Sexta-feira, 15 de Maio de 2020

 

   A velhos ainda poucos chegam, mas de velho ninguém passa.

    Provérbio

 

   Neste país há já bastantes pessoas idosas, tendência que se tem reforçado em décadas recentes, a traduzir progresso social.

   Infelizmente a covid-19, na morte, privilegia anciãos e anciãs, estas em menor número, o que faz alguma espécie a muita boa gente, mas certo é que quem nasce mulher conta com maior esperança de vida, vivem mais, em média.

   (Doutras interpretações decorre que isso se deve antes ao facto de os homens trabalharem mais, os trabalhos mais perigosos são tarefas para os varões, muitas mulheres ainda se quedam por casa a cuidar dos filhos, correm menos perigos, ora pois, não nos venham com essa laracha que a conjugação genética é mais favorável para as senhoras de origem!)

   Agora sabe-se que uma parcela das mortes impostas pela covid-19 a pessoas da terceira idade deram-se em lares clandestinos, estão a ver 35 0000 a viver em estabelecimentos destes, presume-se que, às vezes, em condições de bradar aos céus, reúnem mais condições para infeções. 

   Pergunta: os familiares sabiam das condições destas instituições de acolhimento de idosos?

   Outra: o Estado não sabia, não exigia, ou não vai cobrar a estas instituições?

   (Parece haver lares da terceira idade, reconhecidos e até subsidiados, a funcionarem fora dos regulamentos.)

   Os complexos de culpa são tramados!

    Inadmissível pensam as boas almas, temos pena, são derramadas lágrimas pelos velhotes mortos, pelos funcionários infetados, mas aceita-se que ainda não seja a altura de exigir responsabilidades a quem de direito, é tempo de cuidar de quem se acha no legítimo direito de continuara a viver por muitos e bons anos, além de enterrar os mortos.

   O látego abater-se-á depois, ou pôr-se-á uma pedra sobre o assunto?

   A velhos ditosos poucos chegam.

Gerontes.jpg

 



publicado por Jorge às 20:21
Sexta-feira, 15 de Maio de 2020

Há uma regra sem exceção:  todos precisamos de comprar serviços e produtos, uns de primeira necessidade, outros espúrios.

Na ordem estabelecida, é suposto que, todos os anos, os bens aumentam, no primeiro dia, do primeiro mês do ano, por conta da inflação, em certas condições, apaparicada pela Economia.

Tudo normal!

Na ordem estabelecida, há uma porrada de impostos diretos e indiretos.

Indiquem-me uma transação, que não esteja legalmente submetida a impostos que revertem para o Estado. Os impostos manifestam uma tendência para crescenças, por conta da inflação, no início, a meio, ou no fim do ano, tanto faz! o que é acarinhada por sãos princípios da Economia.

Tudo normal!

Há uma porrada de comissões impostas pelos donos dos bancos (ora consideradas imprescindíveis na gestão de contas, com menos funcionários). São cada vez mais escassas as operações e movimentações bancárias não sujeitas ao jugo de comissões, que invariavelmente, no princípio do ano, também padecem de inflação, a tal que também é mimoseada, em certas condições, pelas sãs regras da Economia.

Tudo normal!

Há uma porrada de portagens a pagar nas autoestradas, nos itinerários complementares, no acesso a pontes, etc… Todas elas aumentam, regularmente, todos os anos de preferência, não há maneira de lhes fugir, porque não resistem ao prendimento da inflação, que, quando bem acautelada, desempenha um papel motivador das economias.

Tudo normal!

Assim, a inflação pode jogar o seu papel no crescendo dos rendimentos públicos e privados.

Como se sentiria o pobre, o remediado, o pequeno, ou o médio burguês, sem entrar, em data certa, com mais umas moedinhas, para o escorreito crescimento económico?

Mal, por certa e a vida seria sensaborona!

Em tempo de pandemia, não convém suprir os elementos que conferem alguma excitação social...

PS – Não dá, em tempo de pandemia, para se voltar, no imediato, ao Cabaz de Compras, entre outras políticas oficiais imperativas?

Carestia.jpg

- Qual a solução efetiva que sugere para o controle do crescimento da população mundial?

- Inflação incontrolada!



publicado por Jorge às 19:39
Quinta-feira, 07 de Maio de 2020

Rodrigo era agente policial, um homem dado a aconselhar mais que a penalizar.

Veja lá não estacione aí, veja lá não sacuda os tapetes para a via pública, veja lá não deixe o cão arriar o calhau em qualquer sítio, veja lá não faça barulho, façam as pazes, que seja a última vez que o vejo janado, trate-se, deixe-se disso, portem-se bem, tenham calma, vão mas é para caselas e cumpram o confinamento profilático, que o germe não está para brincadeiras, vá lá não custa nada!...

Naquele dia, nem ele sabe que raio de bicho o mordeu, pôs-se a controlar um cidadão que fumava tranquilamente na via pública, à vista desarmada não havia cinzeiro, deixa lá que já trato de ti, meu lindinho, há muito que embirrava com esta gente que suja a via pública de piriscas, a Lei devia de proibir as cigarradas!...

Rodrigo compôs um ar safado, anormal nele e aproximou-se pé-ante-pé do viciado cidadão!

Antero fumou o paivante até ao filtro, pegou no coto do cigarro, inclinou-se e pô-lo no chão. Rodrigo rapou dum bloco, disposto a sacar os dados de identificação ao faltante e a aplicar a coima máxima que pune o descarte de beatas na via pública, 250 euritos nem mais, a punir o descarte de beatas, em terreno público, sem contemplações, dura lex sed lex!...

Foi quando notou que Antero, acabando de pisar a ponta da pirisca, projetou a ponta do cigarro, extinta, ao caixote do lixo mais próximo.

Rodrigo, pressentiu que um buraco se abria a seus pés, ensaiou uma guinada mal-amanhada, nisto deu de caras com um cidadão anónimo, olhe atravesse a rua na zebra ali mais adiante e ala que se faz tarde, não sabe para que servem as zebras?, da próxima leva a multa da praxe para aprender!...

À sua volta leu nas feições dos passeantes risos amarelos, - tá-se a rir de quem? - e até o atirador de beatas ao lixo depois-de-apagá-las-com-a-biqueira-da-bota (ou era ténis?), compôs um ricto de gozação, que, por acaso, ia mal com aquela cara de desriso, se te apanho mais uma vez!…

No dia seguinte, Rodrigo esteve numa movida policial a um bando de amigos do alheio, a coisa correu bem para a força-da-ordem, uns quantos meliantes foram parar ao xadrez.

A caminho de casa, Rodrigo ainda acariciava o cassetete, quando deu de caras com Antero que acabara de acender mais um cigarrito.

Vai de rirem a bandeiras despregadas, um alívio para os nervos!…

À coca.jpg

CARTAZ: Buzine, se cometeu um crime

                          - Acho que assim não dá resultado, capitão!



publicado por Jorge às 21:32
Quinta-feira, 07 de Maio de 2020

 

Agostinho perorava:

- Os bancos e correlatos são templos onde se celebram ritos pristinos, de vetusta patente, onde se incensa César, seus tributos e atributos. A ministrante e apóstolo são muitos os chamados, pouquíssimos os escolhidos, nem todos têm vocação para guardar um bom segredo que faz a alma do negócio.

(Lá dizia o outro, armado em pensador: poucos são os indivíduos habilitados por capacidades de levar a vida em plenitude, o amor pelo dinheiro.)

Que sim, diziam paternalisticamente as pessoas estacionadas, naquele cantinho do jardim.

- Os bancos e correlatos seguem à risca a máxima que incita a ficar com a melhor parte, quando se reparte, para não ser tomado por agalhas. Dessa arte é mister que sejam muitos os comungantes e adjuvantes, poucos os mandantes, ou o mundo não seria aquele que se conhece.

(Passos largos são apenas sugeridos a quem não tenha estatura meã e perna curta para o ofício.)

Que sim, diziam paternalisticamente as pessoas que, naquele cantinho do jardim, seguiam sobretudo as peripécias dum jogo de cartas.

- Os bancos e correlatos gerem valores, moedas, ações, bilhetes, certificados, letras, títulos, fundos, património material, património imaterial, a partir de refúgios de acesso reservado aos poucos que têm arte para baralhar e dar cartas e depois realizar lucros pingues.

(Segredos sobre a arte de acumular muita massa, sem sujar as mãos e os pés, só se revela a amigos que são sempre contam pelos dedos de ambas as mãos, quando não de uma só) uma, ou quando muito, das 2 mãos).

Que sim, diziam paternalisticamente as pessoas que, naquele cantinho do jardim, seguiam sobretudo as peripécias duma partida de cartas, rijamente disputada.

- Os bancos e correlatos têm-se na conta de instituições filantrópicas: gabam-se de conceder empréstimos, a qualquer hora, em qualquer lugar e a qualquer indivíduo que dê garantias, mas raramente perdem (só nas derrocadas). Neste caso, tentam despejar para cima de acionistas indefesos, ou impõem taxas e taxinhas aos clientes simples da ocasião.

(Se não és bom comerciante, recomenda a sabedoria que feches a loja.)

Que sim, diziam paternalisticamente as pessoas que, naquele cantinho do jardim, seguiam sobretudo as peripécias duma partida de cartas que terminava à melhor de 3.

- Aos bancos e correlatos interessa tanto a gestão de dívidas soberanas, como a administração de poços de petróleo, de minas de ouro, de minas de diamantes, de minas para coltan, de circuitos de distribuição de bens materiais e imateriais, etc…Os seus gestores forçam engenharias financeiras, requerem sigilos, requisitam experts em diversas matérias, exigem paraísos fiscais e não enjeitam, em momentos de azar, perdões fiscais e/ou subsídios, sempre na perspetiva de ampliação da fortuna, com pouco despesismo associado, isso fica para o Estado.

(Na arca do avarento, o diabo jaz dentro.)

Que sim, diziam paternalisticamente as pessoas que, naquele cantinho do jardim, seguiam sobretudo as peripécias duma partida de cartas, rijamente disputada, que terminava à melhor de 3.

- Portanto, os bancos e correlatos são manobrados por uma cáfila de passarões de arribação que se consomem a comer as papas na cabeça de centenares, ou de milhares, ou de milhões de indivíduos. Essa malta não passa de unhas-de-fome, filhos diletos de belzebu, azeiteiros ramelosos e por mim passo bem sem eles.

(Quem perde a vergonha fica senhor do mundo!)

Que sim, diziam paternalisticamente as pessoas que, naquele cantinho do jardim, seguiam sobretudo as peripécias duma partida de cartas, rijamente disputada, que terminava à melhor de 3 e valia uns púcaros grátis aos vencedores, tomados na tasca mais próxima.

Em cena surge Damião que o conhecia de ginjeira, em tempos tivera de lhe pagar juros leoninos, daquela vez em que precisou da sua ajuda para ocorrer a um gasto de saúde imprevisto. Damião volta a encher Agostinho de impropérios, claro que não era a primeira vez, seu isto, seu aquilo, bandido, patifório, emprestaste-me dinheiro, mas tive de pagá-lo mailos juros com língua de palmo.

(Merda, tinha sido a única vez que se armara em onzeneiro, emprestara aquele dinheiro ao Damião que pagou nos prazos, honra lhe seja feita, depois apostara em cavalos errados e, há muito, que não passava da cepa torta!)

Que não, disseram em coro as pessoas que, naquele cantinho do jardim, seguiam sobretudo as peripécias duma partida de cartas, rijamente disputada, que terminava à melhor de 3 e valia uns púcaros grátis aos vencedores.

Agostinho estará a pregar noutra freguesia, ou entrou de quarentena, nunca mais lhe puseram a vista em cima.

Vidas 4.jpg

Computador estúpido, sempre a dizer «tem correio»

 

 



publicado por Jorge às 20:15
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