Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2014

i – Foi garantido um suprimento a trabalhadores do metro, gerido por uma empresa pública de transportes, com muitos anos de trabalho e descontos, caso antecipassem a sua reforma. Muitos trabalhadores com muitos anos de casa, desejosos de sossego e de dar o seu lugar a pessoal mais novo, embarcaram no bote. Anos mais tarde uma das medidas de um pacote de contenção pelo emagrecimento forçado da dívida pública - alguma coisa tinha de ser feita para não andarmos ó tio, ó tio por essa Europa e por esse mundo de Cristo fora - abate o dito suplemento, de uma penada, sem dó nem piedade. Há quem chame a isto dar o balão e que balão, este!

Se tal suprimento estivesse inscrito em contrato milionário, de muitas páginas, redigido e defendido por causídicos de forte ponderação, outro galo cantaria. A proteção social no seu melhor, ou a impiedade de quem empurra outrem para trilhos impérvios!…

 

ii – O sumo pontífice falou e admitiu que os bichos possam ter lugar no céu, no jardim do Éden, presume-se. Mas todos os bichos, mesmo aqueles que estilhaçámos para os levar à panela, aos tachos e ao braseiro?! Talvez só os animais de companhia possam lá ter lugar garantido… E as formigas vermelhas, os sapos amarelo-ouro, os escorpiões, os piolhos, os hipopótamos e os mosquitos também? Confesso que sou candidato ao paraíso e faço vida regrada e rigorosa para atingir tal objetivo, mas todo eu já me coço, ao imaginar o cenário, eu um vegano de-alma-e-coração! A não ser que só os espíritos da bicharada tenham direito a lá estar, eu sempre desconfiei que os animais tinham espíritos, não sei se dos bons ou maus…

Ainda bem que o senhor não tem uma certeza inabalável e que isto não é matéria de fé, pelo-sim-pelo-não já estou a elaborar aminha lista de pucelas preferidas…

 

iii – O padre, representante de deus na terra, foi posto naquela paróquia, por indigitação do seu bispo, o qual tem autoridade formal para o fazer, ele que ocupa um posto elevado na lista de embaixadores de deus na Terra. Os restantes elementos da alta hierarquia eclesiástica cá na Terra deram o seu consentimento implícito ou explícito à nomeação, nenhum fez menção de retirar a confiança ao consagrante nomeado, portanto estavam reunidos todos os condimentos para que possa atuar como representante de deus naquela terrinha. Mas não, ele tem passado as passas do Algarve, os leigos querem o anterior cura, que foi desterrado para parte incerta, se assim não fosse, suspeita-se que já haveria romarias à porta do enjeitado. É bem possível que esteja algures no sul do país, terra de incréus… Estranha-se esta deriva democrática dos fiéis, o comer e o calar têm o seu lugar, pardeus!...

Se a coisa continua assim estou a ver esta malta de paroquianos a reinterpretar o inferno, o limbo, o purgatório e o próprio céu, a decidir se há almas penadas, se as bruxas e feiticeiros são enviados do encardido que governa o inferno, se há anjos e anjas, etc. Quem te mandou a ti, sapateiro, tocar rabecão? O orgulho (é pecado) pode brotar da honra em demasia…

 

iv - O crude está barato que até faz impressão. Os tradicionais donos dos países ou dos conglomerados que o vendem não acham piadinha nenhuma ao cenário. Será que algum maduro teve a brilhante ideia de dar à torneira? Ou o Califado que detém uma mão-cheia de poços no Oriente Médio já consegue vender na candonga petróleo em bruto a países que o combatem, para conseguirem maçaroca com que comprar armas vendidas por esses mesmos países que o combatem? Perguntar não ofende… Certo é que convém a mão direita não saber o que a esquerda faz, para subir na vida. Mais, ninguém no seu perfeito juízo se atreve a afirmar que desta água não beberei, pode ser a morte do artista…

Esta não me tiram da cabeça, aqui há pardal! e não será propriamente caso para dizer que há males que vêm por bem…

 

v – Quando se fala, sobretudo na rádio e na tevê, dos protagonistas lá de fora é tudo simples, Obama fez isto e aquilo, Hollande foi aqui e acolá, Rajoy disse isto e aquilo, a sra Merkel mandou mais uma bojarda. Já os protagonistas internos têm direito na maior parte das vezes a axionónimo, tipo o Sr. presidente, desancou nos jornalistas, o Sr. engenheiro teve um ataque de caspa, a Sra. doutora passou-se dos carretos, o Sr. comendador partiu uma perna, a Sra. professora fez publicar um livro de sua lavra. Criou-se normativos para tratamento correto ao dirigir-se a este ou aquele nababo, ou aqueloutro degas, diferentes etiquetas para se estar à mesa, para se entregar presentes, para servir à mesa, porque a hierarquia demarca. É-se capaz de discutir por largos minutos, amplas horas e em vastos dias a legalidade do título, dá-se a vida por um título e há também quem os compre, porque a jerarquia e até o ranking rendem préstimos. Se alguém ousa chamar um conhecido por zé-quitólis, ou zé–das-véstias, ou joão-ninguém, ou o João-fernandes, ou de ningres-ningres, por certo que não tem o indivíduo em questão nunca passou da cepa torta ou não o tem em grande consideração; o tratamento por mestre é satisfatório. Se alguém chama dona a uma «mulher» é porque a acha uma senhora; agora se a apoda de maria-vai-com-as-outras, maria-chiquinha, maria-rapaz, ou maria-cachuca precate-se.

Afinal a discriminação é feita de pequenos nadas, verdade?

Lá dizia o outro: não me discrimine, não sou diferente, apenas sigo os padrões do sistema!

 

 

 

 



publicado por Jorge às 12:09
Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2014

1 – Há cada vez mais ciclovias (e também passadiços) metidas no meio da confusão do trânsito urbano e suburbano. Esse tipo de vias tem reunido consenso junto das populações, porque abrevia deslocações e despesas de e para o local de trabalho, de e para local de habitação, além de facilitar acesso a centros de interesse. Por isso os turistas também gostam de levar as biclas para as ciclovias (e de andar acima e abaixo nos passadiços), a bisbilhotar, em busca de casticismos, a isso vieram lá das berças terras deles. Ainda bem que gostam, pois sempre juntam o agradável para eles e elas e o útil para o país, é bem-vindo quem vier por bem e disposto a largar divisas que ajudam a curar aleijões congénitos do deve-haver da santa terrinha que esteve sempre mais inclinada para o «deve» do que para o «haver».

Pena é que, indiferentes, os popós continuem a borrifar-se e a aspergir esses bons propósitos, com fumaças a que a OMS já atribuiu potencial cancerígeno. Ensacar fumaça não dá!...

 

2 – Houve uma debacle na casa comum do clã. O Sr. A disse que não era responsável, embora fosse o CEO e lesto apontou um dedo ao Sr. B. O senhor B mandou-o aquela parte, com expressões de fino recorte literário, lavou daí as mãos e indigitou o Sr. C causador do de todos os males. O Sr. C sacudiu a água do capote a garantir que sempre agira de acordo com os normativos da casa e ato contínuo mandou bugiar o Sr. B e denunciou o Sr. A como implicado mor.

Vai-se a ver eram os três bons cristãos, acreditavam piamente que a serpente tinha sido culpada por Eva ter comido o fruto proibido da árvore do paraíso original…

 

3 - Destacavam os jornais e afins que a vitória do emblema A sobre o B, num jogo da liga se ficara a dever-se à ação profícua de um atleta, o Tolentino, o qual marcara 3 golos madrugadores, na baliza adversária, contra 2 na do seu clube. O atleta passou a semana nas nuvens, recebeu muitos cumprimentos e muitos gabaços e graxa a condizer, fosse na rua, em casa, no restaurante e até na igreja. O mister não soube, o grupo não soube, mas até se juntou a uns brindes bem regados. Não cabia em si de contente.

Georgino, sócio do arquirrival listou-lhe factos havidos, que se meteram pelas câmaras adentro: um dos golos foi obtido com a mão, outro em fora-de-jogo, outro de penálti inexistente; os do adversário tinham sido limpinhos. Timóteo tocou a pavana a Georgino, não admitia abusos...

 

4 – Aqueles 2 CEOs de renomadas empresas são criaturas apessoadas e de bem. Antigos administradores da res publica, proporcionaram incontáveis sabatinas sobre moralidade pública, que é preciso obedecer, cumprir os deveres, que ninguém se pode coibir de zelar para o bem coletivo, armados em frei Tomás de trazer por casa. A maioria, pessoas incautas, deixava-se convencer - a capacidade de encaixe depende da dose do bem-estar estimado -, caso contrário todos sabiam que seria estabelecidos serviços mínimos e requisição civil, dos manda-chuvas da terra, o que praticamente reduziria ao mínimo qualquer solavanco. Agora soube-se que os dois homenzinhos contestaram o pagamento da contribuição extraordinária de energia que recaiu sobre ambas as empresas (quererão exportar mais?), numa época em que a maioria dos cidadãos está a levar tautau pela medida grande. Desconfia-se que os preços baixos do crude sejam tidos e achados na decisão, outros dizem que se trata de manobra delatória e outros ainda que a manobra cheira a esturro deletério.

Está previsto que os dois brilhantes administradores indígenas venham a ser propostos a renomado galardão do empreendedorismo da casa global. Por alguma razão, na China asseveram que ninguém deve ficar surpreso por soprarem ventos danados de caverna vazia…

 

5 – No metro, um senhor toca e canta bastante afinado velhas baladas ouvidas por aí e por elas ainda não lhe vieram cobrar direitos de autoria. Canta, acompanhando-se ao acordeão, enquanto um canito pousa no seu pescoço. A mensagem é lhana: uma esmola dava jeito, vá lá ponham aqui a demasia do jornal que estão para aí a ler… Conhece o mapa do metro de trás para diante e de diante para trás, anda em bolandas de Amadora para Santa Apolónia, do Cais do Sodré para Telheiras, ou para o Rato e Odivelas. Ouve muitos remoques, mas a vida continua, o importante é que dê para a bucha...

Ermelindo junta a sua moeda às de outras pessoas e assim aproveita a deixa para escapar aos olhares cruzados de outros passageiros, que o seu apeadeiro ainda está longe, safa!...

 

 



publicado por Jorge às 11:49
Quinta-feira, 25 de Dezembro de 2014

 

 A vã glória de mandar

A glória é de quem a ganha, o dinheiro de quem o agarra.

Provérbio

 

Se alguma coisa pode dar errada, dará. Mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível.

(Uma) das Leis de Murphy

 

 

. Sô José amassou grande fortuna muitas rendas muitas tenças muitas propriedades por isso ou depois disso pôs-se à frente dum banco que se aguentou nas canetas durante 2 décadas ou quase para depois descambar e dar com os burrinhos na água por conta disso o senhor esteve uns dias na choça onde raramente se confina casacudos a conselho médico quase todos sofrem de claustrofobia que horror não nasceram para aquilo.

O sô José era homem entendido em alquimias fazendárias que ninguém duvide disso mas não era detetive por isso desconseguiu descobrir quem lhe comeu as papas na cabeça agora puseram-lhe um menino nos braços e toda a gente vê que já não tem idades para essas coisas. Ele era o chefe máximo mas não era deus não conseguia estar em toda a parte não sabia de tudo por isso teve de passar pela vergonha de não ter topado ou destapado a marosca. Acreditem ele andava assoberbado por tarefas mil fartava-se de trabalhar mesmo aos fins-de-semana dava muitas horas diretamente ao banco e indiretamente à comunidade e talvez por aí fora o gato às filhoses há quem diga que a lógica excessiva ou a sua falta conclamam o erro.

Portanto o banco de sô José foi para o maneta um encoberto enfiou a galga ao factótum e comeu até rebentar pela calada tá na cara que o artista é cónego lambaz e sagaz que se deu ao luxo de cozinhar operações de licitude duvidosa com uma pintarola mas pulgas me mordam se não chegaram uns pitacos aos ouvidos do sôr José sobre suspeitas e suspeitos. Se o esfervelho se põe a tecê-las de pouco vale cautelas e caldos de galinha por isso às vezes é melhor deixar pousar as moscas a precipitação nunca trouxe bons lucros e teoricamente ninguém gosta de dar entrada antecipada no necrotério antes de esgotado o seu prazo de validade não sei se estão a ver o filme a doutrina garante que a vida no além é melhor mas a incerteza do bem é pior que a certeza do mal por isso não me venham com cantigas.

Os governantes e as governantas da santa terrinha ficam assarapantados com a intensidade do estrondo e cheios de miúfa por conta do papão do risco sistémico compram os cabedais todos do prestamista ações títulos obrigações fundos certificados a moeda boa e a moeda e o diabo a 4 que foram mais tarde trespassados ao preço da chuva a uma sociedade de agiotagem e todos ficaram felizes menos o Zé que foi forçado a entrar na dança e para tanto entrou com a massa que tinha e não tinha mas as elites merecem.

O nosso homem veio cá para fora expiar pecados próprios por certo e alheios provavelmente anda tem-te-não-caias neste vale de lágrimas mas não anda aos caídos do mal-o-menos paga que se farta a causídicos e assim dinamiza o consumo interno e vivó velho.

Um juiz abelhudo chamou à pedra o sô Oliveira levou um apertão de calos valente mas teve-se nas canetas há ainda muitas roupa suja por lavar provas a prestar por exemplo a prova dos nove não tem saído certa em todas as operações é preciso dar tempo esta gente fidalga tem sempre um tempo e um modo diferentes.

. Sô João detém muitas rendas muitas tenças e muitas propriedades por isso ou depois dessas compras todas ficou à frente dum banco de poucos anos e quando menos contava ficou de barbas a arder e o seu banco privado foi para o galheiro.

O sô João era homem entendido em elucubrações monetárias financeiras e similares e compôs um perfil máscara de calma olímpica quando os jornalistas tentaram à vez puxar-lhe pela língua se conhecia o fuleiro causante do baque centrado na área de retorno absoluto ele negou que soubesse quem e como lhe passaram as palhetas lavabo manus meas fosse ele detetive e outro galo cantaria e lá por casa não havia nenhum. Impávido e sereno mas de cara no chão ajuntou que não foi tido nem achado no desfalque foi azar sempre fez tudo certinho se fartou de dar à unha trabalhava todos os dias sem folgas até costumava dizer aos inimigos se tens inveja de mim faz como eu trabalha e vai-se a ver acontece-me não deu certo. A propósito sabem qual o presidente dos States que foi capaz de afirmar que as vitórias atraem muitos pais presuntivos as derrotas são filhas de pais incógnitos. Eu sei e se calhar foi por causa desta e doutras tiradas de experiência feitas que lhe limparam o sarampo a maltosa que o despachou para o necrotério mais cedo que o previsto agiu também pela calada curiosamente.

Portanto o banco de sô João foi à vida e arrastou consigo clientes de alto coturno apanhados com as calças na mão e bastantes foram-se de mãos a abanar e ele para ali de mãos atadas a ter de aguentar-se à bronca a engolir sapos dinossaúrios e olifantes mas que se lhe há de fazer não é boa regra de conduta muito menos de conduto chorar sobre o leite derramado é tudo lamentável mas guardo para mim com satisfação o que de bom fiz patati-patatá. O nosso homem não se armou aos cágados e lá vem enfrentando a carga de processos conformado mas com estilo mãos para o céu até parece um querubim ou um serafim ou um arcanjo só lhe falta um par de asinhas das autênticas não daquelas de préstito mas eu como o meu chapéu se ele não desconfia de quem o embarrilou.

Os governantes e governantas cá da praça porque não havia perigo sistémico deixaram o banco ir água abaixo tão pouco compraram os ativos nem as imparidades mas o Zé não está livre de entrar com fartas maquias compensatórias a montante e a jusante da linha de montagem de um banco está sempre o Zé bonacheirão e de costas largas mas até lá enquanto o pau não vem folgam as costas.

O nosso homem anda por aí livrou-se do aljube mas gasta do belo com patronos e com certeza nas lojas topo de gama noblesse oblige assim vai dando algum contributo à economia interna e externa e não digas que vais daqui.

Isto na sequência de um pedido de audição levado a cabo pelo mesmo juiz cusco que se chegou ao ícaro a pedir-lhe explicações ter-lhe-á espetado um valente puxão de orelhas que o deixou atarantado e abananado passou um mau bocado de estrada.

. Sôr Ricardo é homem de muitas rendas e de muitas tenças o mundo desdobrou-se a seus pés também à custa de fazer coleção de vivendas casas e quintas pelas 7 partidas ele ficou sem saber ler nem escrever à frente de banco antigo dono de holdings de companhias de seguros de hospitais de grupos de fundações e do diabo a 4 o rol do património é extenso e desconfia-se que os leigos nem da missa saibam a metade para todos os lados que se voltasse os cifrões vinham ter com ele poucos na santa terrinha o batiam aos pontos. O pintarolas anda pela casa dos 70 mas está aí para as curvas e deve ter à sua disposição uma plêiade de serviçais solícitos e está muito bem conservado o gatão qualquer mulher curvilínea ou convencida que o seja fica pelo beicinho pelo bichano de olho verde e cheio de notas verdes que o amor tem cor sim senhor. Ora bem o mundo dá muitas voltas e depois de muitos anos de fartura vieram as pragas do Egito e catrapumba o banco foi à vida a família zangou-se com ele e muita gente anda a jurar-lhe pela pele.

O sô Ricardo era homem entendido em alquimias fazendárias e será bom que ninguém ponha isso em dúvida mas viu-se grego a explicar semelhante tragédia não é fácil explicar o arrasamento de uma instituição que dera cartas na santa terrinha e que de um momento para outro desbotou definhou e adeus minhas encomendas melhor teria sido encomendar-se a S. Bárbara mas quem se atreveria a prever semelhante borrasca quem. Com cara de poucos amigos confessou não ter culpas no cartório agora não punha as mãos no lume pelos auditores pelos reguladores pelo primo pelo guarda-livros os jardineiros e motoristas escapam ele deve saber de fonte segura que estes não tiveram oportunidade de lhe passar a perna. Num tom cordato afiançou que não tinha provas da roubalheira não era sherlóque nem deus nem espião nem queria saber dessas coisas ele sempre foi um moiro de trabalho durante toda a sua vida morra quem o negue fartou-se de trabalhar pra burro mesmo nos fins-de-semana todos sem exceção ora bolas outro que se rebaixou a trabalhar e se calhar não devia.

Portanto o banco de sô Ricardo fica desfalcado é desbancado e a minha alma fica parva não sabia que se podia retirar um banco a um sujeito assim como quem tira os bonecos a garotos que tivessem andado a brincar aos médicos já não há respeito pela propriedade privada para onde estamos a caminhar miserere mei domine. Algum lafrau da tropa fandanga que o cercava perpetrou ou ajudou a armar a marosca ninguém me tira esta da cabeça ali anda dedo de passarão de alta rapina ninguém acredita que um homem troque os seus ricos charutos por paivantes dando tão pouca luta o nosso homem enfiou o barrete às boas come e cala alguém deveria dizer-lhe que encobrir um erro é errar duplamente.

Os governantes e as governantas da santa terrinha ainda não obrigaram o Zé a alinhar no pagode mas isso é uma questão de tempo ele vai ter de acudir a mais esta badalhoquice parida pela elite de pacotilha da santa terrinha olhem a novidade. Antes convenceram um senhor careca a pôr ordem na casa e ele não se fez rogado partiu o banco em dois o bom e o mau mas bateu asas em dois andamentos sem dar cavaco sem dizer água-vai ao Zé daqui me vou passem bem não devem ter soprado ventos de favor é o que é. Depois veio outro senhor muito mais cabeludo com a missão de vender o banco bom e não o fará por certo ao preço da uva-mijona vamos lá a ver agora o mau deve ir com os porcos.

O nosso homem continua na santa terrinha com a família e ainda bem sempre vai consumindo pipas de massa nas lojas e nos escritórios de advogados e isto ajuda ao consumo interno e dinamiza a economia da santa terrinha que não encontra maneira de estabilizar parece um barco sempre a meter água.

Isto na sequência de uma chamada de atenção do juiz da praxe o tal que é coscuvilheiro quanto baste pôs-se a esquadrinhar e logo mandou parar o baile quer tirar a coisa a limpo mas estas coisas não se fazem de um momento para o outro vai correr muita água debaixo das pontes está para aí armado um berbicacho mas isto vai.

 

. Já agora fica um conselho ao senhor juiz confraternize mais vá a festas e dê numa de conhecer o jet set ou os oragos das pequenas médias e grandes terras mas não trabalhe tanto isso pode trazer-lhe dissabores como no caso destes 3 estarolas.

 

. Os banqueiros da santa terrinha não andam ao papel andam aos papéis caem que nem tordos em esparrelas e depois ou ficam com amnésia ou de mãos atadas ou amuados e tudo isto não serve os negócios da santa terrinha se eles não servem venham outros camones que sejam a gente já vos deita pelos olhos assim ninguém fala do peixe miúdo do mexilhão que é a maioria e deveria merecer a atenção maior.

. Fosse a profissão de detetive mais acarinhada nesta santa terrinha em que a culpa ou morre de pés amarelos ou mora ao lado ou pertence ao mordomo e outro galo cantaria. Pelo menos ajudavam a aliviar a tarefa dos advogados …

 

. Deixo aqui a garantia  se os autores das mescambilhas não puserem a cabeça fora do buraco eu estouna disposição de me dar por culpado prontos tenho dito.

 



publicado por Jorge às 12:36
Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2014

Pruridos

Estava a ver uma reportagem televisiva da cerimónia comemorativa do 1º de Dezembro uma manifestação de desagravo pela data ter sido abatida à listagem dos suetos legais pois era necessário provar aos patrões do mundo e arredores que os trabalhadores da santa terrinha iriam trabalhar mais dias e mais horas por mais baixo soldo a ver se eles se davam por satisfeitos e não passavam a vida a remorder as canelas da gente cruzes aqueles horrorosos só pensam em dinheiro na deles o povo português queria mole.

Contra isso se manifestou com satisfação uma amiga minha que afirma que os tugas podem ser duros de cabeça duros de ouvido e duros de coração mas que felizmente são também duros de roer estamos a ficar de saco cheio e felizmente temos outras durezas como as bombocado de pão duro os travesseiros duros doces de açúcar duro pelo que vamos aguentando a crise até dizer basta vão dar banho ao cão que assim não vamos a lado nenhum.

Voltando à vaca fria o governo cortou nos feriados mais nos civis que nos religiosos da igreja católica porque os padres sabem-na toda e fazem bom serviço cívico por exemplo mandam uns papos sobre a melhor maneira de dobrar boletins de voto e até há uns marotos de chimarra que prometem a terra e o céu a quem não votar nos canhotos vão mas é trabalhar e está claro que o panhonhas do chefão não anda particularmente feliz com a situação e há muito que tem o sermão encomendado ao nosso primeiro e sus muchachos o fraquinho por eles tem evitado que despeje o saco.

Bem dizia eu que estava a acompanhar uma reportagem sobre o dia que deu nome à praça dos Restauradores e afinei sim afinei mesmo então aqueles mecos atrevem-se a tocar uma canção muito acarinhada no tempo da velha senhora cuja letra convida a malta a celebrar aquela data e que termina a atirar hurras pela MP de má memória antes pusessem o Marco a cantar a mocidade que fugiu dele e aquilo a ressoar nas meninges eia avante a mocidade mas o que é isto já chegámos à Madeira.

Não me venham com tretas que essa trova o hino da Restauração tem 2 letras distintas que o maralhal vai lembrar-se é da que aprendeu nos bancos da escola vejam lá que a santa terrinha tem tantos e competentes compositores talvez encontrassem canção mais apropriada sei lá na obra do sr. Lopes Graça do sr. Vitorino de Almeida do sr. Carlos Seixas do sr. Emanuel Nunes mas quando menos se espera saem duques e cenas tristes mas aquela malta tem direito à escolha lá isso tem.

E estava ali um depurado senador que foi vice ou cargo no género dum senhor presidente de um clube importante da santa terrinha que virou sacristão mas também lá vi o candidato a nosso primeiro que o atual xerife está cada vez mais careca e com os dias contados como ia dizendo o candidato tem ar de festeiro ou de mordomo das festas de oragos que não param de passar na televisão apresentados por parolos que tomam o povo por parvo com muitos prémios beijinhos e cantores pimba até parece que estão a imitar o irmão do Moisés que convenceu judeus fartos de enfrentar as areias do deserto a adorarem um bezerro de ouro nas faldas do Sinai enquanto no cimo se tratava de coisas sérias.

Embirrei com a melodia e ainda mais porque aquela gente a fazer número na reportagem tinha todo o aspeto de querer o tempo a voltar atrás saudosistas duma figa até se lhe percebia olhares tipo carneiro mal morto agora já não sei se a gente ficou melhor quando despachou os espanhóis para a terra deles hoje teríamos outros gostos outros costumes outros linguajares isto de ser um país independente pequenino mas tem muito que se lhe diga vejam lá que até um senhor que é dos ministros mais importantes da governança e que se livrou há pouco do caso dos submarinos metidos em luvas e farta-se de lidar com estrangeiros e que tem uma lábia de três em pipa não anda com muito afirmou que Portugal faz parte dum mecenato ou dum sultanato ou será de um protetorado já não me lembro bem na dele o país está por conta dos ricaços da União da Alemanha e dos States ena tantos para onde foi a independência.

Rapaziada toca a meter na cabeça que não dá assim muito gozo celebrar uma data em que bravos guerreiros puseram livre uma nação que está outra vez entregue à bicharada isto faz-me lembrar aquela da instituição de um feriado para comemorar a descoberta do Brasil quando há muito aquele país já era independente da gente grande melão isto sou eu a dizer...



publicado por Jorge às 11:15
Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2014

A falência moral do capitalismo é um artigo bem esgalhado, da autoria do sr. Miguel Sousa Tavares publicado, no semanário «Expresso» de 15 de Novembro p.p.

 

Parto de ideias que colhi desse artigo de opinião:

1 – A coletivização na economia foi um fiasco; afirmar o seu contrário é cair no pecado da mistificação. Ela foi causadora de episódios trágicos, nomeadamente a eliminação de milhões de seres humanos, «pela fome e pela repressão».

2 - A economia de mercado «deu à Humanidade um século de prosperidade», todavia, em tempos mais chegados, não tem sido bem assim, por uma questão de «fatalidade da natureza humana», natureza essa que é dada a desvios e abusos. A prioridade absoluta dada ao lucro absoluto é imperdoável. Então, a partir de 2008 tem sido demais!

3 – Não é aceitável que uns quantos governantes e banqueiros se empenhem na desregulação dos mercados a seu bel-talante, para daí retirar lucros colossais, ficando o povão a chuchar no dedo. A cupidez excessiva de decisores – casos do sr. Reagan e mesmo o sr. Juncker – não fica bem, tão pouco se recomenda.

4 - (Depois de 2008) «Milhões de homens perderam o seu emprego, sem nada terem feito para tal, milhões de famílias foram remetidas para a miséria, milhares de empresas válidas foram exterminadas e os contribuintes foram espoliados como nunca para ocorrerem à banca e ao sistema financeiro, que tinham despoletado a crise com as suas práticas de pura pirataria.»

5 – Foram bandidos internacionais - «sem qualquer sensibilidade social, sem qualquer preocupação de seriedade e de ética nos negócios, movidos apenas por uma ambição sem limite nem vergonha» - os responsáveis por este estado de coisas.

6 – O sr. Juncker que já preside à Comissão Europeia não engana ninguém, o homem ajudou 340 multinacionais «a roubar, descarada e vergonhosamente, os seus países e os respetivos contribuintes». Infelizmente este dumping fiscal já atingiu outros países da União e corre paralelo à atribuição de fartos subsídios estatais a colossos da economia que não têm pejo em despedir, quando os seus fabulosos lucros estão em perigo.

Por conta destas deixas, aqui deixo umas reflexões:

a – A coletivização não funcionou como alternativa válida ao capitalismo, assunto encerrado, devido sobretudo a razões não evocadas no artigo.

(Os queridos líderes não terão seguido à risca o manual de instalação ou usaram uma cópia contendo muitas gralhas, isto sou eu a dizer que lá não estive…)

b - O capitalismo (há vários séculos instalado e instilado no mundo ocidental) venceu a refrega que o opôs ao regime da cortina de ferro, não há outro melhor, tirante ele. Mas, sem ninguém a dar luta, não era suposto ficar patente toda a bondade do sistema e estarmos a viver no globo terráqueo atual como deus e os anjos? Que se passa, então?

(Ao capitalismo tem sido endossada a responsabilização pelo aparecimento incontáveis cadáveres em armários, ou debaixo de camas e nos cemitérios, há pessoas que ainda não se aperceberam disso…)

 c – Para um capitalista assumido, a vida na Terra gira em torno de valores como a liberdade, a igualdade de oportunidades, a promoção social, a democracia. A carteira, acessório indispensável, enche-se ou esvazia-se consoante a capacidade de competir dentro destes valores que consagram o domínio da classe dos possidentes rastas. Cada um faz pela vida, que não há almoços grátis e nem todos podem comer caviar. As pessoas já assumiram que o igualitarismo – tão difícil de implementar no terreno e nos corações - se patenteia afinal na diferença, é assim a modos da outra face das moedas.

(A felicidade adveniente não está na ordem direta de plegárias e comportamentos sãos, mas sim na de teres e haveres.)

d – As transações, os negócios e as operações por esse mundo fora, na atualidade, não estão a correr sobre esferas, para surpresa de muita boa gente. E porquê? Há por aí uma matula gananciosa, da pior espécie, que tomou conta dos comandos da bolsa, da banca, do poder, estão a ver? Esses gajos da panelinha global puseram-se a trocar as voltas ao pessoal, desistiram de criar empregos, para apostar na roleta, possessos de ganância ilimitada, essa é gente ruim que não interessa nem ao menino Jesus.

(Devem ser proprietários de inibições de ordem ambiental, vá o mafarrico entendê-los…)

e – Então, depois de 2008, tem sido o fim da picada, as finanças e a economia global estão do piorio, à conta dos velhacos que desregulamentam tudo, fogem aos impostos, colocam homens de mão nos postos-chave da estrutura montada, uma desfaçatez, que só visto! Comportam-se como émulos do Patinhas, põem sobrinhos, patetas e pataria a trabalhar no duro para suas excelências. E não se esquecem de alargar as caixas-fortes, uma sem-vergonha nunca vista!

(Em Fukushima também crescem, todos os dias, os depósitos… contaminados e também se desconhece como pôr cobro à situação.)

 f – Só pode ser, esses safados, ronhosos e desalmados, que se têm abotoado com fortunas incomensuráveis provavelmente sofrem de maleita rara e degenerativa, que leva ao enfezamento, senão à aniquilação total de manifestação de natureza humana. Estamos entregues à bicharada!

(E a lei da selva aqui tão perto!)

 g – Enquanto se espera a pílula milagrosa e dourada que produza efeitos imediatos - a intervenção de um super ser também dava jeito -, que fazer a essa malta velhaca? Institucionalizá-la? Mandá-la a banhos, a sessões dos Amorais Anónimos ou de moral ecuménica? Aguent, aguenta....

(Paninhos quentes e emplastros não dá, pois não?)

i – Desconfia-se que acumulação exponencial, o busílis da questão, resista a qualquer tentativa de cura, embora isto pese às almas piedosas que costumam verter lágrimas de crocodilo, quando a corda fadista que trazem no peito é tangida inopinadamente.

(Antes assim, o encolher de ombros sistemático e sistémico seria pior!)

 

PS1 - Dinheiro é aquilo com que tudo se compra, digam o que disseram quem por aí brada no deserto ou prega aos peixinhos.

 

PS2 – Um dia a sra. Ivone Silva e o sr. Camilo Oliveira a fazer de «bêbados», em cima de um palco e atracados a um copo de vinhaça e cantavam: «Não sei como há gente que gosta disto! Ai Agostinho, ai, Agostinha, que rico vinho!»

A moderação é coisa fatal, nada tem mais sucesso que o excesso, escreveu um dia Oscar Wilde.

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   MAIS (sempre mais) - Eis o nosso espírito de missão!

 

PS3 – Li recentemente esta historieta que passo a contar (já inclui os pontos de minha lavra):

Havia um bem-falante que se voltou para o povão, na praça pública e assim perorou:

- Cuidado, pessoal, não deixem essa maralha de comunistas (sic!) pôr pé em ramo verde na vossa terra, eles ficam com tudo e não vos deixam casa, nem arrecadações, nem a família, nem deus, só a roupinha que trazem no corpo ou tão só a pele e já é um pau!

Assim foi feito, não os deixaram entrar.

Aquela boa e crédula gente continuou a ser governada com amplas liberdades, condimentadas com os ditames dos direitos humanos, com todas as garantias do mercado, estado social inclusive, numa palavra, eram capitalistas praticantes.

Alguns anos depois, os bancos penhoraram teres e haveres, tiraram casas e a comida da boca à maioria deles que ficaram com a vida feita num oito, ou num inferno.

Daquela praça pública tomaram conta as aves de mau agouro; as de rapina fizeram-se ao largo.

Trompe d'oeil.jpg      Um espelho em trompe l’oeil! Adoro!    

 

 



publicado por Jorge às 09:04
Sábado, 06 de Dezembro de 2014

 

Tirem-me deste filme!

O nosso homem governara o país às 3 pancadas diziam uns a mim deu-me uma pensão diziam outros ele tentou endrominar o pessoal mas amouxou diziam figuras umbrícolas que circulam à vontade pelos paços dos estaus.

O nosso homem sendo um grande rato de biblioteca sabia pelos clássicos que o cavalo do poder e para mais encilhado não passa 2 vezes à mesma porta. Inopinadamente passou pela sua assim que o lobrigou saltou-lhe em cima ferrou-se à garupa o cavalo tomou o freio entre dentes vai daí ele agarra-se às rédeas crava ambos os braços em torno da cabeça do bicho dá às esporas e aqui vou eu para as minhas 7 quintas.

Soube-se mais tarde ser o nosso homem detentor de dom e faro imanentes para cavalgar toda a sela quanto a ter misericórdia aí mais devagar. Seria depositário fiel de um egotismo insustentável como a leveza do ser do estilo daqueles que raramente se enganam e poucas vezes têm dúvida lá diz o povo na sua imensa sabedoria que o poder induz o orgulho e este a insolência. Apontam-lhe também como imanentes a fúria de comunicar e o psitacismo crónico na forma de expor e que fugia a 7 pés dos riscos sobretudo dos sistémicos. Que estava bem aviado para a peregrinação de 6 anos que se seguiu parece não restarem dúvidas é que pode ser muito filosófico tergiversar no decidir é que está o ganho e é obra para poucos e bem dotados assim seja.

O nosso homem era um mãos-largas se lhe falavam em guardar dinheiro no porquinho no lenço ou no colchão atirava-se ao ar o dinheiro tem piada para se gastar seja o do património próprio seja emprestado que o progresso assim o exige. Bem se esforçou por fazer obra que se visse que não era de atirar a toalha ao chão sem mais aquelas e ter-se-á mostrado exímio no cumprimento de uma tradição do mando doméstico ser mãos-rotas para os amigotes diletos e distribuir cachações e tálitros a quem não lhe apara os golpes.

A páginas tantas o nosso homem recebe a má notícia os banqueiros nacionais regionais unionistas e internacionais estavam a querer o dinheiro emprestado ou malparado de volta depois de chamuscados em altas cavalarias noutras paragens.

Reza a estória que iam caindo os grãos aos pés do nosso homem que teve sucessivos ataques de fúria a especialidade da casa fora quase sempre parecia um cordeirinho de palavras calmas e delicodoces. Apanhado à má-fé ficou sem saber para onde se voltar precisava de graveto como pão para a boca remodelar escolas e setores que levaram pela medida grande as suópes e as pepepês tadinhas estavam em perigo e mal tinham dado os primeiros passinhos as empresas na hora os Magalhães os túneis os troços ferroviários iriam por água abaixo mas que ganda porra.

Passa para cá o nosso ó Abreu repetiam-lhe à saciedade os magnatas que por sua conta e risco fundaram um imperium in imperio sem respeito por nada nem ninguém o dinheiro traz a felicidade e o cetro agarrados há muito que estes melros mandavam mais que os governos escolhidos a voto que era o cerne da democracia. Se não sabes como desembrulhar a prenda a gente dá-te uma dica esmifra o Zé esse pobre coitado que passa o tempo a contar os dias que faltam para receber o salário ou a reforma e alomba até mais não e que só quer ser mandado lá dizia o outro e vivó velho.

O nosso homem assim fez apertou de fininho os calos ao Zé mas não deu certo pôr remendos numas calças já muitas vezes remendadas quase no fio só piora o estado das mesmas. De polegares para baixo os cubas fizeram orelhas moucas a gemidos e a novos pedidos de clemência que deus perdoa nós não.

E ele foi-se embora quem não pode arreia o nosso homem passa a pasta e vai estabelecer-se na cidade onde as cegonhas da santa terrinha vão buscar os bebés lavo daí as minhas mãos e logo se verá se há quem esteja pelo menos à minha altura. Atira-se às lições de filosofia e também lhe dá para aconselhar farmacêuticas que lhe vão bater expressamente à porta e não me venham com cantigas que ele não percebia peva ou boi daquilo ele sempre foi tipo de ir a jogo mesmo sem jogo. Tivesse proporcionado a santa terrinha dos brandos costumes e poucos teres e haveres honrarias fundações ou pedrarias e ele não teria de andar à cata da rolha cambada de invejosos.

Um dia estava o nosso homem integrado numa romagem de saudade passa pelos estúdios da televisão central no preciso momento em que o guarda de serviço estava a coçar as partes dá-lhe na maluca e entra por ali adentro a ensaiar uns números de prestidigitação nunca dantes tentados acham-lhe piada e passam-lhe para as mãos um programa de comentário ao qual comparecia religiosa e litigiosamente todas as semanas vindo expressamente da capital do Hexágono. A atração por estar do outro lado dos holofotes o calor das câmaras o seu requintado gosto por comunicar mexiam mas ele gostava sentia-se bem em lavar a roupa suja e a levar a água ao seu moinho onde era escassa a farinha diga-se de passagem.

O nosso homem curtia bater na maralha que estava agora no poleiro e que veio com essa narrativa de andar a pagar os calotes que ele deixou mentirosos duma figa só me apetece agatanhá-los tudo tinha ficado na maior vocês é que deram bronca. Esteve vai-não-vai para lhes fazer uns corninhos em direto mas conteve-se a tempo.

Andou nisto muitos meses vivó velho e num belo dia estava a chegar ao aeroporto da capital provindo da cidade luz quando é encadeado por holofotes que ele tomou por amigos mas desta feita estavam ali para o verem filado a ir de cana voltou-se o feitiço contra o feiticeiro.

Para quê tanto estardalhaço informativo sem bolinha nem nada alguém soube por portas e travessas e aproveitou-se da situação que desprestígio para as instituições qualquer dia ninguém quer governar para passar por estas e sabe-se lá se por outras que estão por inventar.

Poucos acreditam que o nosso homem tenha feito mão baixa da caixa das esmolas ou tenha andado a assaltar velhinhas ou outros cidadãos honestos com seringas contaminadas mas se fez sacanagens do género deixem campo à justiça que é cega mas vê mais que muitos que têm os 2 olhinhos bem conservados.

Não foram poucos os amigos do nosso homem que rasgaram as vestes em atitude de desagravo mas ninguém sabe onde nem como que isso é segredo de justiça. Certo e sabido é que ele sestá a estiolar numa choça dourada do-mal-o-menos não vá o animal feroz fazer mais das dele.

Um vizinho do lado ontem passou por cá a buscar um punhado de sal e um raminho de salsa e disse de sua justiça que foi indecente terem filmado o nosso homem sem estar devidamente maquilhado está mal. Indiretamente o tipo está a fazer a cama a muitos fieis da congregação a que presidiu veja lá que o sr. Costa já não consegue a tal cabazada já parece o SCP dos últimos natais. Aconselhava a prudência e o bom senso que não se deixasse ludibriar pelas sereias e que desse o piro e se pusesse a milhas antes que fosse tarde até parece que encontrou o que queria. Assim talvez chegue a sacristão da séjana sem desprimor para os sacristães como o trapalhão daquele presidente do clube de estimação da bola dele até parece que estão um para o outro.

img516[1].jpg          Por cima, caraças, por cima!

 



publicado por Jorge às 12:05
Terça-feira, 02 de Dezembro de 2014

    Um grupo de 4 compinchas tinha um pote bojudo prenhe de mel de que se serviam em momentos azados. Filino tinha sido o último a aderir e foi o primeiro a ceder à tentação: em dia aprazível e não aprazado, alçou-se até ao esconderijo do e foi-se ao pote. Chegado a casa, disse que o púcaro era seu, que lho tinha sido ofertado pelos seus bonitos olhos. Na casa estavam reunidas várias pessoas que provaram, comeram mel à ganância e disseram que era muito bonzinho.

   Foi tal o sucesso da aventura que se imaginou a: aprender a lidar com as abelhas, mandar construir colmeias topo de gama e chamar a si os terrenos das flores onde pousavam os insetos amigos. Meu dito, meu feito, deu um passo de cada vez e às tantas estava estabelecido em empórios de aquém e além-mar.

   Bastantes anos transcorridos, Filino lembra-se dos compinchas do pote de mel bojudo e enceta démarches no sentido de os localizar, queria-os a colaborar numa das suas variadas empresas que produziam mel e derivados. Nos tempos que correm, de informação global e eficiente, fácil se torna obter novas e mandados, pelo que lhes ficou no encalce num abrir-e-fechar de olhos, prouvera aos deuses que se alembrasse antes…

   Quem sabia confirmou que os 3 antigos compinchas tinham partido desta para melhor, tal o desgosto de terem perdido um amigo do peito que se atrevera a aplicar-lhes o golpe do baú.

   Filino ficou para morrer de estarrecido. Ocorreu-lhe mandar celebrar exéquias em sua memória, quando alguém lhe lembra que a vida tem de continuar. Era a sua preciosa coacher particular de momento, a alertá-los para um compromisso inadiável, já a seguir.

   Num ápice recuperou a compostura e o sangue frio costumeiros, ao mesmo tempo que compunha o fato-de-grilo. Acertado o porte de membro de pleno direito das elites, persignou-se, entrou na viatura à-prova-de-tudo e aprestou-se em comparecer na cerimónia de assinatura de um contrato de exportação de milhões de potes bojudos de mel para a Micronésia, Polinésia, Melanésia e Amnésia.

 

 

 

 



publicado por Jorge às 11:57
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