Domingo, 22 de Julho de 2018

Onde mais fundo vai o rio, aí menos ruído faz.

Adágio

 

    Não anda com muito tempo, por acaso dei atenção a certa reportagem incluída num serviço informativo das 13 horas a que dou atenção em diferido, à uma porque fujo a notícias desinteressantes, em segundo lugar porque detesto o conúbio entre notícias e publicidade.

    Não se pode despachar os anúncios todos no fim dos telejornais? Assemelha-se contraproducente e rebarbativa a mistura entre passível factualidade e a factual boçalidade. Estão a ver o género, depois de uma notícia de um acidente fatal numa estrada, entram anúncios (quase sempre do estilo lingueirão, acéfalos, portanto), tendo à cabeça semblantes voluptuosos de quem curte estar ao volante dum popó altamente, mas ao preço da chuva?!

    A peça em questão dava conta de uma iniciativa de um grupo de cidadãos portugueses – militantes duma associação benemérita -, que se manifestavam, na capital, a favor dos direitos dos animais que são exportados vivos, em barcos, mas em condições tidas por degradantes, às 3 pancadas, para certas partes do mundo.

    Manifestamente há aqui desvios às normas instituídas, quando:

    - Os animais são embarcados pela porta do cavalo, para que não sejam visíveis as tropelias cometidas já no acesso a bordo.  

    - Muitos dos animai exportados vivos morrem, ao embarcarem, durante a estadia (más condições de peação), ou no desembarque.

   - Os animais, uma vez embarcados, não dispõem de condições de assistência a bordo, são postados a trouxe-mouxe no espaço a que ficam confinados, comem os que podem, não conseguem descansar em condições.   

    - Como se não bastasse tais condições degradantes, as fezes acumulam-se, sem que haja um esforço mínimo de higiene, inclusive os animais podem ser vítimas de sevícias, durante a viagem, ou mais tarde nos matadouros, antes de lhes desfecharem o golpe de misericórdia.

    Antes a morte que tal sorte! Já vai sendo tempo de serem implementadas a sério as disposições internacionais que regulamentam estas trocas comerciais. Melhor fora a proibição cabal das trocas de rezes vivas, sejam elas destinadas ao consumo de pessoas que, antes do abate, as querem ver vivas e sujeitas a normas teologais estritas, seja por razões reprodutivas.

    Foi então que me dei conta da presença do Sr. Geraldo, um meu conhecido de fresca data, no meio dos manifestantes, naquela manife comemorativa do Dia Contra o Transporte de Animais Vivos.

 

    Conheci o Sr. Geraldo, no fim duma caminhada - prevista para todos os dias, mas nem sempre cumprida, para mal dos meus pecados e problemas de saúde –, a qual se prolongara por largos 30 minutos.  

    Na oportunidade, surpreendi-me ao ver um senhor, debruçado sobre o seu cão - devidamente atrelado e aparentando estar bem registado - e que limpava um presente que o bicho depositara no passeio público. Pareceu-me, que trazia igualmente uma garrafa com água de litro de água, decerto para acorrer à limpeza assim que o bichano vertesse águas.

    Aproximei-me do senhor que não conhecia de parte alguma:

    - O senhor merecia um prémio!

    - Desculpe, se não o acompanho! – replicou o Sr. Geraldo.

    Dei-lhe os parabéns pela correção da sua atitude, pois tenho visto poucos amigos de cães dispostos a cumprir com recomendações e normativos. O espaço público é fruído ao sabor da real gana de cada um, sem incómodos por-aí-além, a não ser que surja um reparo mais vivaz de um outro circunstante, logo devolvido à procedência (se todos os amigos de cães dispusessem de mais espaço habitável, outro galo cantaria!).

    - Aqui onde me vê, acho que se deve cuidar bem dos bichos, sem multiplicar incómodos para a vizinhança!

 

    Desde então, tenho trocado amiudadas opiniões e tido frequentes tocas de cumprimentos com o Sr. Geraldo. Mais, já está apalavrado que, num destes dias, vamos trocar mais ideias, num restaurante, o que pode ser o início de uma boa amizade.

    Por conta dessa proposta, ando preocupado: não me conto no número crescente de apreciadores de animais de companhia (escusada); não sou muito de touradas, mas aceito plenamente exibições de bichos nos circos, em zoológicos, oceanários, aquários e correlativos; mais, resigno-me perante o quadro de muares e equídeos a alombar com carregos; não recrimino as caçadas e sou apreciador de um bom naco de carne de animais criados em cativeiro (que, por acaso, na hora do derrube, passam suplícios tantálicos).

    Por gentileza, terei de omitir estes meus pecadilhos ao Sr. Geraldo?

    Temas para conversa não faltarão: à cabeça, como não podia deixar de ser, as condições indescritíveis que presidem ao transporte de animais exportados vivos para abate ou para reprodução; naturalmente que o desrespeito pelas disposições legítimas ao lidar com bichos de estimação; eventualmente, para não fugir muito ao tema, os métodos dilacerantes usados no abate de bovinos, porcinos, patos e frangos, etc. são um bom tema para mais 2 dedos de conversa, não esquecendo; os direitos dos animais (entre os quais o acesso ao seu ambiente e/ou reserva natural).

    Não seja por isso, assunto para conversa à mesa não faltará!

    Mas, outra coisa me traz preocupado: será o Sr. Geraldo vegan ou vegan? É provável, não tem ar de quem frequente casas de pasto banais (antes freegan!)...

    É que quem opta por sistema de alimentação alternativo raramente abdica uma só vez dos seus princípios. Por uma vez sem exemplo, eu não me importarei de abdicar de uma comidinha enfarta-brutos. Mas, há por aí boas alternativas, como sejam as especialidades provindas da Tailândia, da China, do Japão e até da Índia e do Nepal, para variar, não fica mal...

    Afinal, sabe bem viver econviver em países em que os bichinhos de estimação já ocupam uma boa talhada das conversas (moles) da malta...



publicado por Jorge às 09:35
Segunda-feira, 09 de Julho de 2018

Chora por mim ó minha infanta
Escorre sangue o céu e a terra
Ah pois por mais que seja santa
A guerra è a guerra

Fausto B. Dias

 

    Não anda com muito tempo, por acaso, dei atenção a certa notícia incluída no serviço informativo das 13 horas que vejo e ouço sistematicamente em diferido, à uma porque fujo às notícias desinteressantes, em segundo lugar, fujo à publicidade - quase sempre rasca -,porque detesto o conúbio entre notícias pungentemente patéticas com anúncios formalmente patetas.

   A voz da locutora, límpida e clara – por aí campeiam comunicadores que não investem muito numa dicção precisa – dá conta de mais uma impiedosa ação de guerra, no Iémen: junto a uma cidade portuária, 250 000 pessoas estariam cercadas por tropas da aliança saudita, um dos dois contendores da guerra dita civil que incendeia aquele país (conta com a colaboração insidiosa de potências estrangeiras e aliados extremistas).

   Mesmo em guerra,infelizmente,o Iémen recebe migrantes em trânsito, provindos doutras latitudes com conflitos; agora há mais iemenitas a juntar-se aqueles no trajeto seguinte.

   A voz da locutora, límpida e cristalina continua a debitar esclarecimentos: dum lado estão lutadores sunitas da coligação saudita, do outro, combatentes xiitas, gente temente ao mesmo deus, cada um à sua maneira.

  (Os conflitos bélicos eclodem após decisões de altas esferas, mas não tão altas que cheguem ao Céu...).

   Está dito, redito e comprovado que as proclamações de guerra se fazem por amor ao vil metal, logo, por mor da propriedade da liderança (quantas vezes os nacionalismos são malsãmente chamados à pedra!).

   A voz límpida e cristalina continua a dar conta de pormenores: a arremetida militar poderia estar a pôr em questão a assistência humanitária não apenas a 250 000 iemenitas civis, mas a um total de 8 milhões diretamente dependentes dos bens aportados  aquela cidade, ora sitiada.

 

   As guerras hodiernas têm uma componente bélica propriamente dita e outra humanitária; esta última cinge-se a rígidos códigos de conduta. A Cruz Vermelha, o Crescente Vermelho e outras organizações que ostentem um cristal vermelho oferecem os seus préstimos, de forma a minorar a crueldade

  (Do mesmo modo, organizações sociais, em tempos de paz, são apontadas à assistência aos derrotados da vida que bem existem, para contrastar com os heróis.)

    A guerra do Iémen, iniciada em 2015, segue de perto os regulamentos das convenções e protocolos de genebra, daí que, por um dos lados no mínimo, esteja submetida a avaliação, monitorização e até prestação de contas, sobre atropelos e sevícias infligidas.

   (A guerra, justa ou injusta, é uma púrpura debaixo da qual se ocultam homicídios.)

   A Organização das Nações Unidas – um arremedo de governo mundial - faz o que pode e pode pouco; sempre que se proporciona a ocasião, apresenta uma moção de censura do conflito,na sua sede,mas há sempre um vencedor da 2ª GM disposto a vetar o texto, porque lhe serve o contexto.

    Na disputa iemenita, a ONU tem no terreno uma Missão de Observação - é o melhor que se pode arranjar - que dá conta dos desatinos cometidos, das epidemias em desenvolvimento, das falhas de socorro, sempre na esperança que o conflito se extinga amanhã. 

   A ONU também não se importa de gerir zonas neutras, potenciais ou efetivas. Mas, às vezes também se oferece para gerir as chamadas zonas neutras. A soberania dos países exige respeito e contenção nas palavras, atos e obras.

   (Quem tudo abarca, pouco ata.)

    Conflito terminado, será tempo de discursos em Nova Iorque e noutras capitais do mundo, por parte do vencedor, se a democracia intramuros seja instaurada, bem entendido...

   Por aí se diz que quem compra terras, compra guerras.

 

   Eu vi-te, Alzira, naquela reportagem, enquanto a voz, límpida, cristalina continua a denunciar, galhardamente. Ao colo de tua mãe, decidida a pôr-se dali-para-fora, tu choravas copiosamente,angustiada talvez porque pressentisses que te aguardava o desconhecido, a contragosto. Lia-se no semblante da tua procriadora determinação em dar o fora, duma vez por todas, mesmo que isso implicasse deixar para trás entes queridos, objetos estimados e uma terra prezada. A tua mãe,face ao alvoroço,estendia-te um manto protetor.

   (Dói muito, mas o que tem de ser tem muita força!).

   Só consigo imaginar a aflição superveniente à fuga empreendida, para fora do alcance de tiros, de bombas e do barulho ensurdecedor dos carros de combate e aviões - provavelmente apenas com a roupinha sobre o corpo -, rumo a desejado porto seguro, onde seja possível acreditar que amanhã terá de ser outro dia. A esperança, sempre a esperança que a sobrevivência se faça com dignidade. Por aqui se dizia muito que ninguém foge ao seu destino, mas isso era a canção do velho bandido...

    (As guerras modernas são sempre comandadas à distância, onde corre o leite e o mel; é sempre a arraia-miúda que vai mais para o maneta e para pouco conta no momento de afirmar heroísmos.)

    De pouco vale dizer-te que lamento a tua sorte, mas digo-o e quando o digo fico tomado de impotência. Esta sensação que a maioria nasce para ser joguete nas mãos de poucos não me larga!

    Em nome das vítimas efetivas (tão pouco se lhes dá importância, a não ser às grandes patentes!) e colaterais, maldirei sempre, a plenos pulmões, a guerra, quem a faz e apoia, seja ela civil, aberta, fria, intestina ou santa, de pouco me importam!  

    (A medicina ensina a curar os doentes, a arte da guerra a matar os sãos.)

    Oxalá encontres arrimo e coragem suficientes, até ao dia em que te possas valer a ti própria. E não me saiu mais nada, lamento!

 

    Calada a voz clara e nítida, cai um anúncio não-institucional na pantalha, enquanto ainda matutava na tua desventura, miúda. Estive vai-não-vai para atirar ao plasma o livro volumoso que estava ao alcance da minha mão, mas recuei o braço a tempo, que os afetos não se exibem, sentem-se.

    (O Sr. Júlio Dinis escreveu que há aparências de dureza que ocultam tesouros de sensibilidade e afeto,mas também há afetos que se prestam a subjugar.)

    Sabes, Alzira, que, viver num país livre de operações militares geoestratégicas, económica e financeiramente desenrascado e avonde de boas consciências, facilita a sobrevivência... Desculpa lá qualquer coisinha!

 

Alzira.jpg

 



publicado por Jorge às 19:23
Domingo, 01 de Julho de 2018

 

Debaixo de belas palavras, pode estar o engano.

Adágio (adaptação)

 

    Para o Sr. Miguel Sousa Tavares (MST, doravante) há uma paixão assolapada pela educação que carateriza os sucessivos governos da nação, os alunos, os pais dos alunos e até os contribuintes, como ele, e que é tratada com desdém pelos profes (leia-se professores do ensino básico e secundário, oficial entenda-se).

    Assim argumenta o Sr. MST, no «Expresso», do dia 22/6/2018:

   . Os profes andam constantemente em lutas, em protestos, em manifestações, em greves.

   . Assim, os profes protestam por conta dos horários de trabalho, das aulas de substituição, da avaliação do desempenho, da contagem do tempo de serviço, das promoções automáticas, da integração nos quadros em concurso, das salas de aula onde fazia frio, da abertura do ano letivo sem que milhares de escolas estivessem prontas e por-aí-fora.

    . Os sucessivos governos têm cedido aos profes, senão vejamos:

    1 - Horários – No horário obrigatório estão incluídas horas de trabalho caseiro, até perfazer as 35 (tempos houve em que o horário das docentes e dos docentes se limitava às horas de aulas efetivas, vejam só o desplante!); foram criados inclusive «horários zero», em benefício de profes atingidos pelo «cansaço» e «desmotivação (?); estarão para avançar as reformas antecipadas (bonificadas?).

     2 - Salas de aulas em que fazia frio - Elas acabaram, em todas as escolas; mais, além do aquecimento e do ar condicionado, todas elas dispõem de relvados sintéticos e mais uma série de mordomias dignas de países do primeiro mundo.

     3 - Avaliação do desempenho - Deu lugar a uma autoavaliação de anedota.

     4 - Integração nos quadros do MEC - É feita sem concurso, conta apenas a antiguidade.

     5 – Escolaridade obrigatória e nº de alunos por turma - Para encaixar todos os profes nas escolas oficiais, alargou-se a escolaridade obrigatória (!) e diminui-se o nº de alunos por turma (?), façanhas só atingidas por países do primeiro mundo; assim se compreende que, em anos letivos anteriores em que se verificou a diminuição de entradas na faculdade, o nº de profes tenha aumentado (isso também tem a ver com o absentismo progressivo da malta docente).

     6 – Programas e manuais escolares – São linearmente delineados por profes que chegam ao ponto de impor os conteúdos dos exames que são feitos - pela amostra deste ano -, com ou sem notas finais publicadas previamente.

---

     Depois de tanta cedência, de tantas benesses, concedidas, depois de tanta massa empatada, o ensino dos profes tem melhorado? A crer no crescimento da procura de explicações, é caso para duvidar... Mais, metade das criancinhas de 11 e 12 anos não sabe apontar Portugal no mapa o seu país e quanto à história das Descobertas estamos conversados...

    Daí que, para que os profes não possam mais fugir à paixão pelo ensino, o Sr. MST reivindique que os sindicatos (um monte deles!) antes se atrevam a avançar com sugestões para melhorias do ensino dos programas, do acompanhamento dos alunos e se deixem apenas de lérias e da acumulação de lordismos.

  (Pobrezinhos, mas honrados! Já não lhes basta saber que colhem o respeito da maioria das comunidades escolares?)

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     Em abono da verdade, reconheço que o Sr. MST poderia ter carregado mais nas tintas, caso estivesse ao corrente destas seguinte 3 indicadores: a) - que os estudantes portugueses têm uma carga horária bem pesada, comparativamente à maioria dos países europeus e de um ou outro da Ásia, segundo um estudo revelado em 2017; b) - em Portugal há um profe a tempo inteiro para cerca de 10 alunos, um indicador mais baixo que a média dos países da OCDE, em 2014; c) - Portugal é um dos países da Europa em que mais se chumba, até ao 6º ano (2016). Escaparam de boa, os profes!

    Outrossim, as estatísticas mostram isto: no período 2005-15, os alunos portugueses de 15 anos que fizeram o exame PISA colheram dos melhores resultados dos discentes da UE; em Portugal, os alunos imigrantes obtêm resultados satisfatórios, contrariando o sucedido na generalidade dos países de chegada; os profes portugueses, no período 2005-15, contaram-se entre os docentes da OCDE que registaram maiores perdas nos seus salários.

    Digo eu que a solução final do Sr. MST (deixem-se de andar sempre com lamúrias e  pedinchas, a gente fala depois de) rescende a bafio e traveste-se de descaro, tal a pretensão de ensinar o padre-nosso ao senhor vigário.

    (É de palmatória, não é?)

    Aliás, o Sr. MST junta-se, voluntariamente, como de outras vezes, ao coro de mandantes da governação que não vão na conversa dos profes. No protesto mais recente dos profes (não mesmo vontade de os provocar?), os decisores políticos dizem que não há guito para repor a contagem do tempo e o bago perdido, durante quase 10 anos, durante os quais os profes marcaram passo. Para todos eles,  «não há nada para ninguém», assim se verga a frivolidade de desapaixonados.

    (Achei castiça a tirada do senhor ministro da tutela, segundo a qual o tango deve ser bailado a 2, apaixonados naturalmente, ele que tem todo o ar de pezudo!).

    Daí que, ou muito me engano, no caso vertente, vão ver Braga por um canudo. A bancocracia instilada já não cede a pretensas vagas de fundo de meritocracia social.

    (Essa de fazer greve e pouco largar para o patrão é de mestre, ó profes!).

    Com as férias à porta, a vontade reivindicativa dos profes pode esmorecer. Parece garantido que já se aposta nisso, o lazer bem dispensa chatices...

   A propósito, nunca ouviram dizer que a paixão nada remedeia, ou soluciona?!...

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PS – Continua a fazer sentido, numa sociedade representativa, a imposição legal da comparência de todos os intervenientes no processo do ensino/aprendizagem dos alunos, no momento da avaliação final, no fim do 3º período escolar? Um sorteio de avaliadores que perfaçam a maioria simples até acrescenta alguma emoção à cena...

professante.jpg

«Inocente? Você quer ensinar-me o meu ofício?»



publicado por Jorge às 20:04
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