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oitentaeoitosim

12
Nov12

Casos de denominador comum

Jorge

Primeiro – Um rapaz holandês, jogador de futebol avançado, ambicioso de todos os dias, vive uma época de seca. A equipa não calibra bem, os lances não saem à maneira, os centros são feitos com conta, mas pouca medida, assim fatura pouco. Os simpatizantes do emblema que representa desesperam e vaiam a torto-e-a-direito. Nem sempre o azar está atrás da porta, pelo que um dia o ponta-de-lança faz um tento de cabeça e ele, moita-carrasco, não festeja com a exuberância doutras vezes. Mesmo assim, levanta os braços e sai-lhe um xibolete como mandam as regras da pouca educação. Que não! Nada fez de reprovável, aquilo que as fotos exibem é apenas um momento breve dum gesto de maior amplitude e significância, nada contra quem o xingou. Não chegava pedir desculpa?

Segundo – A senhora presidenta do BA, uma instituição de referência e reverência social, é convidada para uma charla num canal televisivo. Até aqui nada de especial, não era a primeira, nem será a última vez que a senhora opina nos média. Vem a pobreza à baila e os modos de a contornar. A páginas tantas sai-se com esta tirada: «Se não temos dinheiro para comer bifes todos os dias, não podemos comer bifes todos os dias». Nada de mais atilado. Só que esta frase traduz uma receita requentada, patenteada, há muito, por quem nunca teve dificuldades de subsistência. Quem se habituou a driblar a sorte fartou-se de ouvi-la (e até de repeti-la, sem comprazimento, diga-se), no tempo em que se comia o pão que o diabo amassava. Ter que suportar outra vez o aguilhão da reprimenda, da mofa (involuntária) de antanho, dói. As suas explicações e pedido de desculpas, minha senhora, falham o alvo.   

Terceiro – O ministro persiste na receita da austeridade, equânime nos sacrifícios, para os mansos com fome de justiça. Não há outro caminho a trilhar, paciência, ó Abreu, dá cá o teu! Outras mulheres e outros homens aconselham-no: «Não vá por aí!» Mas, ele vai, contrariando tudo o que havia dito, quando se propôs ao lugar. Dizia ele, na oportunidade, que mais aumento de impostos não, que retirar rendimentos às pessoas não, que iria promover o desenvolvimento sim. Não soube contornar dificuldades, (tais eram os escolhos) ou não lhe deixaram alternativa: a coisa pública continua a navegar à vista desarmada e ao sabor dos ventos dominantes. O tempo volta para trás, a indigência está cada vez mais próxima. O espantoso da questão é que o senhor ministro não peça desculpa, não por aquilo que está a fazer, mas pelo que prometeu e não consegue levar avante. Até pode ser que esteja no caminho certo e que, depois dele, só o dilúvio...

 

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