Sexta-feira, 28 de Novembro de 2014

Cabriolas

   O senhor é narigudo e na santa terrinha tem-se por adquirido que o dono de um apêndice daqueles revela propensão a debitar lérias e o culpado disso talvez seja o Pinóquio um boneco andante criado pelo sr. Gepeto um inventor italiano que devia ser cá um ponto. O nosso primeiro pô-lo a braço direito e não parece que a escolha tenha sido debitada na conta desse pormenor fisionómico porque verdade seja dita os 2 formam uma dupla de alto lá com o charuto sabem levar a água ao moinho de ambos onde moem o juízo ao pessoal.

   O destino do senhor narigudo tinha sido traçado mal soltara os primeiros vagidos tão estridentes que logo perceberam os circunstantes que teria o mundo a seus pés caso fosse do seu livre alvedrio. Isso mesmo está delido nos astros nas linhas da palma de ambas as mãos nos pauzinhos chineses ou nas cartas do tarot caso existissem provas recolhidas à época fica registada a falha.

   É um tipo bem caçado esse ajudante do nosso primeiro um grande cromo pardeus um jongleur de palavras de cartas de maças de copos de bolas e até consta que já treinou para engolidor de espadas. Este ás do pedal encontra escapatória mesmo para becos sem saída e retiradas irreversíveis que já foram definitivas mas agora voltam atrás ao contrário do tempo. Nasceu para ser mandador tem estilo e pede meças a qualquer indígena pelo menos dos mais conhecidos que só os apoderados têm direito às luzes da ribalta e queixam-se quando as coisas correm para o torto.

   Um dia o senhor visivelmente prostrado do cansaço entre voos e por cortes sacrificiais pôs-se a pensar para variar sobre a penúria dos cofres da santa terrinha quase sem puto. Logo ali engendra um plano para atrair camones de países terceiros a troco de opíparos montes de notas verdes roxas ou cor-de-burro-a-fugir tanto fazia. Um punhado de especialistas de escritórios afamados vem ao encontro das suas preocupações a vendagem de vistos gold ou dourados é guito em caixa tem pernas para andar com a vantagem de se ajustar às mil maravilhas ao patriótico lifting exigido pela tesouraria da santa terrinha que poderá figurar um dia no Guiness na rubrica das maiores concentrações de tipos ricos como Creso .

    Venham a mim senhorias com carcanhóis à beça façam fila que há cartões dourados para todos e para a família toda para o gato o periquito e o peixe também e de caminho criam uns empregozitos para os indígenas. Meu dito meu feito vendem-se moradias apartamentos hotéis castelos terrenos a bom preço como pãezinhos quentes era uma lástima estarem ao abandono ao sabor das intempéries da bicheza e das invejas que fazem falar. São contratados indígenas para limpar o pó tratar da relva de jardins ou da água da piscina e a avenida da Liberdade enche-se de forasteiros ávidos de gastar à tripa forra.

    Um dia rebenta uma bronca aqui d’el rei que me comeram as papas na cabeça as polícias põem-se a catar e logo se percebe que ali há gato. Zangam-se as comadres descobrem-se verdades no confessionário dos magistrados que aos costumes dizem nada por causa do segredo da justiça que é uma espécie de bicho-de-sete-cabeças que apareceu na santa terrinha antes da legionella. Fervilham atoardas e opiniões atiladas a mais consistente das quais sugere que uns quantos indivíduos bem aparentados e bem colocados à frente daquele negócio das arábias tinham metido ambas as mãos no boião dos rebuçados pelo que depararam com grandes dificuldades em retirá-las sendo por isso caçados facilmente ainda bem as instituições estão a funcionar aleluia!

    O magistrado do santo ofício do costume ouve os suspeitos são feitas buscas aos computadores armários lixo telelés deles aparecem nas tevês com bolinha vamos lá a saber se fizeram xixi fora do penico mas fica entre nós para já o futuro a deus pertence. Nem meia dúzia de suspeitos vai estagiar no chilindró a ver o Sol nascer quadrado aproveitem o tempo ponham as ideias em ordem quem sabe um dia não vão publicar um romance artigos de fundo poesia ensaios livros científicos sobre o assunto. Outra meia sai com umas pulseirinhas eletrónicas catitas talvez made in China o país onde verdejam as árvores das patacas e ficam todos contentes da silva até lhes podia sair na rifa lavar pratos apanhar piriscas varrer o pátio lá da choça e eles até ver não têm habilitações para o efeito.

   Nenhum jornalista nenhuma jornalista faz a pergunta óbvia não gostam de apostar no euromilhões no jogo do bicho nas slot machines nas mesas dos casinos na bolsa ou nas raspadinhas mas porquê digam lá. Ainda-por-cima nenhum dos figurões parece ter dificuldade em comer do bom e vestir do melhor têm perfil de poderem pagar de taxas taxinhas derramas multas e não bufar e vão sujar-se para quê. No meu bairro que nunca deu um governante ao mundo descobriu-se que a sra. Dona Eufrázia uma viúva com uma pensão de miséria aluga quartos zimmer chambres e rooms na net e não passa recibo aquilo ia dando cenas do arco da velha a vizinhança pôs-se abismada onde foi ela aprender aquilo foi um escândalo.

   Chamado à pedra o senhor adjuvante do nariz empinado não se mostra escandalizado não há crise a ideia nasceu límpida e cristalina continua tem entrado massa a granel os trampolineiros que foram às filhoses que mordam o pó da estrada agora não obriguem o inocente a pagar pelo pecador. Palavra puxa palavra atira-se aos incréus que desdenham dos vistos dourados aqui ninguém anda à esmola não senhor vão mas é catar as pulgas e afinar o aljaraz do balceiro que trazem por casa saibam que não tenho telhados de vidro e se os tivesse seriam à prova de bola ora passem lá muito bem vão mas é trabalhar seus cocós seus malandros seus calões.

    Esteve vai-não-vai para socorrer-se do calão vernáculo mas contém-se a tempo resiste igualmente a contar aquela do moinante que se candidatou a um visto dourado está aqui o meu nome foto contas bancárias coisa e tal e vai-se a ver era procurado por uma multidão de filantes num ror de países. Não quer espantar a freguesia numa altura em que procissão ainda está no adro e o andor torto.

    Cá fora um manifestante não se contém e pespega num cartaz anódino «A justiça a todos guarda mas ninguém a quer em casa» ora toma.

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publicado por Jorge às 18:27
Terça-feira, 18 de Novembro de 2014

Quase-quase

    Como dizia anteriormente um ministrante partiu.

   Uns notáveis de boa cepa social e mesmo do jet set manifestaram-se compungidos pois tinha partido a pessoa certa que dantes ocupava o lugar certo e que tinha revelado muita dignidade provavelmente a mesma que tinha manifestado ao entrar mas nunca se sabe.

   Uns senhores da oposição atreveram-se a sugerir mais substituições ao nosso primeiro chegando a dizer que lhe falta lucidez uma acusação grave que veio à luz do dia sem provas. Outros na mesma linha senão pior deram a entender que não ficavam com peninha alguma se o nosso primeiro seguisse as pisadas do colaborador pois só tem dado galho ao povo que está farto de amouxar.

   Uns ilustres do mundo laboral derramaram lágrimas de crocodilo porque o demissionário ministrante estava a par de negociações promissoras e prestes a dar bons frutos. Sabe-se lá se a sucessora ou o heréu não se vai marimbar para os acertos intentados deitando assim a perder horas e horas de conversações árduas que chatice.

   A maioria dos governados não pôde ser ouvida os media não têm assim tantas câmaras e tantos gravadores que possam chegar a todos. Quando muito fazem-se estudos de audiência sondagens inquéritos de rua ou vai-se pescar às redes sociais e logo se tira conclusões sobre o pulsar da maioria. Para já o povo está sereno!

   Parece que o nosso primeiro se está nas tintas para conselhos e conselhinhos principalmente dos que são dados por figurinhas menores estão a ver? Daqueles maganos que porfiam em passar cartão a ideologias requentadas e repassadas de passadismos e outros ismos fora de uso. A palavras néscias ouvidos de mercador mais nada!

   Assim, o nosso primeiro deve continuar a achar que a sua missão na terra ainda não terminou e fica-lhe bem esse sentimento. Consta que irá promover uma remodelação cirúrgica haja dinheiro para a cobrir. Substitui-se quem partiu e mais nada! Pelo menos é isso que circula mais nos mentideiros de todos os matizes.

   Condição sine qua non é que a senhora ou o senhor que se segue tenha de alinhar em cortes cirúrgicos não na casaca mas sobretudo nos rendimentos da malta um anestesista até que dava jeito fica a sugestão e não cobro por ela. A saga da devolução da dignidade à santa terrinha é longa e não se faz às arrecuas, tamos nessa.

   Agora é verdade que muita gente se diverte a desencantar candidatos de entre senhoras e senhores conhecidos e desconhecidos mas distintos que possam usar com todos os matadores e sem mácula a fatiota da governação em curso. Ministro não é quem quer tem que ter costas largas bons fundos e provir da nata social não serve qualquer mequetrefe o zé-povinho não tá talhado para mandar. Como dizia o outro se soubesses quanto custa mandar só querias ser mandado.

   Apesar de tudo o senhor Emplastro terá sido abordado mas logo declinou a subida honra de ocupar a vacatura por não saber línguas. Terão também sido intentados contactos com alguém da Transparência e Integridade mas parece que foram bater a má porta numa segunda versão posta a circular um emissário deu com o nariz na porta  e uma terceira avança que o interlocutor era surdo que nem uma porta.

   A santa terrinha fervilha de palpites sobre a escolha que já meteu portas daí o ter graça e não ofender.

   Aceita-se apostas que a escolha está próxima pois é uma questão de vida ou de morte.

   É disto que o meu povo gosta de grandes momentos e de raspadinhas.



publicado por Jorge às 13:12
Segunda-feira, 17 de Novembro de 2014

Foi-se

Um senhor ministrante entendeu que estavam reunidas as condições para bazar.

Alguns figurões do seu ministério e de outros das proximidades terão pisado riscos vermelhos, tão fáceis de transpor.

Tinha sido recentemente institucionalizada aquela prática - dantes clandestina - , a qual consistia em arranjar passaportes de capa dourada cá da terra, em troca de pipas de patacas, ou de euros, ou outra divisa qualquer, dando de barato que teriam de animar o mercado do trabalho..

E esta era uma boa oportunidade para quem tem 2 olhos, em terra de cegos, ou simlares.

A ele ninguém lhe podia apontar qualquer mancha no casaco, na camisa ou na gravata, mas era chefão de chefes subalternos que não terão resistido à tentação de enriquecer de uma penada.

O seu código de honra impunha que não assobiasse para o ar. Apresentou a demissão, após aturada reflexão, a bem do governo e da nação também. E recebeu muitos aplausos pela decisão inusitada por aquelas bandas, o que se regista.

Se há outros ministráveis que não se guiam por tal código ou por tal honra, problema deles! Se sacodem a água do capote ou para cima de outrem, idem, aspas.

O senhor arrumou a trouxa e zarpou. Verdade seja dita que não lega grande obra, mas outra coisa não seria de esperar, numa época em que todos os peões de brega do nosso primeiro têm sido sistemática e recorrentemente chamados a cimentar táticas de saque aos compatriotas menos bafejados de fortunas, sem dó, nem piedade, ou quaisquer pedidos de desculpas.

Aí também, nada a apontar-lhe, cumpriu lealmente!

A moral da estória pode ser esta: nem só de dizer amém vive uma pessoa.

Ou estoutra: há pessoas que não dão ponto sem nó, mesmo quando recebem benesses, porque não dormem na forma.

Para que conste.



publicado por Jorge às 12:04
Domingo, 09 de Novembro de 2014

Há 25 anos caiu um muro em Berlim.

Esse muro separava 2 mundos, a bem dizer, o dos bons e o dos maus.

Muita gente morreu por conta, quando estava de pé.

Muita gente lucrou, quando ele caiu.

Colha-se a diferença.

Hoje, há um muro na fronteira EUA-México, difícil de ultrapassar.

Há um muro em Melilla, difícil de pular.

Há um muro na Cisjordânia, difícil de atravessar.

Há um muro a separar as Coreias, quase impossível de dar a volta.

Há um muro de facto - uma linha verde - a separar Nicósia, difícil de contornar.

Esses muros separam 2 mundos, a bem dizer, o dos bons e o dos maus.

Muita gente falece, porque continuam de pé.

Muita gente lucra por conta, e, quando caírem, também.

Aqui não há grande diferença.

Hoje, há condomínios que se fecham com muros, fáceis de construir.

Há muros nas escolas, na comunidade, nas pessoas, difíceis de arrostar.

Há muros a separar terrenos, fábricas e instalações de comércio e serviços.

Estes muros separam os humanos em 2 mundos, a bem dizer, o dos bons e o dos maus.

Muita boa gente lucra, quando os muros certos se mantêm eretos.

Eis a diferença!

A queda daquele muro, há 25 anos fundiu os 2 mundos temporariamente de costas voltadas num só, o dos lucros que deus dá e pode retirar e não custou nada.

A China tem uma muralha grande que continua de pé e que gera milhões.

Há muros que valem o seu peso em ouro, neste novo mundo, seja de pé ou caidinhos, essa é que é essa!

(Havia um muro entreportas que ceifou 3 vidas e isso foi mau e um outro que estava em construção e tomou para si várias vidas e isso foi também mau.)

Portanto, há muros bons e muros maus que mantêm um mundo de sentido único.

(Os muros, como os cintos, não são muros enquanto não se fecham.)

Soube agora que houve um profeta que se atreveu a alertar para a ereção de muros em demasia, ficando as pontes em minoria.

 



publicado por Jorge às 12:06
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