Domingo, 16 de Abril de 2017

Antímio pelava-se por ver filmes de cobóis, quando era puto.

O script das coboiadas andava quase sempre à volta do seguinte:

- Um fulano bem aparentado, solto de movimentos, exímio no uso das palavras, dos punhos e dos colts chega, montado num alazão, a um lugarejo do Faroeste – assim se designam os territórios ocupados da América do Norte por anglo-saxónicos e ianques -, disposto a escrever direito por linhas tortas.

- De chegada, vai direito ao saloon que é o tasco lá do sítio, pede um copo de uísque - alto e bom som -, enquanto toma o pulso ao ambiente. Os clientes de má aparência física, que vestem às 3 pancadas, com barba de muitos dias, os que fumam tabaco reles, os que não têm estilo a riscar um fósforo, os que são apanhados a fazer batota ou a mandar bocas foleiras passam de imediato a figurar na lista negra do protagonista. Outros figurantes já constam do rol, retirados de editais estilo «procura-se vivo ou morto» pespegados em postes e que o herói transportava em sítio seguro, pois a captura de bandidos, à época ajudava a compor o fundo de maneio.

(A demarcação de campos facilita a interatividade com a assistência, que já estava de alma e coração com o justiceiro, naturalmente.)

- Os mal-encarados do saloon são assalariados dum tipo bera como a potassa que se tinha miseravelmente abotoado com as melhores terras - agrícolas ou auríferas –, com o saloon e com as meninas do show do saloon, não se furtando a implantar imparidades nas sucursais dos bancos locais (muito mal servidos de pessoal, diga-se de passagem), para além de se fartar de dar dicas ao xerife, ao padre e ao juiz.

- Na terreola ninguém levantava cabelo, sem o consentimento do malandrim, ou dos seus colaboradores. Não admira, pois, que os habitantes, de início, andem com cara de poucos amigos, com cara de enterro, ou de monco caído, acossados que estão por aquele bando de javardos.

(Invariavelmente a descoberta de semelhantes maquinações punha a assistência muito condoída, « mas vocês não perdem pela demora»...)

- A chegada do herói impõe mudanças conjunturais, com reflexos positivos no nível e qualidade de vida da população; pela cartilha, mais tarde ou mais cedo, o bandido que se apoderara do alheio - tinha ali chegado com uma mão à frente e outra atrás - seria corrido sem dó nem piedade, não se livrando antes dumas surras de criar bicho, dadas pelos bons (vem já dessa época a legitimação da bondade da força), ele maila  trupe de malvados corrécios, ao seu dispor.

(Se não vão pregar para outras freguesias, às boas ou às más, saem à viva força, com os pés para a frente e a assistência aplaude.)

- O herói, guiado pelo seu bom coração, que ali está para mostrar serviço e pôr tudo na linha, associa-se quase sempre a um outro tipo porreiraço e a uma rapariga gira que lhe enche a vida e a cabeça de passarinhos chilreantes, assume como seu o dever a libertação do jugo exercido pelos sevandijas. Por mais armadilhas covardes que fossem montadas pelos sevandijas, por mais táticas de intoxicação intentadas pelos trastes, por mais manobras de extorsão e chantagem intentadas pelos bandidos, não há pai para os bons que levam tudo a eito e a peito.

(Cada bandido abatido é saudado da plateia com frenéticos hurras!)

- A terreola é devolvida aos legítimos sapadores e conquistadores, geralmente após um duelo entre o herói e o bandido mor, o último a ser abatido, que as escalas aqui também se impõem.

- De permeio, às vezes vêm à colação uns índios bons, que falam inglês às 3 pancadas, que ajuda as hostes bom do rapaz, o qual os deixava colecionar uns escalpes, à conta da pandilha. Mas, às vezes era o contrário: uns índios beras comá ferrugem obtinham escalpes à conta de pessoal bom. Escusado será dizer que mais tarde ou mais cedo os primeiro eram integrados nos subúrbios, enquanto os últimos eram pasto de abutres, francelhos e águias.

- Mais raramente, o herói associa-se a afroamericanos, por alguma razão liberados pelo sistema e que se dedicavam logicamente à causa dos bons.

- Lá mais para o fim, conseguia impor-se a paz social, cada um a garantir o funcionamento da rede de bens e serviços, com muita felicidade estampada na cara.

(Os assistentes também ficam contentes com a vitória do bem e regressam mais felizes à sua vida, a cumprir o seu papel. O cinema também tem destas coisas, integra!)

Antímio, quando era puto, tinha de desviar uns tostões à algibeira do pai, ou à carteira duma minha irmã que estava empregada e que era distraída, quando queria ir ao cinema. Mas, depois de um desenlace tão feliz, pouco importava que chovessem pauladas no corpo, ou impropérios na alma.

(O script das coboiadas fizeram estória e ainda hoje marcam o enredo e a moral de muitos filmes de ação, de muitos filmes de animação, de muitos filmes de drama, de muitos filmes de ficção, de muitos filmes de suspense, das comédias inclusive – os porno não são exceção -, porque os bons safam-se sempre melhor.

Antímio, esse continua a torcer pelo primado da lei e da ordem...

Verismo V.jpg

Ei, pessoal, vocês conhecem o código do Oeste? Preciso dele para entrar na Net.

 



publicado por Jorge às 20:52
Sábado, 08 de Abril de 2017

Quando a lógica não é uma batata

     «O fim das taxas de roaming (15 de Junho de 2017) poderá levar a um aumento dos preços das operadoras móveis, principalmente nos países em que há uma grande entrada de turistas, como revela o estudo da consultora Altran, citada pelo Diário de Notícias (há dias).

     As cidades que tenham uma taxa elevada de estrangeiros vão ter de suportar serviços de rede melhorados. Serviços esses que vão ser cobrados aos utilizadores do país que acolhe os turistas, como é o caso de Portugal».

 

Quando a lógica não é uma semilha

     «Numa conferência, o Secretário Regional das Finanças da Madeira (anda com poucos dias) referiu a importância de defender o Centro Internacional de Negócios da Madeira (Zona Franca, offshore, ou por aí) na captação de recursos financeiros do exterior – “atualmente é um instrumento fundamental de arrecadação de receita fiscal, contribuindo para que a dependência de transferências, quer do Orçamento do Estado [242 milhões de euros], quer da União Europeia [199 milhões de euros], seja cada vez menos relevante”

     O Secretario Regional evidenciou o paradoxo existente já que “enquanto a generalidade dos países da Europa, mais ricos do que nós, como o Luxemburgo, a Holanda ou a Áustria, só para falar dar três exemplos, defendem as suas Praças com “unhas e dentes”, alguns políticos portugueses elegeram a Zona Franca da Madeira como um “alvo a abater”.

 

Quando a lógica se parece com uma batata/semilha

      «A MEO foi multada em 955 mil euros por infringir contrato da rede de telefones públicos; o contrato obrigava a disponibilizar cabinas de telefone públicas ou telefone em locais públicos, como hospitais, não foi cumprido. A dita empresa recebeu mais de 12 milhões para o fazer.

     A operadora tem agora um prazo de 20 dias seguidos para contestar a multa, caso contrário ficará sem a caução de 617 mil euros que pagou em 2014».

 

Quando a lógica é uma batata/semilha

      «Em entrevista dada ao jornal ‘i’, a 3 de abril deste ano, o atual presidente dos quadros bancários disse taxativamente: 'Estamos a assistir a uma reconfiguração da banca (portuguesa), por imposição do BCE, que é ter menos balcões, menos concorrência, para que aqueles que cá ficam façam cartel, o que é perfeitamente errado'».

 

 Quando tens dinheiro, só tu esqueces quem és. Mas, quando não tens cheta, todos se esquecem de quem tu és.

Bill Gates

 Lucidus ordo I.gif

(Decidi começar a fumar. O meu patrão dá $150 a quem deixar de fumar!)

 



publicado por Jorge às 19:27
Sábado, 08 de Abril de 2017

1 - «O presidente do Eurogrupo, o também ministro das Finanças da Holanda, Jeroen Dijsselbloem (...) afirmou recentemente que ‘durante a crise do euro, os países do Norte mostraram-se solidários com os países afetados pela crise. «Como social-democrata, atribuo à solidariedade uma importância excecional. Porém, quem pede [ajuda] também tem obrigações. Não se pode gastar o dinheiro em copos e mulheres e depois pedir que o ajudem».

Desconfio que o Sr. Jeroen estará mal informado sobre a minha terra natal: por aqui acrescenta-se uma pinguita à bucha, para ajudar a comida a descer até ao estômago, que os morfos estão cada vez mais intragáveis. Nos Países Baixos a coisa não funciona assim, porque a abastança e a cultura não permitem, melhor para vocês! Se a gente não empurrasse os comes com uma pingoleta, aí haveria muitas mais doenças gástricas e está provado que esta não é a melhor altura para arranjar mais doenças.

Quando a aquisição de favores junto de mulheres - as de mau porte, de zonas vermelhas, suponho – fique a saber que somos indivíduos de sólidos e austeros princípios morais que se opõem a tais devaneios, talvez lhe tenham falado dalgum compatriota nosso que tenha mijado fora do penico, mas não faça da exceção uma regra. Note bem, por aqui até se diz que quem não tem dinheiro não tem vícios!

Consta que, há fartos anos atrás, os antepassados tugas tenham andado por esse mundo fora - Flandres incluída – atrás de especiarias e de rabos de saia, até posso acreditar, longe dos olhos, longe do coração... Mas, isso é chão que já deu uvas, há muito que a malta se ajustou a uma existência de jejum e abstinência. Atualmente já não há mais mundos por revelar e os nossos antepassados não souberam valer às novas gerações de tesanas. Acredite que nesta terra, no presente, atualmente homens e mulheres desta terra (dos restantes PIGS pouco sabsei) anda à rasca, na luta pela sobrevivência, que não pela concupiscência, a maioria, está claro!...

Querem ver que o camarada Jeroen, apesar do seu aspeto angélico e místico, veio cá à socapa e tornou-se amigo de maiorais, daqueles que pedem emprestado e ninguém lhes cobra, daquelas que fazem trinta-e-um por uma linha e a quem é garantida impunidade e então julgou que a farra continua?! Será que o convidaram para umas cenas manhosas e curtidas em alcofas esconsas, com pó e drinks até mais não?! Cuidado com esses melros, esses gostam de viver à grande e à neerlandesa, à custa do Zé e para isso não lhes faltam ideias, veja com quem se mete!

Deixe que lhe diga, Sr. Jeroen, por aqui a maioria da malta está satisfeita com as respetivas caras-metades e não tem tempo a desfiar traições, flirts ou coisa no género!

Quanto à dívida que está em atraso, a gente paga, mesmo que isso nos custe os olhos da cara. Sabe que por aqui se diz que quem a sua dívida paga, sua fortuna aumenta. Vamos por aí!

Ponha essa ideia de parte, por aqui a malta não bebe para esquecer. Até vou mais longe, além de empurrar o maná, a pinga também transmite calor e alegria.Deixe-nos estar de cara alegre (embora de coração triste), caso contrário o opagamento do calote pode estar equacionado! Sabemos bem que tristezas não pagam dívidas, se é que me entende...

 

2 - «O Presidente da República prometeu (...) receber os representantes dos movimentos de contestação à pesquisa de petróleo na região (Algarve) e também os moradores das ilhas-barreira da Ria Formosa, onde algumas construções serão demolidas antes do verão».

O PR de Portugal comprometeu-se, não anda com muito tempo, em ouvir representantes (eleitos?) de movimentos de contestação (quantos são, quantos são?!) que não querem pesquisas de petróleo no Algarve, já bem basta o que basta: o turismo descaraterizou a região, agora não vamos deixar que suceda o mesmo com o petróleo, isso é que era bom! Ainda-por-cima o crude suja muito mais que o turismo, dá é mais dinheiro. Mas, é preferível assim: a maioria continuar pobre, mas honrada e limpa...

Por acaso até acho crível que, perante uma descoberta consumada de crude, as disposições da UE, do BCE, das agências de rating, das entidades bancárias e parabancárias credoras, já para não falar nos principais fundos de investimento e grandes empresários do planeta mudariam como da noite para o dia. Estou mesmo a imaginar um encurtamento das contas caladas do país que estão em atraso, sem recorrer à via negocial...

    Quanto às casas construídas nas ilhas-barreira da ria Formosa, já estou a imaginar também que haverá mais do mesmo: baralhar de novo, para dar da mesma maneira, a especialidade da casa...

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 (Olha-me o gajo outra vez, foge!!!)

 

 

 



publicado por Jorge às 12:38
Sábado, 08 de Abril de 2017

1 – «As células de Henrietta Lacks (depois de morta) renderam milhões de dólares, mas a família nunca soube de nada. Até ao dia em que, no ano de 1973, a suspeita de uma cura para o cancro levar um grupo de geneticistas à procura dos descendentes de Henriquetta Lacks. Ao tomar conhecimento, a família tentou obter uma compensação financeira. Hoje, a família detém parte dos direitos de exploração das células, mas nunca foram recompensados financeiramente pelos várias décadas de investigação que permitiram salvar milhares de vidas»

A esta senhora afroamericana foi diagnosticado um cancro, a partir de células enviadas a um investigador dum renomado hospital dos EUA. Tais células revelaram uma capacidade de reprodução fenomenal; foram (e ainda são) transacionadas e usadas em muitas pesquisas, nomeadamente para a produção duma vacina contra a poliomielite. Espetacular o contributo dado à ciência e à manutenção de muitos humanos com mais saúde. Choca a comparticipação nos lucros por parte dos seus descendentes diretos? Por mim estou chocado por nunca ter ouvido falar da senhora Henrietta. Muito gosto!

 

2 – Cerca de 200 civis terão morrido em Mossul, no Iraque, na sequência de bombardeamentos norteamericanos. A coligação internacional liderada pelos Estados Unidos está a investigar o caso. As Nações Unidas manifestaram ‘grande preocupação com a terrível perda de vidas’(provavelmente terá sido produzido um comentário similar por conta do mais recente ataque com gases tóxicos, por aquelas bandas).

Nos tempos que correm, fazem-se muitas guerras, muitas batalhas, muitos ataques. As razões invocadas são mais que muitas e são mais ou menos aceitáveis, consoante quem empunha as armas que se vendem como pãezinhos quentes. Depois os média falam do assunto – olhem que na Síria já morreram quase 350 mil pessoasa! - e a gente sente pena, sobretudo se estamos a milhas mil do epicentro. Um dia, alguém se atreveu a dizer que a guerra é uma púrpura debaixo da qual se oculta o homicídio (legal, ora pois). Também está mais ou menos convencionado que o dinheiro é o nervo da guerra. E contra isso, batatas!

 

3 - «O (jornal) El País escreveu um artigo sobre a desigualdade entre homens e mulheres em Portugal, quando se trata de voltar a casar. Isto porque a lei portuguesa determina que os homens podem casar novamente 180 dias após o divórcio. No caso das mulheres não é bem assim, apenas 300 dias depois de se divorciarem.

Pronto há desigualdade na lei civil, incompreensível (não terá sido gralha da Casa da Imprensa?), que as leis religiosas não sei se dão oportunidade a recasar. Agora parece que as bancadas parlamentares já corrigiram o erro, ou então se preparam para tal. Em período de expansão económica, não se aceita que este país desregulamente assim a constituição das células/empresas-base da sociedade...

 

4 - «O Governo chinês (?) quer proteger as suas crianças das influências do estrangeiro e elegeu como novo inimigo os livros infantis que chegam do exterior, que segundo um grupo de livreiros, vai começar a ser limitado. As autoridades de Pequim estão a preparar uma ordem pela qual será reduzido ‘drasticamente o número de contos infantis estrangeiros publicados no país’, segundo disseram várias fontes do setor editorial ao diário independente de Hong Kong South China Morning Post».

 Segundo parece, a medida visa proteger a produção dos autores chineses de literatura infantil e isso é bom, não é? Haverá algum mal em refrear influências estrangeiras junto das criancinhas da China? Onde está escrito que para as crianças da China crescerem sãs e livres devam ter acesso a estórias da carochinha importadas da estranja? Qualquer país digno desse nome tem a sua própria política cultural e educativa que não é ditada de fora, não é? Além do mais não estou a ver que os autores estrangeiros sejam os agentes mais indicados para explicarem às criancinhas (e aos adultos, já agora), mesmo que sob forma de lenda de encantar, essa maravilha dum país governado por um partido de vanguarda proclamar que ser rico é glorioso...

 

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(O Príncipe Encantado namorava Branca de Neve, Bela Adormecida e Cinderela. Ele sempre viveu feliz, até que se deixou apanhar.)

 



publicado por Jorge às 12:30
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