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oitentaeoitosim

10
Nov16

Cronicão 4

Jorge

Foi dito e não foi negado há pouco que a Igreja Católica (IC) assim por alto é dona e senhora de uns cinquenta mil prédios penso que seja no sentido que é dado pelos serviços cadastrais prédio é a propriedade duma parte delimitada do solo (e talvez do ar adjacente) que é juridicamente autónoma abrangendo as águas plantações edifícios e construções de qualquer natureza nela existentes ou assentes com carácter de permanência como também designa cada fração autónoma no regime de propriedade horizontal e tem direito a um papel feito nas Finanças chamado de descrição portanto prédio não é apenas um sítio onde trabalha ou residem habitualmente as pessoas que decidiram juntar os trapinhos ou que chegaram na sequência disso.

  Naturalmente que do rol das propriedades da IC tanto podem constar prédios urbanos tipo residências habituais residências paroquiais igrejas sacristias capelas ermidas sacristias nichos conventos mosteiros sedes de irmandades instalações de ipss que se esforçam por levar à prática as 14 obras de misericórdia corporais ou espirituais mas também lá devem estar inscritas edificações com aparência mais bucólica mais campestre os chamados prédios rústicos que são terrenos de sementeira pastagens montados e outras construções menos afetas ao culto mas não menos úteis às necessidades da salvação.

   Se na relação das posses da IC predominam prédios rústicos a fortuna corresponde a um dado valor que será naturalmente inferior se porventura prevalecessem prédios urbanos tá na cara que estes valem mais nos tempos que correm tanto assim que supostamente os prédios urbanos são mais tributados em valor absoluto nos tempos da fidalguia talvez fosse o contrário o tempo não se compadece e introduz mudanças no preço dos bens todos por isso os mais diversos gentios foram catequizados no sentido de discernir que a diferentes mercadorias têm cotações diferentes sendo que as mais fortes estão naturalmente na posse de quem tem a faca e o queijo na mão o que é do agrado dos numes todos.

    Palpita-me que a IC detenha bastantes propriedades em áreas de ruralidade dominante onde a generosidade das doações a excelência das paisagens favorece o acesso a uma visão mais operativa do além nas cidades às vezes nem se divisa o céu o que é incrível na realidade por outro lado os fiéis citadinos são em maior número também casam na igreja batizam a prole mandam rezar missas mas são menos acatadores de preces e devoções e doações fugindo assim à influência das suas bases sociais de origem e é este um dos males das cidades.

     Um dia apurou-se que sobre aqueles 50 mil prédios a IC não paga um chavo ou paga uma irrelevância de IMI um imposto diretamente sacado a quem se pode gabar de ser proprietário nem que seja de um simples palmo de terra ou de um apertado cubículo aqui na santa terrinha devido a um acordo com o Vaticano a quem a IC deve obediência e isso está chapado preto-no-branco na Concordata que é uma espécie de acordo bilateral para garantir confortos materiais aquela entidade que lida sobretudo com o poder imaterial e intemporal.

Fuga a impostos.jpg

Auditor – Como se atreve a distribuir 60 mil milhões de brinquedos, sem apresentar uma fatura?!

 

      A notícia acabou por ferir muitas suscetibilidades já Rousseau lembrava que a falsidade é suscetível de uma infinidade de combinações mas a verdade só tem uma por conta disso levantou-se uma enorme vozearia na sociedade civil abaixo-assinados ações nos tribunais bloqueios à porta dos dignatários da IC desfiles de protesto à porta do embaixador do Vaticano chamado de núncio apostólico cordões humanos vigílias noturnas foi um berreiro que se prolongou por muitas jornadas e até foram realizados encontros seminários fóruns internacionais para clamar contra esta isenção incomum ao cidadão comum que paga e às vezes se esquece de calar como nesta ocasião única houve muitos pagantes e pouco pacatos cidadãos que sugeriram aos curas que fossem antes pregar para outra paróquia só que a esmagadora maioria não se deixou embalar pelo conto do vigário «é só fumaça» diziam.

 

PS1 – O último parágrafo não corresponde à verdade pouca gente mexeu uma palha para contestar a isenção excecional.

PS2 – Parece haver mais de 560 mil prédios urbanos isentos de pagamento de IMI o que corresponderá a 20% do total e inclui sedes e edificações dos partidos políticos imóveis de interesse público ou valor municipal (estádios de futebol por exemplo) embaixadas propriedades doutras confissões religiosas edifícios detidos por sindicatos associações patronais instituições particulares de solidariedade social imóveis geridos pelas misericórdias edifícios das coletividades casas para habitação própria e permanente de emigrantes (isenção temporária) monumentos prédios integrados em fundos de investimento imobiliário abertos ou fechados de subscrição pública e fundações é muita fruta ora naturalmente se convirá que 50 mil prédios constituem talhada menor dum bolo vasto a que muita e boa gente não se importava de lançar a unha e fisgar o dente.

PS3 – Um alto responsável declarou recentemente que a IC paga os impostos que lhe são devidos e fê-lo de cara alegre e modos desprendidos que a única alegria isenta de amargura é a de bem proceder amém.

 

 Perdão.gif

 «Perdoa-nos as nossas dívidas assim como nós perdoamos a quem nos chateia por essas presumidas dívidas...»

10
Nov16

Zelos V

Jorge

A despeito dos médicos, viveremos até morrer.

 

Não dou como provada a existência de falsas baixas médicas.

Embora, de-quando-em-vez, venham ao barulho as ditas-cujas.

Um sicrano, doente, adoentado, ou por aí, achando-se incapaz para o preenchimento das tarefas que obrigatoriamente cumpre nos dias/horas úteis, para solicitar baixa, normalmente mete pés a caminho da USF mais próxima, ou do consultório do médico/a assistente.

Provas colhidas, o/a clínico/ preenche um CIT (certificado de incapacidade temporária), vulgo atestado médico, ou convence o candidato/a não quebrar a rotina, tipo «vá lá, deixe-se de tangas, está em condições para trabalhar».

Mas, uma vez atribuída a baixa, uma cópia do CIT deverá dar entrada no escritório da entidade patronal, em 5 dias dos úteis; outra segue, por via eletrónica, para a SS, vulgo Segurança Social, ou Caixa (a outra, não de depósitos), para ser iniciado o processo de pagamento proporcionado aos dias de baixa, se for caso disso.  

Do certificado devidamente assinado pelo clínico, terá de constar a sua identificação, o nº da cédula profissional, o nº do BI ou CC do colaborador, o seu nº de beneficiário, a identificação do subsistema de saúde, a caraterização da situação objetiva da não comparência no local de trabalho, bem como a duração previsível da mesma, etc...

Este será o procedimento normal.

O processo da oficialização de maleita impeditiva de trabalhar pode passar por um sistema paralelo? Custa assim tanto presumir que haja para aí uns melros a imitar teres, dizeres e fazeres de esculápios e, assim, na mira de lucros pingues?

Na Net mais banal, ensina-se a forjar atestados, mas isso deve ocorrer só lá fora...

Neste país, apesar dos seus brandos costumes, haverá quem se atreva a tanto?

Entretanto soube-se, pelos média, que militares de um corpo de polícia, em protesto recente, meteram baixa, em datas combinadas previamente (oportunidade que não foi devidamente aproveitada por automobilistas convencidos que as estradas e os passeios lhes pertencem por direito divino, a crer nos média). Esta combinação envolveu ajuramentações enganosas?

Não necessariamente, a capacidade de sugestão (ou a autossugestão) da mente pode obrar coisas de espanto, como essa de uma maladia afetar em simultâneo um ror de gente do mesmo ofício...

Confesso que, mesmo que cheire a esturro uma ou outra situação, nunca me desfiz da crença inabalável que o sistema de passamento de CIT funciona às mil e dentro de padrões da decência e da moral vigente.  Essa convicção continua bem guardada!

A organização montada só admite que a palavra de um esculápio possa ser posta em xeque por um/uma homólogo/a.

Por exemplo, pode ocorrer que, de baixa alongada, um trabalhador persista em manter-se em casa (ou entretanto tenha sido desviado para outro mister), sem regresso à base, quando se vê na contingência de enfrentar o juízo de uma junta médica que denega a declaração anteriormente visada por um confrade.

Mas, alto e para o baile! - aí o potencial acusado tem safa: já se passou tanto tempo que a pessoa sob suspeita (ou coisa que o valha) entretanto se curou.

Para todos os efeitos, em caso de comprovada mescambilha, o mau da fita é o beneficiário da declaração médica, pela simples razão que, quando o mar bate na rocha quem se lixa é o mexilhão, ou porque a corda esticada se rompe pelo lado mais fraco...

Da próxima vez que o assunto em epígrafe vier a lume, talvez seja possível confabular sobre os perigos que impendem sobre a passagem de certificação que ateste a dispensa do trabalho e alternativas credíveis à sua creditação, num mundo cada vez mais tecnológico .

Por acso, nas farmácias costuma haver de tudo...

 PS - Por acaso, não dei grande crédito a um passarinho, que se pôs a pipilar episódios, verídicos, segundo ele, sobre galenos tão compreensivos que chegavam ao ponto de apor a assinatura em CIT, sem que o interessado estivesse à vista. Diz quem sabe que «a ave de bico encurvado, guarda-te dela como do diabo». Ia jurar que o bicho tinha mesmo  biqueira aquilina. Só pode!...

Uma solução

A solução.jpg

 - Diga ao médico que demore o tempo que quiser. Já me sinto melhor.

 

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