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oitentaeoitosim

05
Out16

Memento

Jorge

Homenagem simplicíssima e inesperada ao Conde de Monsaraz e Adriano Correia de Oliveira.

Com afetos.

Pedindo permissão toda deste e do outro mundo...

 

O SENHOR MORGADO

 

O senhor morgado

Vai no seu murzelo

Todo empertigado.

É um gosto vê-lo

Próspero anafado,

Véstia alentejana,

Calça de riscado,

Homem duma cana!

Vai, todo se ufana

De ir tão bem montado

E ela na janela...

Seja Deus louvado!

 

O senhor morgado

Vai nas próprias pernas

Todo bambeado

Tem palavras ternas

Para cada lado.

Quando passa, sente

Que é temido e amado

Fala a toda a gente

Topa um influente

“Sou um seu criado...”

Eleições á porta,

Seja Deus louvado!

 

O senhor morgado

Vai na sege rica

Todo repimpado

Ai que bem lhe fica

O chapéu armado

E a comenda ao peito

E o espadim ao lado

Que homem tão perfeito!

Deputado eleito

Muito bem votado

Vai para o Te-Deum

Seja Deus louvado!

 

05
Out16

Zelos III

Jorge

No rescaldo de incêndios portentosos, vem uma especialista e opina:

- É preciso limpar a matagueira e pôr lá arbustos e árvores indígenas!

Chega-se à frente um especialista e sentencia:

- É preciso cortar a matagueira, pôr lá arbustos e árvores espontâneas e também fazer apascentar umas ovelhas que garantam a limpeza dos ecossistemas.

Eis senão quando, é chamada outro perito a depor:

- É preciso cortar a matagueira, pôr lá arbustos e árvores espontâneas e subespontâneas, povoar os ecossistemas com ovelhas que garantam a limpeza naturalizada e que sejam abertos sem mais delongas concursos públicos para admissão de pastores!

Só depois chegou a vez da nova perita pronunciar-se:

- É preciso cortar a matagueira, pôr lá arbustos e árvores indígenas, povoar os ecossistemas com ovelhas que garantam a o funcionamento sistémico dos ecossistemas, abrir concursos para admissão de alavoeiros e prestar apoio psicológico aos pirómanos.

Meu dito meu feito, transcorrida meia-dúzia de anos de aplicação do plano, já não sobrava matagueira, nem arbustos, nem árvores, autóctones ou de importação, nem ovelhas, nem pastores, nem pirómanos, só pedaços de construções calcinadas. Os peritos e especialistas tinham sido acometidos de burnout...

 

Zelos III, a (1).jpg

 

 Três craques de futebol dos mais badalados da época defendiam as cores da mesma coletividade e davam-se como deus e os anjos, dentro das 4 linhas. Aquilo era vitória atrás de vitória, sendo os insucessos facilmente contornados por grandes vitórias e muitos troféus que ajudaram o clube a adregar troféus. Estudos feitos revelavam que a sintonia de passes entre eles, a boa execução das táticas, das estratégias, do modelo de jogo entre linhas e o próprio estilo de jogo, na vertical ou na horizontal se ficava a dever, afinal, a uma caraterística fisionómica comum ao trio-maravilha. Um especialista na matéria, universitário de fim de carreira, homem de fácil ensimesmamento, obstina-se na procura de uma resposta à questão pertinente. Após muitas luas a curtir os cenários de explicação plausíveis, publica uma súmula que patenteia uma ideia nova: os 3 atletas eram baixotes, o que facilitava que se mirassem olhos nos olhos, durante os jogos. Logicamente que se um deles fosse um cangalho, outro meão e o terceiro minorca, o desencontro seria certo.

Estará bem caçado o achado. E abandonei-me a analogias, como esta: os casamentos e uniões de facto não resistem tantas vezes à corrosão temporal, porque um dos parceiros ou parceiras teima em ser mais alto? Ou por algum ou alguma deles(as) se julgar craque?

 

 

Zelos III, a (2).jpgEu juro que não me importo nada que me chamem de caga-tacos!

 

 

 

05
Out16

Zelos II

Jorge

.O atual governo não consegue acabar com as taxas de manutenção aplicadas à má fila pelos bancos.

Mas, eu não sei, a bem dizer, se o atual governo já se propôs a pôr um travão nesta manobra de capitalização implementada pelas sempre respeitáveis instituições bancárias.

.O atual governo fez sair legislação que vincula as empresas de telecomunicações à criação de novos pacotes, tarifários e preçários para prazos inferiores a 2 anos de fidelização, ao que as empresas do ramo ripostaram com preços inimagináveis para pacotes, planos, taxas de ligação, etc....

Porém, eu não sei, a bem dizer, se o atual governo já se propôs, ou se tem hipóteses de obrigar tão venerandas firmas a emendar a mão.

.O atual governo não deixou que as pensões e os ordenados continuassem a ser cilindrados como na governação anterior.

Contudo, eu não sei se, a bom dizer, se o atual governo já se propôs em arranjar maneira de tolher passo à danada da inflação que come tudo-tudo-tudo (mas é para bem do crescimento da economia, diz-se!)...

.O atual governo quer a Uber e a Taxify, 2 multinacionais do ramo, a competir com os táxis tradicionais, os quais não estão pelos ajustes, por conta dos alvarás e alcavalas.

Todavia, eu não sei se, a bom dizer, pela cabeça dos atuais governantes perpassou a ideia de fazer marcha atrás naquele seu propósito, o que é multinacional é bom investimento, como agora sói dizer-se...

.O atual governo sabe muito bem que o turismo vive uma conjuntura em alta acentuada - por males doutros tradicionais destinos -, o que leva à prática de preços mais carotes na oferta dos estabelecimentos de hotelaria e restauração.

Não obstante, eu não sei se, a bem dizer, pela cabeça dos atuais governantes atual perpassou o propósito de voltar a baixar o IVA-da-restauração, para não matar  a galinha dos ovos de ouro?...

.O atual governo queria consagrar na lei o acesso legal e universal às contas com depósitos superiores a 50 000 euros, mas levou sopa do PR, o afetuoso.

Entretanto, eu não sei se, a bom dizer, na cabeça dos atuais governantes assentou a ideia de voltar a insistir na coisa; para muito bom cidadão estilo «faz- o-que-eu digo-não-faças-o-que-eu- faço» é útil e utilitário que o Fisco não tenha autorização formal para meter o bedelho e/ou proceder a confisco (os promitentes investidores estrangeiros convivem bem com a cusquice/devassa de contas)...

.O atual governo quer cobrar um imposto a quem detém imóveis, ainda não se sabe se acima de 500 mil ou 1 milhão de euros, desde que não se destinem a arrendamento, uma ideia brilhante retirada do baú dos anteriores dirigentes do país.

Apesar de tudo, eu não sei se, a bom dizer, na cabeça dos atuais governantes poisou a ideia, pouco original, diga-se, que os abastados possam começar a fazer arrendamentos uns aos outro, ou então a registar as propriedades lá fora (podem, não podem?)

. Ao atual governo apetece aplicar aos arrendantes locais e tradicionais taxas da mesma bitola.

No entretanto, eu não sei se, a bem ou a bom dizer, na cabeça dos atuais mandantes pousou a ideia que podem estar espantar a caça, ou, dito de outra forma, a tentar sacar mel do traseiro de vespas...

(Atrevo-me a sugerir que, face às atuais dificuldades da conjuntura económica do país, isto está mesmo a pedir a criação de novos impostos ditos indiretos e o reforço de outros, nomeadamente os que taxam o consumo do tabaco, de combustíveis, para variar...)

Zelo II.jpg

Meu Deus, Ethel...Não podes andar em público nesses preparos!

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