Quarta-feira, 21 de Outubro de 2015

- Eu sou o grande vencedor das eleições, ainda não me deste os parabéns.

- Ganhaste, para mal dos nossos pecados, mas perdeste votos e maioria absoluta, mas podes levar a taça, parabéns!

- Não te levo a mal a acrimónia...

- Nunca pensei perder, derrubei o meu antecessor e cri que seriam favas contadas!...

- Maus palpites toda a gente tem. Se souberes guardar um segredo aqui vai um: não sei que fazer com esta vitória.

- É simples, a seguir continuas no poleiro!

- O presidente disse o mesmo, mas não sei, não me apetece...

- Desculpa, concorreste coligado, ganharam, assumem o poder, tão simples quanto isto!

– Sim, em parte tens razão e até já fiz um acordo de governo com o meu compadre, já tenho a lista completa de quem quer ministrar, assessorar e coadjuvar, mas...

- Não há mas nem meio mas, diz lá quando será a tomada de posse, eu lá estarei...

– Esperar é virtude do forte.

– Não vás sem resposta, a fome e esperar fazem rabiar, cuidado! 

– Ainda estou indeciso e acho que te vou passar a bola a outro, a ti, por exemplo...

– Ensandeceste, por certo!

- Estou a falar a sério, tu estás melhor posicionado e capacitado para formar um governo maioritário...

- Brincamos, ou quê, o meu partido ficou em 2º lugar, o poder é teu, não me podes obrigar a ir contra a corrente ou contra a maré!..

- Ouve, eu sei que estás habituado a compartilhar com malta de partidos mais radicais.

– Isso é verdade, já lhes conheço as manhas! Mas, porque não tentas o mesmo?

– Ora bem sabes que não tenho estômago que a tanto resista! Podes compor uma maioria absoluta e um governo estável, com malta dos partidos que ficaram em 3º e 4º lugar e que vão à bola contigo, comigo não!

- Tenta, de início estranha-se, depois entranha-se...

– Passo, não sou capaz!...

– Vais passar pela vergonha de explicar aos teus votantes que tens mau perder.

– Cá me hei de amanhar, arranja-se uma escapatória, olha sou bem capaz de me demitir.

– O que aí vai!

– Tu e os teus aliados têm tudo para contentar a malta dos mercados com um pé às costas, é só deixar andar, verás que não custa nada!...  

– Modéstia à parte, acho-me capaz de ombrear contigo!

– Ora, assim é que é falar!

– Custa-me ver-te assim tão amarfanhado!

– Os santos não têm costas!

– Obrigado pela confiança, eu vou conseguir por ti!

(Este diálogo ocorreu naturalmente ou no dia de S. Nunca-À-Tarde, ou no dia em que caiu o Carmo e a Trindade, pouco tempo depois de eleições legislativas, do ano da graça de 2015.)

 

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publicado por Jorge às 18:00
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