Sexta-feira, 28 de Julho de 2017

 

   (Aqui, o litoral comanda o interior, como um mandante dispõe dos comandados.)

 

  Bem contadas, são 162 (não 150!) medidas supostamente sensatas as que compõem o Programa Nacional para a Coesão Territorial, vulgo PNCT (www.portugal.gov.pt/pt/o-governo/pnct/pnct.aspx), parcamente divulgado entre nós.

  Ao compulsar a lista propostas (162, não 150!), ressalta à vista desarmada a extensão e a degradação do interior, derivada da macrocefalia estruturante que, no caso deste país, sempre confere a primazia das decisões a centros urbanos enraizados no litoral.

  Encarregada de tais proposições (são 162, não 150!) foi a Unidade de Missão para a Valorização do Interior, vulgo UMVI (ainda pouco conhecida), que avançou com um conjunto de apostas para menorizar a depressão que grassa e estiola o vasto território do interior do país.

  Estas propostas (são162 e não 150!) podem ser a chave para o esmaecimento da interioridade. Será tempo de acabar com os lamentos sobre o abandono do interior, será a oportunidade de arregaçar as mangas e poderá ser a ocasião para meter mãos à obra com denodo e acabar de uma vez por todas com desigualdades dentro de portas. Venha mais emprego, mais valências e infra estruturas mais realistas para o interior esquecido, de forma a convencer uns a ficar, outros a migrar para lá, que os reformados da UE não conseguem, sozinhos, dar a volta aquela apagada e vil tristeza!

  É assim: por mais problemas de organização da atividade económica palpáveis às gentes do litoral, as do interior têm-nos a duplicar; por mais faltas de ordenamento detetadas pelas pessoas do litoral, têm-nas a triplicar as do interior; por mais dificuldades em transportes anotadas pelos s habitantes do litoral, os do interior têm-nas a quadruplicar; por mais falhas em atinentes a comunicações sentidas pelos residentes do litoral, os do interior têm-nos a quintuplicar; por mais omissões reconhecidas pelas populações do litoral ao nível de apoios e políticas sociais pela no litoral, as do interior têm-nos a sextuplicar. E assim por diante...

  Por aquelas propostas (são162 e não 150, ou coisa parecida!) dão o corpo ao manifesto pessoal de todos os ministérios que integram 8 grupos de trabalho, tantos quantos os desafios e questões estruturantes do interior do país: envelhecimento com qualidade, inovação da base económica, capital territorial, cooperação transfronteiriça, relação rural-urbana, acessibilidade digital, atratividade territorial e abordagens, redes e participação.

  Portanto, elementos dos stafes ministeriais estão incumbidos de centralizar a operacionalidade da máquina montada, para operar no terreno, em tempos e escalas diferenciadas. É admissível pensar-se que está dada voz de comando a quem está no interior...

  Algumas das medidas propostas (162 e não 150, ou coisa que o valha!) já estão no terreno, enquanto outras têm execução planeada lá mais para a frente (que nenhuma delas esteja prevista para as calendas gregas!).

  Há fundos nacionais e comunitários consignados às agendas formuladas pelos 8 grupos de trabalho. Estarão criadas as condições tudo decorrerá sobre carris, na tentativa de libertar o interior do país às suas insuficiências e a algumas submissões. O país todo precisa de render mais, é essa a aposta a ganhar. 

  Tenho para mim que sesta é uma tarefa titânica. Pôr as gentes de concelhos, freguesias e lugares - até aqui menos beneficiados pelos fados -, com mais e melhor qualidade de vida, não é para qualquer um (e vai levar o seu tempo)!

  Tenho para mim que os muitos técnicos envolvidos não estarão ali para empatar e saberão ultrapassar com pertinácia as malhas que a burocracia tece, a mania de atirar sempre as culpas a outrem e a tentação de puxar a brasa à sua sardinha.

  As pessoas que privam com a interioridade todos os dias merecem alcançar todas as coisinhas boas que preferem localizar-se comodamente nos centros do litoral, sobretudo na capital.

  Tenho para mim que o PNCT (injustamente mal divulgado) vai romper com as assimetrias nacionais e trazer mais rendimentos à malta toda do interior, nem que seja à custa do turismo (já ouvi dizer que o turismo atrai variadas gentes, mas não nos aproxima dos valores delas, será?).

  Tenho para mim que, no fecho do programa, o país terá - como é desejo do PNCT, da UMVI, do governo, das autarquias e de todos nós - um interior mais coeso, mais competitivo, mais sustentável, mais conectado e mais colaborativo.

  Que, no fecho do programa, caso não seja possível obter maior coesão em todo o espaço nacional e, que, pelo menos, o interior fique mais conectado, ao litoral, naturalmente.

  Caso contrário, mude-se os habitantes todos para o litoral, que o interior está a ficar com as suas paisagens desfiguradas.

  Sem síndrome de coitadinho, com accountability isto vai!

  PS – Por acaso vou propor mais 2 medidas: que sejam aplicadas fortes multas aos passantes em áreas florestadas que abandonem brasas, vidros, latas e beiças de cigarros (saliva fica feio, mas até se aceite em campos de bola), em qualquer das estações do ano; que, antes, sejam feitas campanhas nos média. Para que o interior não se vá consumindo pelo fogo...

Litoral-interior.jpg

 



publicado por Jorge às 10:35
Sexta-feira, 28 de Julho de 2017

 

    Não há mal que sempre dure, nem bem que se não acabe.

     Adágio

 

 

    Quando opino sobre Venezuela, há coisas que eu costumo dizer:

    - Com petróleo para dar e vender, a Venezuela hoje está em sérias dificuldades, o que se estranha um pouco, mas, nos momentos seguintes, já não: a verdade é que este país, grande exportador de riquezas do subsolo, se habituou a produzir muito crude e poucos bens mais comezinhos (de comer, vestir e calçar).

    - Nos últimos 20 anos a Venezuela tem sido palco da revolução bolivariana, começada com Chávez e continuada por Maduro. Foram nacionalizadas - com indemnização - empresas ligadas às indústrias de base (que perderam operacionalidade). No entanto, não se procedeu da mesma com a maioria das restantes empresas dos restantes sectores de atividade, sendo que amigos das claques e cliques dominantes (boliburguesia) se estão a aproveitar da situação.   

   - A revolução bolivariana pode orgulhar-se da redução da pobreza, da promulgação de leis do trabalho mais favoráveis aos trabalhadores, da melhor distribuição de rendimentos e de melhorias palpáveis na educação e saúde (redução da mortalidade infantil, por exemplo). 

    - Cuba, (um espelho para a nomenklatura venezuelana) tem rumo assente e socialmente apurado, enquanto a China, por sua vez, se vale do catecismo de «1 país, 2 sistemas» para dar cartas na globalização. A revolução bolivariana essa parece navegar no improviso ideológico: vale-se de cartilhas criadas «à la minute» e «à la carte» e a práxis dos seus dirigentes máximos parece assentar na imprevisibilidade.

   - Há um par de anos a esta parte, instilou-se a carestia na Venezuela, marcada pela falta de acesso de largos sectores da população a bens de primeira, de segunda e de terceira necessidade, escassez materializada por filas imensas à porta dos supermercados, mal aceite por muita da população residente.  

     - As dificuldades estarão para durar: fala-se muita na falta de bens alimentares e de medicamentos, sobretudo e praticamente não chegam indícios que a carestia incomode particularmente os mandantes da Venezuela.

    - A recente baixa de preços do petróleo e o controle interno de divisas estão a tramar a vida aos venezuelanos (terá sido feita por medida?).  

    - O Sr. Maduro é um governante de olhão (sem ofensa) que anda aos papéis (projeto político para ele é manter-se no poleiro) que está nas mãos da boliburguesia e da tropa (as ditaduras militarizadas da América Latina foram e são uma grande escola) que comandam a economia. Ele enquadra-se no perfil que tenho de um Nero atarantado, transplantado para o século XXI.     

    - A oposição, sobretudo a conservadora, tem-se valido da difícil situação em que encontra o regime para armar contestação nas ruas, suspirando por melhores dias (chegarão?), ou que o tempo volte atrás.

   - As autoridades cá da terra dão voltas e mais voltas retóricas, mas não apresentam uma ideia, ou uma fórmula que sirva de consolo à grande comunidade lusa da Venezuela.

    Por sua vez, há defensores do bolivarianismo que dizem:

    - Uma revolução bolivariana («o socialismo do século XXI») está em curso, na Venezuela, e recomenda-se.

    - As atuais dificuldades económicas e sociais por que passa a Venezuela são transitórias e são uma deriva da crise conjuntural, radicada na baixa dos preços das commodities.

    - Há uma estratégia montada pelo imperialismo (principalmente pelos gringos que se creem donos do mundo) contra o processo bolivariano, alicerçada no bloqueio financeiro, na sabotagem, no açambarcamento e na especulação de preços, para pôr o povo em dificuldades e para o vergar (a culpa é sempre dos outros, aqui, ou em qualquer lugar).

    - O bolivarianismo é a via a certa para a luta de classes penda para o lado dos trabalhadores; só assim a paz, a liberdade, a justiça, o progresso social e a soberania da Venezuela e do mundo estarão garantidas.

    - A assembleia constituinte que será escolhida a 30 de Julho de 2017 vai finalmente pôr o preto no branco, com ela acabam-se as golpadas da direita que tem andado na rua a desinquietar os simples(amém!).

    Alguns detratores do regime falam assim:

    - Os que querem chegar mais longe propõem, entre outras medidas: a suspensão de pagamentos da dívida externa, essa massa deveria ser empregue em salários mais decentes, mais alimentos, mais medicamentos, melhor saúde e educação; o investimento na recuperação dos campos, para tornar mais eficaz a produção de alimentos; o resgate de todas as empresas básicas; a nacionalização de todo o petróleo; o fim das empresas mistas (passariam a estatais); o respeito pelas plenas liberdades democráticas, com eleições livres e liberdade aos presos de consciência (ena tantos!).

     - Os que querem a exterminação do regime dizem dele o que nem o profeta disse do toucinho: que o povo venezuelano está esgotado; que o país está exangue, mergulhado no caos e na miséria; que o país está debaixo da bota dum regime que se atola no gangsterismo, que o chavismo impôs à Venezuela um desastre económico e social de proporções históricas; que Maduro está agarrado ao poder como lapa e que vai sobrevivendo graças à violência do Estado (as armas estão com ele); que partam os pais desta agrura que deles não vai sobrar qualquer saudade (um exagero, nitidamente!).

    Agora sou eu a dizer, outra vez:

    - Quando o mar bate na rocha, seja na Venezuela, seja noutro qualquer país, quem se lixa é sempre o mexilhão, o que é comprovadamente injusto; até hoje, o melhor que se conseguiu em levantamentos sociais, foi a ereção de frágeis barreiras (vão-se abaixo em 2 tempos!), de forma a reduzir o entusismo efeitos das ondas.

    - Estranho que Marx tenha dito cobras e lagartos de Bolívar - um falso símbolo de toda a luta anti-imperialista latino-americana que proclamou a libertação nacional de povos oprimidos, sem, no entanto, alterar fundamentalmente as relações entre as classes sociais – e bastantes dos seus seguidores na atualidade se revejam no bolivarianismo.

    - O mundo dá muitas voltas, mas a esperança renova-se sempre, é o fado da gente!

brizela.jpg«A minha mãe voltou a casar – Já cansa tantas mudanças de regime!»



publicado por Jorge às 09:20
Sábado, 22 de Julho de 2017

    Um senhor que é comentador professor universitário e candidato à presidência duma câmara municipal em eleição a realizar na santa terrinha no próximo mês de outubro falou que se fartou durante uma entrevista dada a um diário da santa terrinha e disse bastantes coisas politicamente corretas e escorreitas para os seus seguidores mas também derivou para outras tiradas politicamente incorretas o que deixou os seus seguidores com os cabelos em pé os seus detratores a esfregar as mãos de contentamento sendo certo que na atual conjuntura político-social as afirmações politicamente incorretas cobram mais na opinião pública que as politicamente corretas a candidatura do senhor ficou sob forte escrutínio dos fautores da informação supostamente segura por arames.

    O senhor não foi de modas e disse à boca cheia que na santa terrinha há grupos sociais que compõem o seu pé-de-meia com subsídios atribuídos pelo Estado grupos esses que se estão nas tintas para cumprir certas regras do Estado de Direito instalado na santa terrinha muita gente ficou à espera da revelação dos nomes de casacudos mas saíram defraudadas as expetativas o senhor surpreendeu tudo e todos quando apontou os dedos todos aos ciganos pelo que se levantou uma procela na praça pública um partido da parceria que o queria na presidência da câmara em eleição a realizar na santa terrinha no próximo mês de outubro rasgou o acordo os seus detratores pediram a sua cabeça os seus defensores levaram ambas mãos à cabeça e os defensores oficiais das minorias entraram em estupor e ainda não estão neles.

    O senhor mais disse que os ciganos ocupam indevidamente espaços públicos que se furtam ao pagamento de bilhete nos transportes públicos e ainda por cima causam confusão e têm artes para que não sejam surpreendidos pela Justiça e fez ainda questão de notar que tais atos não são tolerados à maioria dos habitantes da santa terrinha ou seja aos normais que se por acaso mijam fora do penico logo são discriminados logo têm à perna um fiscal um polícia ou um pica logo portanto há aqui um peso e duas medidas com prejuízo da maioria de cumpridores e privilégio duma minoria que resiste em ceder à tentação de se deixar ir na onda dos valores que enformam a santa terrinha embora quanto a privilégios haveria mais que dizer doutras minorias.

    O senhor disse que a maioria cumpridora não denuncia publicamente aquelas situações permissivas (se denunciam são ignorados pelos fautores da informação) por medo da alcunha de fascista de racista de xenófobo um anátema que pelos vistos custa a engolir e pode custar o céu a muitos íncolas da santa terrinha ciosos do seu bom nome (mesmo que o destino os tenha escolhido para árbitro duma qualquer competição desportiva) embora haja os que não têm medo e se ufanam de não serem fascistas nem racistas nem xenófobos antes optam por sugerir a integração (à distância) daquela minoria de cidadãos da santa terrinha a qual não ata nem desata há variados lustros.

    O senhor entende que tem medo como eu mas que remédio! se és candidato à presidência de câmara municipal em eleições a realizar em outubro tens de ter coragem de denunciar o que está mal e está mal a guetização o autopoder assomadiço da minoria cigana na autarquia e não falou do caso doutras autarquias julga-se que não querer ser considerado metediço epíteto que cai mal pior ainda que todas as alcunhas que teve de ler e ouvir e com as quais não se rala já agora seja-me permitido aqui recordar o senhor Ibsen  um personagem importante do teatro danado para contrariar e inquietar a alma da gente um dia ele escreveu mais ou menos isto que ainda está por provar  que as minorias possam ter sempre razão e a maioria possa afinal estar do lado errado.

    O senhor entende que quem não cumpre as regras não pode utilizar espaços públicos que a câmara municipal a cuja presidência se candidata em eleição a realizar na santa terrinha no próximo mês de outubro deve apoiar aqueles que precisam como seja as famílias que perderam emprego famílias que têm mais de três filhos e não os conseguem sustentar famílias que não conseguem satisfazer necessidades básicas devido à carga fiscal não aqueles que não querem fazer nada lá diz o povo que quem assim fala não é gago se calhar ficar-lhe-ia bem a sobraçar as 2 causas não uma só.

    Porque não se anda às curvas em estrada reta não por que não vai o senhor candidato à presidência de uma câmara municipal vizinha da capital em eleição a realizar na santa terrinha no próximo mês de outubro entregar provas persuasivas ao Ministério Público como agora é de bom-tom?

    Porque a mais bela fogueira começa com pequenos ramos o senhor corre o risco de ver em alternativa os ofendidos a apresentar queixa contra si no mesmo Ministério Público pelas suas agravadas e reiteradas diatribes politicamente incorretas o que era bem feito.

    (Alguém me disse que o senhor se julga já o próximo presidente da câmara para a qual concorre na eleição a realizar na santa terrinha no próximo mês de outubro é preciso ter lata!).

 

Garrafas atiradas desleixadamente ao mato também provocam incêndios de grandes dimensões.

ciganos.png

Nada de interessante nas suas vidas anteriores. O senhor é muito consistente, isso lho garanto.

 



publicado por Jorge às 09:31
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