Quinta-feira, 25 de Junho de 2015

   O representante da tribo da oposição na casa comum clamou pela incompetência e irresponsabilidade dos mandantes da tribo que governa a santa terrinha pois não acertam uma e vão de barraca em barraca até à deposição que os aguarda lá para as bandas de outubro e é bem feito veja-se os casos da emigração e a dívida pública que crescem a olhos vistos por imposição do trio de torcionários ao serviço do poder entronizado que é o dos bancos multinacionais e plutocratas isto sou eu a dizer não nos venham com cantigas vocês alinharam sempre de cara alegre e coração quente com os sacrifícios impostos ao Zé e que vocês tentam demonstrar que caíram aos baldões do céu por imposição dos pecados mas que valeu a pena olhem-me estas almas pequenas a armar-se ao pingarelho e em pitonisas inda as coisas compuseram-se para meia dúzia de amigalhaços isso talvez isto seu a dizer outra vez e para cúmulo dos cúmulos e com o maior desplante deste mundo e arredores põem-se a organizar um repasto para comemorar o primeiro aniversário da abalada da tríade que mais soube a lamentação pungente não a despedida desejada tanta as lágrimas de crocodilo vertidas que só visto.

   O representante da tribo da oposição estava lançado e continuou a vergastar o maioral e seus ajudantes de campo por tanto se reverem nos modos e modilhos da tríade de torcionários tanto assim que tiveram a distinta lata de ir mais além nas torturas por conta da continha calada adregada na última colheita de votos andaram a gozar com o Zé foi o que foi provavelmente afiançados no argumento duma fita muito em voga que quanto maior o sofrimento maior o é o gozo ora o que foi feito nestes quase 4 anos é sacanice da pura e dura para com os que mais trabalham que são os mais desprotegidas como se não fôssemos todos filhos de deus e não precisássemos de viver bem isto sou a dizer que a tanto não se atreveu provavelmente o representante da tribo da oposição por uma questão de má consciência que é a modos do mal da traça que dá e passa sim que a tribo da oposição já por diversas vezes teve a faca e o queijo na mão.

   Em vez de cara de caso o chefe da tribo reinante pôs-se a mofar do outro a reinar pronto ao ponto de ser acometido de um ataque de riso que não foi fulminante mas esteve próximo disso ainda bem para ele que se safou riu tanto que quase se mijava pelas pernas abaixo mas conseguiu dominar o xixi a tempo de partir para cima do opositor a dizer-lhe das boas que tivesse vergonha de ser xenófobo que toda a população comemorou a saída da trindade protetora que veio de fora aí eu fiquei sem pinga de sangue isto é uma refinada mentira eu não comemorei coisa nenhuma em primeiro lugar porque sabe mal a comida servida com lágrimas de tristeza agora as lágrimas de alegria abrem-me o apetite de resto sempre que me lembro do tripleto trompicador atiro uma dúzia de palavrões de enfiada portanto tirem-me da lista dos comemoradores que faço questão já agora um supônhamos que eu recebia um convite para a segunda jeremiada eu não aceitava é que naquelas festas come-se pouco isto sou eu a dizer que nunca pus pés em banquetes da alta prefiro o estilo enfarta-brutos não contem comigo para carpir mágoas de barriga vazia.

   Voltou à carga o chefe da tribo da oposição e disse que o maioral e seus acólitos e acólitas deram provas de irracionalidade e de imponderabilidade suponho eu que esta última seja uma coisa que afeta os astronautas e não sei se os extraterrestres também pelo que se estranha a referência a essa coisa de imponderabilidade talvez os mandantes sejam mesmo gostem do vazio sideral a verdade é que nos têm posto siderados isto sou eu a dizer andam sempre a cortar aqui a plafondar acolá a remexer nisto a abaixar aquilo é uma tristeza andar a mandar para fazer figuras tristes isto sou eu a dizer já parecem aqueles apresentadores de tevê que oferecem dinheiro a cada instante e deixam mandar beijos e abraços aos pobrezinhos que têm muita honra em ser pobrezinhos e com muita família espalhada pelo mundo quanto à irracionalidade essa é forte uma pessoa é um animal racional e portanto distingue-se sempre pela racionalidade nunca pelo seu contrário embora possa parecer parece tão simplesmente que os mandantes correm de forma racionalizada atrás do prejuízo e do tempo perdido que há de voltar atrás.

   «É agora que as vai levar» pensei eu quando o maioral pegou na palavra pensei que se atirasse às fuças do líder oposicionista ou na melhor das hipóteses o desafiasse para um duelo a doer com armas à escolha dele uma g3 provavelmente que não me parece hábil para outras armas o maioral desmanchou-se a rir às escâncaras agarrado à barriga e pensei que se finasse ali mesmo aquilo deve ter sido piada que algum dos acólitos lhe mandou fiquei sem pinga de sangue mas nada aconteceu de excecional depois para disfarçar pôs-se a falar falou de confiança e prudência para não acordar o dragão da dívida há quem os adore aos dragões isto sou eu a dizer e que é preciso ensinar o pessoal a pescar eu por acaso não sabia que o maioral sabia pescar e hoje não está com ar de escamado de forma alguma agora é verdade que tem aquelas maneiras educadas brandas mesmo de professor do antigamente portanto dos bons lá isso ele tem agora tem mais ar de quem sabe dar banho à minhoca portanto não sei como se vai desenrascar.

   No fim da sessão médicos de serviço fizeram uma peritagem ao físico do maioral temiam que tivesse contraído tétano e estivesse a precisar de um período de quarentena qual quê disse o maioral desamparem-me a loja que tenho já a seguir uma sessão de risoterapia que faço questão de recomendar a toda a gente.



publicado por Jorge às 17:15
Segunda-feira, 15 de Junho de 2015

Eram 5 amigos, que, depois de muita conversa, decidem ser altura de levantar âncora da sua zona de fraco conforto e triste consolo (o habitual para a maioria destas bandas), no tempo da velha senhora. O que lhes é permitido ganhar mal dá para o pão e para o tabaco, só para aquecer e a recruta ali tão perto... Usar e deitar fora, é a prática habitual.

Fartos daquela sociedade oligárquica, com cada macaco obrigatoriamente em seu ramo, em que se põe e dispõe bel-talante das pessoas que não nasceram de rabo voltado à lua, pois o destino traçado à nascença assim o determina, decidem ser a altura certa de se porem ao fresco. Vão desarvorar dali-para-fora, assim não dá!

- Para onde vamos, por onde vamos? – A questão é levantada pelo mais expedito.

Pensam em voz baixa, durante algumas noites, até que fica claro o destino: irão para terras de França, a salto, não pode ser de outra sorte, ora bem!

Alguns dias depois, há novo encontro dos 5, às escuras e às esconsas.

- Como vamos, quando vamos? – A questão é levantada pelo menos expedito.

É isso, é preciso encontrar um engajador que cumpra com a sua palavra, como qualquer empresário que se preze. Fica decidido que vão abordar Fulano-de-tal, para que os levem a porto seguro, no mais breve lapso de tempo. Logo ali é sorteado qual deles estabelecerá tal contacto.

Não há tempo a perder, rapidamente se chega à fala com o tal Fulano-de-tal, um perito em candongas, que aceita a incumbência, por isso acerta custos e trâmites a seguir. Será daí por 2 meses. Seguirão de táxi, sicrano de tal é pessoa de confiança, não vai dar com a língua nos dentes, ele leva-vos até um sítio que eu cá sei e depois pelos próprios meios, até Paris.

Famílias avisadas, reúnem os parcos teres-e-haveres em malas de cartão ou mochilas mal-enjorcadas, pela calada, que o seguro morreu de velho!

Pela idade, estão proibidos de deixar o solo pátrio (mal sabem eles que num futuro próximo a saída sem peias e sem pieguices será incentivada), a guerra quando declarada é para todos os mocetões da pátria que se faz amar, pacta sunt servanda, que é como quem diz que dos pactos assinados (à nascença?) com deus, pátria e família, não se lhes pode fugir. Outros há que acham que tais pactos nem lembram ao diabo e não têm ponta por que se lhe pegue. Estavam neste último caso os 5 amigos. Era ainda cedo para ir ter com os anjinhos, sem terem tomado o pulso à vida!

No dia aprazado, saem antes da alvorada, lágrimas contidas e coração desfeito, são encaminhados ao chofer que os levará a Nice, abrindo de par em par as portas do eldorado. Na hora são feitos os pagamentos acertados, arrumam as trouxas na bagageira e ei-los a caminho da aventura, coração nas mãos e expetativas no máximo. Os pontos nevrálgicos – há muitos agentes que não transigem! – são evitados a todo o custo, o dia até ajuda, chove que deus a dá, pôs-se o tempo de má catadura, isto vai, malta, isto vai! Tudo correu sem grandes sobressaltos, de facto.

Transcorridas horas que parecem infindáveis, alpardinha, volta-se o chofer para os 5 amigos:

- Chegámos, amigos, chegámos à terra prometida, ora vejam! – Diz, apontando uma placa sinalizadora, onde se lia Nice.

- Já chegámos a França, sempre julguei que demorasse mais tempo, até pelo guito?! – Comentou um que não era nem o mais nem o menos expedito.

- Peguem nas vossas coisas e mexam-se ou ainda damos nas vistas. Paris fica sempre em frente, não há que enganar! Mais cedo partam, mais depressa lá chegam e tanto melhor para vocês e muitas felicidades!

Apressam-se a seguir o trajeto indicado e chegam a Paris, bastante tempo depois, diga-se de passagem. Quando isso aconteceu, já houvera tempo para que fossem declarados trânsfugas e para que as autoridades da terra natal tivessem tentado tirar nabos da púcara junto de familiares, amigos, inimigos e assim-assim sobre o paradeiro deles. Até as guerras a que se haviam furtado estavam a dar as últimas e eles já tinham comido muito pão amassado pelo séquito de rabudos que tinha escolhido França para palco das suas safadezas.

Transcorre inexorável o tempo, o tal que baralha tudo e que não perdoa alguma vez, atitude pouco louvável diga-se. Por isto e por outras coisas mais, o tempo foi escorraçado do éden.

Anos depois, os 5 amigos voltam às berças, contentes e felizes com a nova vida, e in loco se asseguram-se que ninguém lhes levou a mal a saída extemporânea. Antes foram sempre apontados como heróis, por terem desfeiteado o regime dito de novo, mas que era mais velho que a sé de Braga. Mais, era-lhes gabado a virtude de terem ocorrido sempre às suas famílias nas suas necessidades.

Por isso, apreciam aquele mês muito intenso, decorrido entre recordações, emoções e paixões.

Ainda arranjam tempo para uma combinação: o reencontro com o chofer que os tinham levado, no local de partida, à mesma hora, do mesmo dia e do mesmo mês.

O chofer foi mais tarde encontrado com 5 balas alojadas na cabeça e disparadas de uma arma comprada de véspera.

- Com que então Nice de França, deixaste-nos em Nice de Portugal, cabrão!!! – Regougaram os 5, à vez.

Aqueles amigos nunca mais voltaram às berças, está bem de ver.



publicado por Jorge às 11:25
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