal, também na hora. E na loja não se exige, mas gosta-se assim.

Um país arrumado não tem filas sistémicas, nem primeiras, nem segundas.

As pessoas que sofrem comprovadamente de anatidaefobia, de escopofobia, xerofobia, ou mesmo de eremofobia não suportam a angústia de estar em filas.  

As pessoas que dão muito valor ao tempo e ao dinheiro, não têm paciência, nem jeito para questões de lana-caprina.

Dantes era assim: ou se passa procuração ou move-se influências.

O compadrio, a cunha, a porta do cavalo, o dinheiro debaixo da mesa, o ajuste direto, o depósito direto no bolso e o jeitinho são expedientes para erradicar, mas que resolviam.

Em tempo de guerra não se limpa armas. Por que não deixar correr o marfim, apostar em brandos costumes, que resolvem? Se um dia aparecer um remédio virtuoso e dissuasor, acaba-se com a dança, agora é precoce...

O desenrascanço, como tradição cultural, merece ainda caranço. Chega de pôr o carro à frente dos bois!...

(Está proposto que a candonga, o narcotráfico e a prostituição sejam incluídos nas contas do erário público de 28 países associados. Ou há moral…)

Para quê tanta repartição/loja aberta, meu deus?!

 

 

O próximo!!!

 

 



publicado por Jorge às 11:47
Terça-feira, 23 de Setembro de 2014

Xumbergas era duro de coração e drudo pela ambição de trazer a paz e a prosperidade a todos, a qualquer preço. Nem dormia a pensar nisso.

Xumbergas batalhou no tope dos Himalaias, dos Andes, dos Alpes e teria ido ao imo da fossa das Marianas, se necessário fosse. Declarou muitas guerras - abertas, civis, relâmpago, avisadas, frias, mornas - das quais sempre se saiu airosamente. Deu mais que levou (safava-se bem na arte), tendo colecionado numerosos espólios e muita mortandade, que pouco lhe aguilhoavam a alma. Guerra necessária, passa por justa, aos olhos de quem a faz…

Xumbergas, alma de mecenas, fundiu ao cachação, num só país, 20 baronatos, 10 ducados, 5 principados e 2 monarquias e passou a inclui-lo no seu património. Depois, partiu a cumprir um sonho que tinha de menino: a aquisição de ultramares prenhes de recursos básicos de produção. Teve sucesso e sentiu que a ventura estava-lhe agarrada à pele.

Xumbergas tomou-lhe o gosto. Para não perder balanço, propôs-se a dar cumprimento a outro sonho, de adolescente: a conquista do globo. Não olhou a meios, só aos fins; nos seus avanços, envolveu populações inteiras nos seus propósitos. O sucesso voltou a bater-lhe à porta.

Um dia festejava uma importante vitória na praça central da terra, quando a ele se chega um mendigo maltrapilho:

- Quem era o mais forte de vocês os 2, tu ou o teu adversário de batalha? – dispara, poe entre os dentes escassos, o pelingrino.

- Eu, claro! – replica o apoderado.

- Então, por que festejas?!

Xumbergas embatocou, deu-lhe até para a prisão de ventre. Livrou-se do despropósito, por conta de uma guerra intestina. Já aliviado, pôs-se a pensar na morte da bezerra e de caminho reviu os seus feitios e feitos. Lavou as mãos - donde se soltou uma catrefada de sangueira -, decidido a não recorrer a mais carnagens, no cumprimento da sua espinhosa missão terrena que lhe fora outorgada pelas altas instâncias siderais, ao que era voz corrente.

 Xumbergas chegou a idear-se aos comandos de fights, de meets, de arrastões, até de raves. Afugentou o despropósito pífio, brandindo as manápulas (tão desajeitadamente que ficou de olhos à-Belenenses). Então distinguiu claramente que tinha vindo a trilhar maus caminhos, como o tinha feito, muito antes dele, a samaritana de Sicar.

Xumbergas afinou o seu sonho de adulto: a dominação efetiva da Terra. Fez abordagem às bolsas-fortes de Londres, Paris e Francfurte. Colheu altos réditos, sem sujar as mãos: impôs respeito e limpou o sarampo a muito lagalhé e a outros mais bem dotados. Já não quer outra coisa, senão abalançar-se ao domínio efetivo da Uólsetrite, o bastião apalaçado do mando terráqueo.

Xumbergas, a crer nos oráculos, terá concorrência feroz do Tea Party, maila nomenklatura sínica. Já só sonha em impor tributo a bancos, bolsas, congregações, conglomerados,tríades, maçonarias e dinastias.

Xumbergas continua a dormir que nem um justo.

 

 

Bem que vos entendo, mas os bárbaros fora-da-lei são essenciais à economia romana…



publicado por Jorge às 18:50
Domingo, 21 de Setembro de 2014

O moiral disse que fazia questão em pagar a quem o país devia, com o dinheiro da nação, com o seu e o dos seus amigos não.

Era uma conta calada, um valor incomportável para quem produz sol, vinho, azeite e tecidos, os quais ocupam os baixios da tabela dos valores de mercadorias, nas bolsas, ora pois.

O moiral disse que, quando tomou conta do cargo não sabia que o caurim chegasse a tanto, com ele a comandar nunca se teria chegado a semelhante desplante.

Entraram no país uns senhores e umas senhoras que disseram que representavam os credores - nunca tinham aparecido por estas longitudes -, a reforçar a autoridade do capital, a partir da capital; impuseram as leis da selva e da rolha revisitadas e decretaram a escassez pelintra. 

(As vítimas do colapso contam-se por milhares, mas não se chegam à frente!)

O moiral disse que não há desculpas para o desconhecimento dos mecanismos da bolsa: não sabes lidar com os produtos financeiros, não percebes patavina de econometria, de ratings e de subida e descida dos juros de dívida pública, mas soubeste ir ao banco pedir empréstimos, não é verdade? 

As senhoras e os senhores bem ataviados e aviados que puseram a santa terrinha de braços no ar disseram que aquela era uma verdade do senhor La Palisse e que somos todos por um e um por todos logo se vê…

Chegaram-se à frente muitos cidadãos insubmissos a falar em direitos adquiridos que não podem ser perdidos de ânimo leve: a saúde, o trabalho, a educação são património de todos.  Uma vida digna não é monopólio de alguns, mas de todos.

Os senhores e as senhoras que tinham a faca e o queijo na mão esclareceram que há, de facto direitos adquiridos basilares que devem ser cumpridos: a propriedade, em primeiro lugar, depois a respiração, a sobrevivência, a procriação, a alimentação, a defeção, etc., nada de confusões!

Vieram outros cidadãos bastante indignados a garantir que a nação nunca tinha vivido acima das suas possibilidades. Onde há vontade, há possibilidade! Se querem o deve-haver da nação à maneira, vão pedir contas aos manhosos que, na sombra, comandam o barco, os que fizeram o mal e a caramunha e ainda o fazem...

As senhoras e os senhores mamposteiros dos credores lembraram que se deve dar a César o que é de César, ao Abreu o que é dele e que todos tinham culpas no cartório. Alguém contesta o pecado original, alguém lhe foge às represálias?

(Valha-nos Adão e Eva que não são santos por causa de uma serpente e de uma macieira!)

Um dia um ancião abordou o moiral, as senhoras e os senhores representantes dos credores e pediu-lhes que mostrassem fotos dos queridos benfeitores.

- Convém conhecer os rostos, quanto mais não seja para beijar-lhes a mão, o anel, a bochecha, agradecer, enfim, o bem que tinham feito pela nação e que não nos entalem à má fila!

Ao moiral e às senhoras e os senhores seus delegados só lhes saiu duques do aipode, o Adamastor, o Ieti, o Judas, S. Mateus, a Madame Min, o Homem do Saco, O Lobisomem, auras de alminhas do outro mundo e até Mario Buda e o corcunda de Notre Dame (por dó).

- Com quem eu casei minha filha, tá queto, ó mau! – deu em fugir a 7 pés o nestor.

(A conta calada tem inflado a olhos vistos: dívida passiva puxa dívida ativa, são assim os altos desígnios, e, por enquanto, não há pai para essa torrente!)

 

 

Uma vez salvei um homem que tinha sido atingido por uma avalanche de dívidas...

 



publicado por Jorge às 10:43
Quinta-feira, 18 de Setembro de 2014

Dois Bentos, presumivelmente temerosos da propagação de resfriados, por conta de portas abertas, têm estado nas bocas do mundo, vítimas de falatório. Antes assim, os tempos estão mais reservados a boas práticas e poucas falas. Positivo é que se pode contar sempre com ambos, seja por muito ou pouco.

 

O Paulo não faz mal a uma mosca; mais, parece incapaz de enxotar uma mosca. Estava posto em sossego no pedestal de selecionador-coordenador do desporto-rei, quando se sentiu mal da perna.

Então – depois de uma competição horrível e de uma derrota humilhante -, terá decidido consultar o médico da seleção (o proscrito). O chefe direto descobre-lhe o despropósito e, nem eram decorridas 2 luas cheias consecutivas, mostra quem manda: manda-o bugiar.

Ato contínuo, Paulo obedece, sem dizer «ai» ou «ui». Sem pressas, dirige os seus passos ao farol do Bugio.

De cara ensimesmada, fechado em copas, ninguém lhe destapa um desabafo. Tem sido visto a cirandar pelas imediações do forte, nunca se sabe se dom Sebastião, no seu regresso, não fará escala por aquelas bandas…

Assim, já se augura que um dia voltará a ser chamado de emergência, a cumprir outra missão espinhosa, impossível mesmo, a convite dos senhores que regem a seu bel-talante a casa grande da seleção.

Ainda anela por uma coroa de louros.

(Nesse ínterim, assiste a jogos do Palmense.)

 

O Vítor é um economista-filósofo (ou vice-versa), com ares de mosca-morta. Porém tem têmpera, pinta e arrojo de enfrentar ondas alterosas, até de as surfar, seja na Nazaré, ou em Abaeté. Careca assumido, destila o charme e a comoção de um verdadeiro devoto.

De forma que, num belo dia decide devotar-se à redenção de um banco que o Estado adotou, mas não quis perfilhar, de mão dada com uns quantos maduros da arte de bem manejar o graveto.

O ato mais inspirado tem-no na cerimónia do rebatismo, pela qual a entidade cambista - pretensamente enjeitada pelo Estado - passa a chamar-se de «banco novo», embora «banco nas lonas» tivesse sido mais apropriado. Depois disso, nem novas, nem mandados…

(Esse banco bom tem um sósia, conhecido no milieu por «banco mau com’ás cobras» e todos se persignam, quando ouvem o seu nome, administradores cooptados inclusive, aquilo não dá currículo!)

Presume-se que o dono da cooptação não terá gostado de certos avanços do charmoso Vítor, que se dava ares de avançado-centro, quando não passava de avençado. Pois sim, tinha-lhe tomado mal as medidas, mas, por fim, quem se arrepende salva-se: faz a cama ao presumido manda-chuva em 2 tempos.

(Aquilo é para vender azinha, deixe-se de tangas!)

Diz-se que o mandadeiro saiu a bem e pelo próprio pé, sem fazer ondas. Um dia, quando for necessário salvar outra instituição bancária stressada, a pedir hasta pública, ou a separação das águas, ele estará aí para as curvas, basta que se lembrem dele. Quem sabe, nunca esquece.

(Emmentes, medita e tergiversa, medita e tergiversa.)

 

Talk show de trapistas



publicado por Jorge às 22:32
Quinta-feira, 18 de Setembro de 2014

A senhora ministra achou que a geografia dos tribunais estava mal feita e decidiu mudar. Num mapa mental, redesenhou a distribuição dos tribunais, juntou uns pós de perlimpimpim, pôs tudo ao fumeiro e apodou de reforma a coisa. Estava completa uma peça-chave da sua missão da governação, a partir daí só podia rolar sob esferas a máquina justiceira. Não é de hoje, não é de ontem que se sabe que de boas intenções está o inferno cheio.

A senhora ministra teimou em levar a reforma avante, na data assente e encomendou-se às alminhas. Imitando dona Justiça que é uma senhora formosa, de olhos tapados, espada desembainhada e dona de uma balança fora de moda, não cedeu um milímetro ao espírito da coisa, cunhas com ela, só para rachar lenha.

Ora parece que a plataforma eletrónica que deveria arcar com toda a documentação pifou ou não aguentou a pedalada. Num repente ficou com a cabeça a prémio, salvo seja. Porém, que culpa tem ela, a senhora deve ter tirado tão só um curso de computadores na lógica do utilizador, tenham dó! Foram os entendidos que meteram a pata na poça, topa-se à légua! Já não se pode depositar cúnfia nos subalternos? Um deles meteu a pata na poça…

Os profissionais do ramo disseram cobras e lagartos da reforma visionada pela senhora ministra, que se caminhava de cavalo para burro. A senhora ministra acusou o toque, mas não assumiu a maternidade da dita plataforma, uma serpente que tinha num dos seus ovos o germe do estado de sítio.

A senhora ministra, farta de levar pancada, dá uma conferência e obriga um seu subalterno a meter a cabeça no cepo. Ecce homo, atirai os tomates, as pedras, as bisnagas de água e de tinta a este fulano.

Temeu-se que estivesse montado um linchamento público.

(Teme-se que a encenação não fique por aqui; sacudir a água do capote nunca deixou de estar na moda.)

É assim, esta governança não dá ponto sem nó, competência tem-na para lavar e durar e faz o que não lembra ao dianho e ainda lhe sobra tempo para manter o pessoal num colete de forças.  Os mauzinhos acham que deveria desaparecer duma vez por todas, que não acerta uma. Os assim-assim, acham que deveria ir à bruxa.

A senhora ministra, não perdeu as estribeiras, não assumiu a culpa, mas pediu desculpa. Fica-lhe bem, num país de brandos costumes tudo se perdoa. Mais, a história far-lhe-á justiça. A sua reforma ombreará com a do Mouzinho da Silveira e os seus atos com Martim ou Egas Moniz. Mais comezinho, desconfia-se que não lhe farão a desfeita de a compararem ao ministro que apresentou a demissão, por conta de um acidente que ceifou vidas, numa ponte de âmbito seu.

Azarada esteve uma ministra antiga e os compinchas da Face Oculta, os quais não puderam usufruir da bondade desta autêntica salsifrada justicialista montada num país fadado a ser governado por gentes de fábula.

 

Não vejo mal nenhum, desculpem lá!…

 

 



publicado por Jorge às 22:22
Sábado, 13 de Setembro de 2014

Johano é um ínclito mestre de economês e até há quem o chame de IETI - Inve(n)tivo Ecónomo de Tangas Interinas  –, pelo ao seu modus faciendi e pela fauteza das suas posições anatómicas, financeiras, sociais e outras que tais. Detentor de personalidade vibrátil e mofosa, acha que mais vale ter graça que ser engraçado, daí o dar-se ao gozo com o pagode.

Johano, césar do que lhe aparece pela frente, adora lendas, fábulas dos bons costumes, estórias de encantar e lá vai cantando e rindo. Quando o tiram do sério, costuma sair-se com respostas deblaterantes, o que se destina a manter as tropas em sentido ou de atalaia.

Johano, de perenes neves acumuladas na fronte, não mora nos Himalaias, nas Américas, ou noutras partes da Ásia, vive - e bem! - numa das postas mais ocidentais do continente ao qual foi confiado o nome da mãe de Minos.

Johano, num destes dias, abriu o coração ao «i» e produziu estas pérolas:

A -  «A troica passou-nos em todas as avaliações quando nós, de facto, não cumprimos em nenhuma o que tínhamos prometido.»

(A caridade não tem pátria!)

Andamos a produzir muito vinho é o que é…O vinho em excesso serve as exportações, mas não ajuda a  cumprir promessas e a guardar segredos...

B - «Em Portugal, se toda a gente tivesse admitido que ia cortar, sobretudo, se os mais poderosos tivessem também feito o seu papel, tinha sido mais fácil para todos.»

(Os poderosos preferem dar de comer e mandar calar!)

Ai fizeram o seu papel, lá isso, fizeram: puseram-se de parte, minudências passam-lhes ao lado. A responsabilidade social deles é amealhar, está na cara! Mas isto é ensinar o padre-nosso ao vigário…

C - «Só há uma maneira de resolver isto: é não haver dinheiro.»

(Não se chama a isto brincar com coisas sérias?)

Respeitinho pelos totens, esqueça essas costelas de carbonário e de adepto ferrenho de futebóis! Bem sabe que os proprietários não embarcam nesse balão…

D - «No BES temos investimentos mal conduzidos e haverá certamente fraude envolvida…»

(Não me parece que tenha trabalhado no BES.)

O que é fraudulento na atividade bancária? Faça aí uma lista, sff…

E - «A base do sistema financeiro é a confiança…»

(A boca fala do que o coração está cheio!)

Deste proforma podem ser dispensados trabalhadores, funcionários públicos e reformados…

F - «Estou convencido que de que os bandidos não mandam e vai ser feita justiça.»

(Chama-se a isto falar com o coração ao pé da boca!)

O meu velho preferia dizer que Justiça tem sete mangas e cada manga sete manhas… E até ser feita justiça, quem arrota com os emolumentos e os juros de mora?

G - «Se levássemos a sério o que dizem, a alternativa era ir para Marrocos…»

(Não me parece que trabalhe para o MNE.)

Fui de visita a minha tia a Marrocos, girofle, giroflá…

H - «Só que o lado privado apertou o cinto por ele e pelo público, e conseguiu equilibrar a situação.»

(Deixemo-nos de meias palavras, assim é que é falar!)

Ou seja, os trabalhadores da privada estão a ser mais apertados, só falta adestrar os malandros do público e os reformados…

I - «Em Portugal, ninguém está interessado em ter um Estado que consiga pagar.»

(Cada um fala, consoante a bota lhe pisa.)

‘pere aí, mas não é o Estado que paga tudo? Paga e não bufa, aos privados, sobretudo, não é? A fazer contas de subtrair morreu o fariseu…

J - «É evidente que a melhor maneira de proteger a língua portuguesa é não se falar».

(Será isto que chamam falar de papo? Ou falar de coração?)

Só por isso ficou por dizer que a criação de emprego passa pela desproteção do salário mínimo. E lembrar que Frei Tomás, grande partidário da desregulamentação, dizia que pela boca morre o peixe e que é preciso baralhar, para ficar tudo na mesma...

  

 (Assim se vai comportando a economia…)

 

 

 



publicado por Jorge às 10:28
Quarta-feira, 03 de Setembro de 2014

   A dona do erário público bota palavradura, a garantir que o défice de 4% é alcançável e que a dívida pública não está fora de controle (quanto à privada, fica para outra ocasião), graças a almofadas e a cortes que se prolongarão, per saecula saeculorum (com segredinhos me enganas).

   A madama diz que as previsões do passado são mais fáceis de serem feitas que as do futuro; sabe que tem metido água nas previsões vindouras, mas que todas as altas instâncias internacionais não se ficam a rir, andam ó-tio-ó-tio.

   Cheia de nove-horas, a enigmática dama deixa escapulir expressões dignas de quem sabe da poda e de quem manda no faval. Veja-se, a título de exemplo, algumas pérolas atiradas a incautos boquiabertos:

. reapreciação das perspetivas macroeconómicas;

. revisão do cenário macroeconómico subjacente;

. recuperação da confiança dos consumidores;

. medidas transversais;

. dotação provisional;

. perfil intra-anual;

. reembolsos das obrigações do Tesouro;

. reclassificação da dívida pública;

. perímetro da despesa;

. dívida sustentável.

    O maralhal bate a pala e palmas a tanta sabedoria translúcida (não percebe patavina, mas a senhora falou bem!).  O cura e o sacristão gritam muitos «apoiados», eles lá sabem que a sério se diz muitas verdades…

    A esfíngica senhora não gosta que a tenham comparado a uma fora-da-lei e fala em governo democraticamente eleito (é novidade no mercado), engasga-se com os referenciais orçamentais subjacentes à discursata (um lapso de 1 ano toda a gente tem, caramba!), mas percebe-se que está talhada para mais altos voos.

    Chamadas as pitonisas de Delfos a desfazer o imbróglio, são do entendimento que vamos ter mais do mesmo, quem decide da produção do faval fica-se a rir, quem produz fica a chorar.

   À saída ninguém percebe ao que veio a patroa. Vinha a retificar, saiu retificada…

   Nada de novo na ocidental plaga!

 

 Especialista a postos…

 



publicado por Jorge às 11:08
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