Sábado, 26 de Novembro de 2016

As cenas insonoras foram muito comentadas.

Aconteceu no túnel de acesso às cabines onde se equipam os jogadores no estádio.

No túnel de acesso às cabines onde se equipam os jogadores no estádio, aconteceu uma bronca.

No túnel de acesso às cabines onde se equipam os jogadores no estádio, aconteceu uma bronca entre os presidentes dos 2 clubes acabadinhos de disputar um encontro para a competição futebolística mais badalada do país.

Imagens mostram ambos os presidentes de ambas coletividades envolvidas que zangarilham.

Ambos os presidentes de ambas coletividades que zangarilham parecem zaranzas.

Pouco faltou para que ambos os presidentes que zangarilham e que parecem zarés passassem a vias de facto, à zargunchada.

Depois, em conferência de imprensa, no estádio da contenda – não lhe terem cortado o pio é prova de que quem não deve não teme - um porta-voz indigitado do clube B disse cobras e lagartos do presidente do clube A.

Depois, um porta-voz indigitado do clube A, no próprio estádio, disse cobras e lagartos do presidente do clube B, em conferência de imprensa, ressalvando que ninguém gosta de ser maltado na sua própria casa.

(Esqueceram-se da estratégia «Vamo-nos deitar que estes senhores se querem ir embora»...)

Mais tarde, os clubes A e B fizeram comunicados a zurzir nos presidentes opoentes.

O clube A participou oficialmente do clube B, mais tarde.

O clube B participou oficialmente do clube A, antes ou depois do clube A.

Os clubes A e B acham que a razão está do seu lado e não parecem dispostos a aceitar um veredito incriminatório.

O clube A chegou a contratar um zoilo para comentar os acontecimentos, tentando passar por cima das tristes figuras.

O clube B contratou especialistas de novas tecnologias que comprovassem da possibilidade duma cusparada virar fumaçada e vice-versa.

Os clubes A e B têm encontro marcado, em breve, numa competição futebolística mais secundária do país.

(Consta que está a desenhar-se uma campanha no sentido de refazer o sorteio que os pôs frente-a-frente. E depois, não há por aí um punhado de ingénuos a propor, em momento pós-eleitoral, a repetição da ida às urnas, para escolha do presidente gringo?)

O clube B era o promotor do espetáculo.

O clube A, noutras ocasiões, tem organizado espetáculos e é suposto continuar a organizar espetáculos.

As cenas insonoras dos acontecimentos escabrosos – encolhidas e escolhidas a dedo e filmadas no túnel de acesso às cabines onde se equipam os jogadores no estádio onde se disputou aquele jogo de futebol – cheiram a agressividade e/ou violência, que se diz ser inerente à natureza humana?

 Venha o dianho e escolha...

 Dá-se o caso da LPFP (Liga Portuguesa de Futebol Profissional) ter aprovado um regulamento de competições que, no artigo 6º (Deveres do promotor do espetáculo desportivo), da secção I (Procedimentos preventivos e de segurança em todos os jogos e competições), do capítulo II (Procedimentos de prevenção e segurança), do anexo VI (Regulamento de prevenção da violência) atribui a todo e qualquer promotor do espetáculo desportivo, sob a sua alçada, o dever de «usar de correção, moderação e respeito relativamente a outros promotores de espetáculos desportivos e organizadores de competições desportivas (...).

 A insonoridade da peça restringe cenários. A haver agressividade e/ou violência, a derrota efetiva, para ambos os lado poderia ser o desfecho expectável, derrota moral, quer-se dizer, que assim não se contraria os regulamentos...

 (Dúvidas existencialistas: Terá havido autorização judicial para a gravação? A futilidade já não é dispensável mesmo? A gravação foi motivo de despacho judicial?)

 

Fair play

Agressivo.jpg

Procura-se vendedor agressivo.



publicado por Jorge às 12:03
Segunda-feira, 21 de Novembro de 2016

Não basta fugir, é necessário fugir para o lado mais conveniente – Charles Ramuz

 

Pedro João é tipo de meia-idade, alto (e altaneiro), espadaúdo, bem-parecido e sem traços de ter passado mal, em qualquer momento da sua vida. Empresário agrícola e pecuário, ganhou um gostinho especial por andar aos tiros à bicharada, ao ar livre, em caçadas e seus derivados. Em situações de aperto – confessou, há pouco -, sobrevive à custa de nozes e castanhas e da manducação do que lhe vem à rede ou à mão que pode ser peixe.

Diz-me o pouco que comes, dir-te-ei por onde tens andado.

Um dia estava ele nas imediações dum estaleiro dum novo hotel, à noitinha, quando foi abordado por 2 agentes da GNR (Guarda Nacional Republicana). Dá-se uma cena canalha, de tiros à mistura, em que morre um agente e o outro fica muito mal tratado, desafortunadamente.

Pedro João faz-se ao largo, durante 4 semanas, período durante o qual ver-se-á envolvido em vários episódios escabrosos, durante os quais morre ainda outra pessoa e cinco ficam feridas, infaustamente, dando de barato episódios de gamanço a que o seu nome está associado.

Muito corre quem bem corre, mas mais corre quem bem foge, em tempo de paz, quando se  tem por intolerável a subtração de vidas humanas.

Por conta da fuga, Pedro João passa ao rol dos assassinos potenciais e dos orates de quem é preciso evitar as vistas e/ou denunciar o paradeiro. Ele confessou, há pouco, que fugiu para não ser abatido à má fila.

O temor sempre suspeita o pior.

Concidadãos do Pedro João, sobretudo os das vizinhanças mais batidas, vivem com o credo na boca e sem pregar olho, jornadas a fio. Eu confesso que temi e não passou uma hora em que não tenha pensado no que fazer caso ele vagueasse pela minha porta. Avisaria a PSP (Polícia de Segurança Pública) e que o engazupassem.

Posso ser acusado de falta de sensibilidade social, mas confesso que fiquei mais aliviado, quando constou que o homem teria sido visto, pouco tempo depois de iniciada a fuga, no norte do reino de Portugal, em Castela e talvez por Franças e Araganças.

Do suspeitoso não muito perto, só muito longe...

Os órgãos de comunicação social andaram-lhe no encalce, com reportagens, diretos, telejornais feitos em locais supostamente frequentados pelo fugitivo. Andaram à cata de vizinhos e amigos do rapaz e quase todos afiançavam que ele era um paz de alma; ao invés, os familiares, amigos e vizinhos das vítimas diziam dele o piorio.

 É inumano calar a dor.

Uma amiga do Pedro João diz pôr as mãos no lume por ele, portanto que se entregue de mãos a abanar. Um médico amigo da sua família, uma das mais estimadas dos arredores, jura e trejura que o rapaz é um Portugal-velho. Mas, que venha a terreiro a pôr as coisas em pratos limpos, que se renda.

A culpa atribuída a quem se ama dói mais, mas perdoa-se mais depressa.

Estava-se nessa fase, em que a maioria da população acharia que o Pedro João merecesse um lugar à sombra, que não passava dum sacripanta, dum crápula, dum estrupicento, dum estabanado estoira-vergas, dum estúrdio dado ao palmanço, etc...

Em simultâneo, os órgãos de comunicação também andaram no encalce de jornalistas, advogados, psicólogos, psiquiatras, sociólogos, especialistas em linguagem propriamente dita e linguagem corporal, gente que não conhecia o Pedro João de lado algum, por isso mais capaz de juízos independentes.

Quanto sabes, quanto vales.

Os videntes são postos de lado, porque estavam todos em contacto com o além, quando foram abordados. Bombeiros, batedores e exploradores de trilhos lá da terra, invocaram problemas de comunicação, para não serem ouvidos.

A fome que tu sabes já dela me esqueci...

Mas, seria o Pedro João culpado? Já depois daquela cena de o saber bem longe do meu posto de reportagem, confesso que vacilei. Cheguei a acreditar que sim, que aquela bisarma de homem estaria implicado, mas a dúvida metódica veio ao de cima. Tanto tempo a dar à sola, só se fosse protegido de um deus, sim os deuses não costumam proteger safados assim...

Para pôr os pontos nos is e os traços nos tês, o homem desistiu do jogo do gato e do rato, há pouco. Lá combinou a coisa com arte. Primeiro vai ter a casa de uma amigalhaça, depois convoca causídicos que falam diretamente com o chefe da PJ (polícia Judiciária), por sua vez, convocam jornalistas que naturalmente fazem o seu papel com a emoção contida ou coisa que o valha.

Ouvi-lhe dizer na entrevista que bateu os shares todos das audiências televisivas, dada, há pouco, que era inocente. Logo se vê. Agora, não gostei que tenha insinuado que comeu as papas na cabeça dos gendarmes. Fica mal, à uma, por fazer dos polícias más reses, sempre de arma nervosamente engatilhada, pronta a despachar uns balázios na sua direção. Às duas, rebaixa os agentes, porque tantos não foram capazes de apanhar um. Não contente, como quem não faz mal a um escaravelho, às três, ainda se atreve a insinuar que os terroristas por cá fariam o que é habitual fazerem as raposas em vinhas vindimadas.

A vingança é, muitas vezes, o deleite de almas despiciendas.

Já agora, há boa gente que anda para aí a insinuar que o Pedro João se rendeu, porque andava de calças na mão, com o credo na boca e farto da ração e das vistas.

Mas, agora que está posto em sossego, há pouco, vá ordenando as suas notas e surpreenda-nos com um livro de memórias. Seria mias uma prova que tem bom jogo de cintura.

Sabe que ganhou pontos a seu favor o seu ar cordato que pôs, com o qual aceitou, sem protesto, o par de pulseiras que uns humildes agentes da PJ lhe colocaram? 

Diz-se que tempo não come o lobo, oxalá não fosse tanto assim...

Isto lhe garanto: eu não era capaz de andar foragido tanto tempo, borrava-me todo, ou encafuava-me na toca mais próxima, até me encontrarem, por minha incompetência. E não queria cenas filmadas ou gravadas, sou assim, que se lhe há de fazer... Não é para me gabar, mas até sou bastante conhecido cá no burgo...

Tenciono liderar uma campanha para que os futuros homiziados disfrutem dos apoios que o Pedro João teve. Se alguma vez estiver de mãos livres, apareça, Sr. Dias, já seríamos dois a fazer força!

Só no amor quem foge é o vencedor.

O Dias.jpg

 «Greg pôs-se ao fresco, com um sofisticado disfarce.»



publicado por Jorge às 20:28
Segunda-feira, 21 de Novembro de 2016

     Os senhores administradores principais da CGD (Caixa Geral de Depósitos) não querem fazer declarações, ainda não percebi bem, se de rendimentos, se do património. Que devem fazê-lo, nota-se uma certa unanimidade, entre quase todos os cidadãos dos quadrantes partidários todos. Inclusive o PR (Presidente da República), dirigentes da atual CnP (Coligação no Poder) dizem que querem e o TC (Tribunal Constitucional) exige o preenchimento do respetivo impresso. Mas, os administradores não querem e o ME (Ministro da Economia) embezerrou. Todos os dias se fala e se comenta o assunto nos média e nas ruas, quase tanto como os acontecimentos que rodeiam o Sr. presidente do SCP (Sporting Clube de Portugal).

      Pouca gente saberá se o ME fez a promessa de emendas nas leis ou nos procedimentos protocolares para evitar que se falasse à boca cheia das possessões do elenco administrativo efetivo (uma pouca vergonha, só inclui uma mulher!). Num país de cuscas e de devassas públicas, não é pormenor despiciendo que a lei obrigue a declaração formal de bens de executores públicos, já é boa altura de proteger as elites, em casos como este.

      Já agora, essa regra não deveria ser válido apara todos quantos mandam na gente, a sério e que estão do lado do sector privado? Sopram-me, aqui do lado, que, para tal efeito, basta comprar, na altura certa, as revistas «Forbes», ou «Exame», quando trazem os rankings dos altos e poderosos...

       Tomo por edificante a posição do PM (Primeiro Ministro) que diz que não se incomoda que, na gestão da coisa pública, haja outra gente a levar-lhe à palma, na questão dos honorários. Porque os senhores administradores da CGD – com distintas experiências na gestão da coisa privada - têm enormes responsabilidades, etc ...e tal.

        Então a responsabilidade do PM não é a mais alta do país (que me perdoe o PR)? A modéstia assenta-lhe bem, a generosidade (para com os vencedores) também, mas deixa à mostra mais uma vez a careca, que manda quem pode, obedece quem deve. O cetro, a coroa e o manto quase sempre estiveram privatizados. Sempre que o poderoso roga – ele que está semi-encoberto pela cortina -, rogando manda.

     Dizem que os apoiantes secundários da CnP não têm mãos a medir aos sapos que (não) engolem... Ainda-por-cima, o chefe máximo é um casmurro dum ex- militante duma formação useira e vezeira em dizer cobras e lagartos deles, muito azar mesmo!

      (Seja perdoado a atrevimento, não seria possível dar oportunidade aos administradores efetivos da CGD de registarem lá fora os patrimónios, ou, alternativamente, de promoverem vendas fictícias?)

      O senhor que se segue!...

Teimoso.jpg

 Será que tens de fazer sempre as coisas da maneira mais complicada?!



publicado por Jorge às 19:57
Quinta-feira, 17 de Novembro de 2016

Morreu a pessoa que poderia ter-se apresentado assim: «Como um pássaro postado num fio metálico/Como um bêbado num coro à meia-noite/ Tentei, à minha maneira, ser livre

Eis LC.

 

No dia em que foi comunicado o seu passamento, tive que me ausentar de casa, pela manhã.

O meu filho, moço dos seus 22 anos, ainda dormia pesadamente.

Deixei-lhe esta mensagem num stick: «Morreu Leonard Cohen. Tá mal, uma pessoa assim não devia morrer. Se me escreveres um texto, ou um poema, sei que ficarei mais consolado».

Vai daí, ele escreve isto, num ápice:

 

                                        Lá do Céu-en

             Do dolorosamente soprano ao carregado baixo,

             Ficava acima do segundo uma categoria.

             A notícia da sua última nota de difícil encaixo,

             Mas um barítono que fica na memória.

 

            Mais uma flor da geração de sessenta que cai,

            A voz melancólica no meio dos agudos e harmonias.

            Desaparece o cantor, porventura, que mais aprecia o meu pai

            Deixando uma singular musicalidade e as suas poesias.

 

            Chegará a sua voz profunda ao nosso íntimo facilmente?

            Reflecte algo que nos é estranhamente familiar?

            Afectará o nosso coração e a nossa mente?

            Seria o génio merecidamente reconhecido antes de finalmente viajar?

 

            Parte para o outro lado, do que sei, um homem sensível,

            Que cantava de justiça social, mas também de amor.

            Não era com certeza uma voz pop aprazível,

            Era um poeta de topo e um distinto cantor.

 

            Sinto-me mal em escrever isto,

            Dada a pouca familiaridade que tenho com a sua obra.

            Porque tem de acontecer disto,

            Para que a carreira dos músicos falecidos eu descubra?

 

            E de quem é a culpa? Minha, por não saber apreciar?

            Da sociedade e dos médias, por pouco divulgar?

            Chora-se a qualidade de outros tempos, porém contemporânea,

            Porque a actual é demasiado momentânea?

 

            Hallelujah, que agora canta para anjos, ficará para sempre.

            Sobreviverá, juntamente com a sua obra, o teste do tempo.

            Dançou a última valsa, ninguém queria que ficasse mais escuro.

            Ele estava pronto, senhor. Haverá algo mais libertador e corajoso de

           se afirmar?

 

 

Esta é uma mensagem dum jovem que busca o seu caminho, o que eu aprecio muito. Perdoo-lhe alguma perturbação, mas aquela tirada «não era com certeza uma voz aprazível» deu-me que pensar.

Porque me confesso apreciador da voz penalizada de LC.

Perdoo-te a partida, acanhado e imbele génio da análise social, que sabias armadilhar versos e os emburilhavas em música classicamente devota, de encantar.

Fazias rock alternativo? Folk? O que sei é que fazias cá falta.

Em mim perdurará a tua voz e os arranjos que a ela davas, bem como às tuas melodias.

Não te chateias se te disser que muitas das tuas mensagens continuam enigmáticas para mim?).

Acho que estavas do lado dos que sofrem de males deste mundo, o que valorizo sobretudo, quando há tanto bardo para aí interessado em prolongá-los.

Sei que, ao ouvir-te, de algum modo me estarás a apontar o caminho da esperança que resta e resiste sempre.

Pronto, já estou mais reconfortado!

 (Duma vez, LC fez este voto: Não sejam mágicos, sejam encantadores. Que tal?)

Toca.jpg

 - Não é uma grande toca, querida. Eles chamam-lhe mina, mas sinceramente não percebo para que serve, já que não vivem ali...



publicado por Jorge às 08:14
Sexta-feira, 11 de Novembro de 2016

- Zé, espreita a tevê e diz-me que vês.

- Estão a acompanhar a transmissão dum importantíssimo jogo de futebol que está quase no fim, chefe.

- Um dos contendores é um dos 3 primeiros classificados do ano anterior, certo, Zé, ou não haveria transmissão televisiva... Todas as agremiações são importantes, mas, se não houver lucros a distribuir, nada feito, verdade, Zé?

- Sim, tem razão, chefe, ninguém se lembra de transmitir o encontro Moita Boi-Pelariga, por exemplo, em canal de cobertura nacional. Quando muito algum cromo se lembra de fazer o relato na rádio...

- Zé, houve golo para o Sportivo, porque te sinto vibrante!

- Confirmo, o Maldonado fez golo ao minuto 90+5.

- Não sei se terás razão, Zé! Houve ou não tempo de compensação, na 1ª parte da partida?

- Assim foi, então o árbitro concedeu 2 minutos de compensações, chefe.

- Então esse Maldonado marcou ao minuto 90+7 do jogo!

- O cronómetro da tevê marcava 90+5 minutos, chefe, isso constatei eu!

- Errado! É assim, se houve 2 minutos de compensação na 1ª parte, as contas são fáceis de fazer: 90+5+2=90+7.

- Mas, olhe, chefe, que o relator e os comentadores estão comigo. Fique já agora a saber que a partida está terminada.

- Zé, escuta! O golo do Sr. Maldonado foi obtido ao minuto 90+7. Mas, sendo  rigorosos: esse golo ocorreu no último minuto do tempo regulamentar, quando se completaram 90 m de jogo efetivo.

- Confesso a minha confusão, chefe!

- A verdade desportiva não passa apenas pela apreciação dos blocos altos e baixos, dos espaços reduzidos entrelinhas, das jogadas intentadas na vertical e das deslocações na horizontal. As contas ao tempo têm de bater certas!

- O relator e os comentadores estariam sempre a fazer contas ao tempo, durante o jogo, coitados! Olhe, o relator disse que o golo do Maldonado foi o último lance da partida e é verdade, chefe!

- Outra inverdade, esse senhor não marcou no último lance da partida.

- Homessa, foi golo e a malta toda recolheu aos balneários! Por acaso, depois de uma troca azeda de piropos, chefe...

- Pois então as câmaras do canal de tevê responsável pela transmissão não mostraram que a bola foi ao centro, Zé. Teria de ser esse o último lance que confirma o golo.

- Provavelmente o chefe terá razão, mas não me dei conta. Aliás os árbitros fartaram-se de meter água, em prejuízo do Sportivo, naturalmente. Logo, não me admirava que se tenham equivocado também noutras cenas!

 - Mesmo assim, o teu Sportivo ganhou, Zé?

- O adversário marcou 3 golos, o Sportivo 2.

- Portanto, o teu clube de coração primeira se atrasa cada vez mais na classificação?! O que te vale, Zé, é que tens preferência por um clube em cada escalão. Talvez algum dos outros tenha ganho, para teu consolo...

- Todos levaram que contar, chefe!

- Temos pena, Zé! Provavelmente será a primeira vez em que o Sportivo marca no fim da jogatina e perde na mesma, não é verdade?

- Não, é a 4ª vez consecutiva, por isso bateu um triste recorde: marcar no prolongamento, mas perder o jogo só tinha acontecido, há 60 anos e em 3 jogos consecutivos!

- Há aí qualquer coisa que me baralha: há 60 anos não havia prolongamentos, Zé.

- Mas havia substituições, se havia substituições, havia prolongamento, chefe.

- Não havia substituições, há 60 anos.

- Querem ver que também não havia SAD e empresários?!

- Assim é, Zé, não havia SAD, nem empresários, que eu saiba!

 - Os postes das balizas eram arredondados e os guarda-redes usavam boné e joalheiras, chefe?

- Exato!

- Só se jogava com chuteiras pretas, verdade, chefe?

- Exato, Zé!

(Quando ficou entregue a sós à sua dor e estupor, Zé conseguiu reunir algumas forças e pôs-se a colher mais conhecimentos sobre o futebol, de há 60 anos atrás. Para sua estupefação, descobriu que, à época, já o futebol se jogava com um esférico...)

Um dos primeiros jogos de futebol...

Primeiro jogo.png



publicado por Jorge às 00:20
Quinta-feira, 10 de Novembro de 2016

Foi dito e não foi negado há pouco que a Igreja Católica (IC) assim por alto é dona e senhora de uns cinquenta mil prédios penso que seja no sentido que é dado pelos serviços cadastrais prédio é a propriedade duma parte delimitada do solo (e talvez do ar adjacente) que é juridicamente autónoma abrangendo as águas plantações edifícios e construções de qualquer natureza nela existentes ou assentes com carácter de permanência como também designa cada fração autónoma no regime de propriedade horizontal e tem direito a um papel feito nas Finanças chamado de descrição portanto prédio não é apenas um sítio onde trabalha ou residem habitualmente as pessoas que decidiram juntar os trapinhos ou que chegaram na sequência disso.

  Naturalmente que do rol das propriedades da IC tanto podem constar prédios urbanos tipo residências habituais residências paroquiais igrejas sacristias capelas ermidas sacristias nichos conventos mosteiros sedes de irmandades instalações de ipss que se esforçam por levar à prática as 14 obras de misericórdia corporais ou espirituais mas também lá devem estar inscritas edificações com aparência mais bucólica mais campestre os chamados prédios rústicos que são terrenos de sementeira pastagens montados e outras construções menos afetas ao culto mas não menos úteis às necessidades da salvação.

   Se na relação das posses da IC predominam prédios rústicos a fortuna corresponde a um dado valor que será naturalmente inferior se porventura prevalecessem prédios urbanos tá na cara que estes valem mais nos tempos que correm tanto assim que supostamente os prédios urbanos são mais tributados em valor absoluto nos tempos da fidalguia talvez fosse o contrário o tempo não se compadece e introduz mudanças no preço dos bens todos por isso os mais diversos gentios foram catequizados no sentido de discernir que a diferentes mercadorias têm cotações diferentes sendo que as mais fortes estão naturalmente na posse de quem tem a faca e o queijo na mão o que é do agrado dos numes todos.

    Palpita-me que a IC detenha bastantes propriedades em áreas de ruralidade dominante onde a generosidade das doações a excelência das paisagens favorece o acesso a uma visão mais operativa do além nas cidades às vezes nem se divisa o céu o que é incrível na realidade por outro lado os fiéis citadinos são em maior número também casam na igreja batizam a prole mandam rezar missas mas são menos acatadores de preces e devoções e doações fugindo assim à influência das suas bases sociais de origem e é este um dos males das cidades.

     Um dia apurou-se que sobre aqueles 50 mil prédios a IC não paga um chavo ou paga uma irrelevância de IMI um imposto diretamente sacado a quem se pode gabar de ser proprietário nem que seja de um simples palmo de terra ou de um apertado cubículo aqui na santa terrinha devido a um acordo com o Vaticano a quem a IC deve obediência e isso está chapado preto-no-branco na Concordata que é uma espécie de acordo bilateral para garantir confortos materiais aquela entidade que lida sobretudo com o poder imaterial e intemporal.

Fuga a impostos.jpg

Auditor – Como se atreve a distribuir 60 mil milhões de brinquedos, sem apresentar uma fatura?!

 

      A notícia acabou por ferir muitas suscetibilidades já Rousseau lembrava que a falsidade é suscetível de uma infinidade de combinações mas a verdade só tem uma por conta disso levantou-se uma enorme vozearia na sociedade civil abaixo-assinados ações nos tribunais bloqueios à porta dos dignatários da IC desfiles de protesto à porta do embaixador do Vaticano chamado de núncio apostólico cordões humanos vigílias noturnas foi um berreiro que se prolongou por muitas jornadas e até foram realizados encontros seminários fóruns internacionais para clamar contra esta isenção incomum ao cidadão comum que paga e às vezes se esquece de calar como nesta ocasião única houve muitos pagantes e pouco pacatos cidadãos que sugeriram aos curas que fossem antes pregar para outra paróquia só que a esmagadora maioria não se deixou embalar pelo conto do vigário «é só fumaça» diziam.

 

PS1 – O último parágrafo não corresponde à verdade pouca gente mexeu uma palha para contestar a isenção excecional.

PS2 – Parece haver mais de 560 mil prédios urbanos isentos de pagamento de IMI o que corresponderá a 20% do total e inclui sedes e edificações dos partidos políticos imóveis de interesse público ou valor municipal (estádios de futebol por exemplo) embaixadas propriedades doutras confissões religiosas edifícios detidos por sindicatos associações patronais instituições particulares de solidariedade social imóveis geridos pelas misericórdias edifícios das coletividades casas para habitação própria e permanente de emigrantes (isenção temporária) monumentos prédios integrados em fundos de investimento imobiliário abertos ou fechados de subscrição pública e fundações é muita fruta ora naturalmente se convirá que 50 mil prédios constituem talhada menor dum bolo vasto a que muita e boa gente não se importava de lançar a unha e fisgar o dente.

PS3 – Um alto responsável declarou recentemente que a IC paga os impostos que lhe são devidos e fê-lo de cara alegre e modos desprendidos que a única alegria isenta de amargura é a de bem proceder amém.

 

 Perdão.gif

 «Perdoa-nos as nossas dívidas assim como nós perdoamos a quem nos chateia por essas presumidas dívidas...»



publicado por Jorge às 22:42
Quinta-feira, 10 de Novembro de 2016

A despeito dos médicos, viveremos até morrer.

 

Não dou como provada a existência de falsas baixas médicas.

Embora, de-quando-em-vez, venham ao barulho as ditas-cujas.

Um sicrano, doente, adoentado, ou por aí, achando-se incapaz para o preenchimento das tarefas que obrigatoriamente cumpre nos dias/horas úteis, para solicitar baixa, normalmente mete pés a caminho da USF mais próxima, ou do consultório do médico/a assistente.

Provas colhidas, o/a clínico/ preenche um CIT (certificado de incapacidade temporária), vulgo atestado médico, ou convence o candidato/a não quebrar a rotina, tipo «vá lá, deixe-se de tangas, está em condições para trabalhar».

Mas, uma vez atribuída a baixa, uma cópia do CIT deverá dar entrada no escritório da entidade patronal, em 5 dias dos úteis; outra segue, por via eletrónica, para a SS, vulgo Segurança Social, ou Caixa (a outra, não de depósitos), para ser iniciado o processo de pagamento proporcionado aos dias de baixa, se for caso disso.  

Do certificado devidamente assinado pelo clínico, terá de constar a sua identificação, o nº da cédula profissional, o nº do BI ou CC do colaborador, o seu nº de beneficiário, a identificação do subsistema de saúde, a caraterização da situação objetiva da não comparência no local de trabalho, bem como a duração previsível da mesma, etc...

Este será o procedimento normal.

O processo da oficialização de maleita impeditiva de trabalhar pode passar por um sistema paralelo? Custa assim tanto presumir que haja para aí uns melros a imitar teres, dizeres e fazeres de esculápios e, assim, na mira de lucros pingues?

Na Net mais banal, ensina-se a forjar atestados, mas isso deve ocorrer só lá fora...

Neste país, apesar dos seus brandos costumes, haverá quem se atreva a tanto?

Entretanto soube-se, pelos média, que militares de um corpo de polícia, em protesto recente, meteram baixa, em datas combinadas previamente (oportunidade que não foi devidamente aproveitada por automobilistas convencidos que as estradas e os passeios lhes pertencem por direito divino, a crer nos média). Esta combinação envolveu ajuramentações enganosas?

Não necessariamente, a capacidade de sugestão (ou a autossugestão) da mente pode obrar coisas de espanto, como essa de uma maladia afetar em simultâneo um ror de gente do mesmo ofício...

Confesso que, mesmo que cheire a esturro uma ou outra situação, nunca me desfiz da crença inabalável que o sistema de passamento de CIT funciona às mil e dentro de padrões da decência e da moral vigente.  Essa convicção continua bem guardada!

A organização montada só admite que a palavra de um esculápio possa ser posta em xeque por um/uma homólogo/a.

Por exemplo, pode ocorrer que, de baixa alongada, um trabalhador persista em manter-se em casa (ou entretanto tenha sido desviado para outro mister), sem regresso à base, quando se vê na contingência de enfrentar o juízo de uma junta médica que denega a declaração anteriormente visada por um confrade.

Mas, alto e para o baile! - aí o potencial acusado tem safa: já se passou tanto tempo que a pessoa sob suspeita (ou coisa que o valha) entretanto se curou.

Para todos os efeitos, em caso de comprovada mescambilha, o mau da fita é o beneficiário da declaração médica, pela simples razão que, quando o mar bate na rocha quem se lixa é o mexilhão, ou porque a corda esticada se rompe pelo lado mais fraco...

Da próxima vez que o assunto em epígrafe vier a lume, talvez seja possível confabular sobre os perigos que impendem sobre a passagem de certificação que ateste a dispensa do trabalho e alternativas credíveis à sua creditação, num mundo cada vez mais tecnológico .

Por acso, nas farmácias costuma haver de tudo...

 PS - Por acaso, não dei grande crédito a um passarinho, que se pôs a pipilar episódios, verídicos, segundo ele, sobre galenos tão compreensivos que chegavam ao ponto de apor a assinatura em CIT, sem que o interessado estivesse à vista. Diz quem sabe que «a ave de bico encurvado, guarda-te dela como do diabo». Ia jurar que o bicho tinha mesmo  biqueira aquilina. Só pode!...

Uma solução

A solução.jpg

 - Diga ao médico que demore o tempo que quiser. Já me sinto melhor.

 



publicado por Jorge às 08:24
Quarta-feira, 02 de Novembro de 2016

Etelvina é uma senhora de sucesso.

Dá cartas na tevê, nos negócios e no jet set, graças a muita dedicação, muitos dotes, montes de colaboradores e a muita perspicácia.

Ela é uma vencedora, na arena de mercados locais, regionais e internacionais.

A sua efígie é corriqueira em jornais, revistas cor-de-rosa sobretudo e nas de especialidade também.

Tem arriscado, tem petiscado e que lhe faça bom proveito!

Há dias, vi Etelvina que apresentava um programa da matina, na tevê. Ela falava, gesticulava, sorria, ria, atirava piadinhas e os assistentes e as câmaras não lhe regateavam atenções.

A páginas tantas, aparecem 2 senhores, um mais novo e outro mais velho, que vêm a terreiro por um novo perfume.

Perfume esse patenteado por Etelvina.

O mais novo fazia de protagonista macho do curto filme exibido no programa e que publicitava o cheirinho. O personagem deixava-se impressionar tanto com o aroma emanante da protagonista central, a Etelvina, por sinal, de tal forma que deixa abananada e ao abandono uma mão cheia de borrachos que o acompanhavam, num convívio. As raparigas despeitadas puseram-se inconsoláveis e o caso não era para menos.

O rapaz falou pelos cotovelos e pôs o ar de quem lança foguetes e recolhe as canas todas. Ele também falava, gesticulava, sorria, ria, atirava piadinhas e os assistentes e, de vez em quando, as câmaras davam-lhe alguma atenção.

O outro senhor, o mais velho, talvez fosse o realizador do filme publicitário (não juro, nem trejuro). E também se pôs a falar, a rir, a sorrir e a trocar esgares malandros e as câmaras também lhe dispensaram alguma atenção.

À pândega esteve também o coapresentador do programa que também se pôs a falar pelos cotovelos, a rir a bandeiras despregadas, a sorrir sem medida e a atirar piadas provavelmente marotas. Fui muito cumulado de atenções.  

Aquilo cheirou-me a promoção ou coisa que o valha e arrastou-se por fartos minutos, quantos não sei precisar. Encontrava-me no serviço de urgências dum hospital, a contas com uma virose e dormitava nos intervalos das chamadas para consultas.

Feliz ou infelizmente tinham cortado o pio à tevê das urgências do hospital onde me encontrava, bem arreliado, a contas com uma virose, pelo que não sou capaz de jurar que o meu cérebro não me tenha pregado uma partida e eu esteja a fantasiar.

Certo é que abandonei as instalações hospitalares convicto que Etelvina tinha exagerado na sua ânsia de promoção e dizia para os meus botões que a coisa não ficava assim, fosse eu empresário do ramo da perfumaria, ou coisa que o valha.

(Diz quem sabe que quem não sabe fingir não sabe reinar.)

 Fosse eu empresário da perfumaria e teria, à uma, preenchido o livro de reclamações do hospital, por terem retirado o som da tevê. Melhor fora que retirassem o parelho!... Depois iria à organização de classe exigir tempo de antena.

(Fosse eu empresário de sucesso do ramo ou aproximado, não me daria ao luxo de perder horas num serviço que atende por ordem de chegada e da gravidade da situação...)

Mas, olha que não perdes pela demora, Etelvina!

Isto de curtir a tevê com o som cortado, até que não é má ideia,só que pode implicar com o ego...

 

tv-18.gif

O programa que se segue é um documentário sobre factos reais baseado em registos fictícios duma estória real que nunca aconteceu

 

 

 



publicado por Jorge às 08:11
Terça-feira, 01 de Novembro de 2016

- Estou sim?

- Estou, estou!

- Estou a falar com o senhor Ercílio?

- Por acaso não, está a falar com o irmão dele, sou o Adérito.

- Muito boa tarde, Sr. Ercílio.

- Desculpe, eu sou o irmão dele, o Adérito.

- A desculpa é toda minha, Sr. Adérito!

- Faça favor, em que posso ajudá-lo?

- Chamo-me Serafim e venho trazer-lhe uma boa nova, em nome do Consórcio Bancário. Em nome da empresa queria oferecer-lhe um cartão de débito e de crédito bancários grátis, Sr. Adérito.

- Senhor Querubim, perdão, Sr. Serafim, será melhor ligar mais tarde com o Ercílio, ao fim da tarde. Eu não estou para aí voltado, lamento!

- Já agora, ouça-me uns minutinhos, caso contrário esbaljo uma chamada.

- Tenha paciência, mas não tenho interesse em tal cartão.

- Pode ouvir-me, Sr. Adérito, e não se importa que a chamada seja gravada?

- Acabo de decidir que vou ouvi-lo, Sr. Serafim, até quando não sei. Ora diga lá!

- O Consórcio Bancário deseja oferecer ao Sr. Adérito, um leitor de cassetes na sua adesão ao produto. Tem ainda cassetes dos bons velhos tempos, não é verdade?

- Assim é.

- Mandamos um estafeta da companhia Hermes a entregar-lhe a prenda e o Sr. Adérito confere tudo na presença dele. Conhece os estafetas Hermes de certeza?

- Por acaso não, mas já ouvi falar do Hermes, o enviado dos deuses gregos.

- Mas, um deles poderá passar na sua casa, Sr. Adérito, a deixar-lhe a prenda. Caso não a pretenda para si, pode valer-se dela e presentear um familiar ou um amigo com uma rica prenda, que o Natal vem aí, Sr. Adérito.

- Por aí não vou, Sr. Serafim, gosto de me oferecer prendas.

- Agora, se não se importa, diga-me a sua morada, Sr. Adérito.

- Olhe, é melhor ficarmos por aqui.

- Tem algum receio, Sr. Adérito?

- É que, daqui a pouco o Sr. Serafim vai querer mais dados. Vai sugerir a abertura duma conta, etc. e tal.

- Sr. Adérito, olhe que tem todas as vantagens deste mundo e arredores em aderir ao nosso cartão.

- Vai desculpar-me, mas já estou bem servido e a conversa termina aqui!

   Ercílio desligou-se da chamada e logo ganhou mais um problema de consciência. Afinal o que é uma chamada esbalgida? E se o rapaz fosse obrigado a fazer horas-extra e talvez à borliú, para garantir um número fixo de contratos diários?

   Tentou retribuir a chamada, o que se revelou tecnicamente impossível.

Call center.jpg

 

Tive muito gosto em falar-lhe, mesmo que seja uma gravação.



publicado por Jorge às 10:27
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