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oitentaeoitosim

02
Fev13

Sugestões para o dia de S. Nunca alpardinha

Jorge

. Terão direito a estátua, em lugar público e a placa comemorativa (em campa rasa também) todos os cidadãos que pautem a sua vida pelo trabalho e pela aceitação involuntária de sacrifícios em prol de outrem, sobretudo em tempos de bulcão financeiro (os numes e os seus galopins continuarão a extrair dignidade no trabalho de quem alinha, portanto a consagração para quem a merece).

. Não serão só os salário-dependentes a pagar, em direitos e em ducados equânimes, as dívidas do erário público (já bem lhes basta ter de gramar o pagamento do estado social). Os cidadãos dispensados destas formalidades, por terem pé chato ou chatos nas axilas, pagarão com língua de palmo os sinais exteriores da sua riqueza aquém e além-mar (o valor será calculado por uma fórmula ainda por inventar, premente é mesmo salvar o estado social).

. Serão promovidos os cidadãos que se recusam a medir os concidadãos por tenças, tachos, títulos e penachos ostentados e que creem que o bom nome e a auto estima também são património dos estigmatizados pela falta de dracmas (de preferência as pessoas serão tratados pelo sobrenome ou pela terra de naturalidade).

. A caradidadezinha deixa de ser norma necessária e suficiente de suprimento das necessidades básicas do pessoal que se esfalfa a dar o litro, todos receberão segundo a listagem, declarada na junta da freguesia do local de residência, anterior à reforma de 2012/2013 (as IPPS terão de se financiar nos mercados).

. As projeções vão no sentido da consagração dos políticos que prometem coisas na oposição e agem em conformidade, uma vez chegados ao pódio (assim se dará a volta ao ludíbrio na política ou à política do ludíbrio, tanto faz).

. A maioria dos comerciantes não cederá à tentação de repercutir, com larga margem de manobra, nos preços aos cidadãos compradores de mercadorias que chamam de suas, sempre que os impostos subam um nico (mais inspetores no desemprego, que se le há-de fazer, o destino não se combate, cumpre-se com paciência).

. Constituirão a maioria do ramo os comerciantes que vendem por 30 – com lucros, zero despedimentos - uma mercadoria que lhes custou 5, mas que podia ser transacionada por 100, sem problemas (campanhas públicas adequadas darão frutos, primícias ou serôdios, tanto faz para o caso).

. Serão maioritários os magistrados que cortem a direito, sem olhar a quem (fim da linha para a velha prática dos empenhos, das cartas de recomendação, da gratidão parola, dos jeitinhos aos mordomos,)

 . Todos os funcionários públicos irão interiorizar a recusa de pagamentos por baixo das mãos, ou dos dedos e que todos os cidadãos devem ser atendidos com urbanidade (a rispidez será erradicada).

. Tudo indica que os agentes do imobiliário que constroem casas à maneira e as vendem por preços socialmente sustentáveis se vão superiorizar aos restantes (a hierarquia nos materiais de construção e nas galgas enfiadas serão reduzidas à expressão mais simples)

. Sem exceção, todos os autarcas vão abdicar do direito quer a lei lhes confere a distribuição de moradias de habitação social a amigalhaços de grossas rendas (mas pouco abonados, pelos vistos, ao tempo que isto chegou!)

. Não serão apontados a dedo os responsáveis que não tenham canudo (dos bons ou dos falsos), tão pouco serão chamados à pedra os burlões inofensivos, enquanto for comprovável que charlatães encartados e diplomados continuam a exercer (em número superior ao das mães).

. O ensino ministrado nas escolas vai privilegiar a aquisição de conhecimentos, o respeito pelo professorado e o afastamento dos ruídos de fundo (conselho geral, o espírito-santo-de-orelhas, o bullying, o «ajudanço», a falta de hábitos de trabalho são pormenores).

. Serão dadas todas as condições aos médicos estilo João Semana que acham que a solidariedade também faz parte do juramento de Hipócrates (por que será que a profissão é tão procurada, pelos lindos olhos de Esculápio?).

. Será cada vez menor o efetivo dos seres humanos que se tem em melhor conta que o resto da população mundial, na inteligência, na beleza e na sobrevivência (urge a reciclagem de muitos pais, muitos educadores e de muitos países).

. A maioria dos comentadores desportivos ousará afrontar as suas cores, sempre que as evidências entrem pelos olhos dentro (olhem que os comentadores doutras áreas não defendem a sua dama a qualquer preço, façam como eles!)

. A pluralidade dos apresentantes do audiovisual passará a respeitar o povo, dando voz à sabedoria popular. Comer por lorpa os simples, escarnicá-los, impingindo-lhes nos serões «artistas» da rima débil, lugares comuns bisonhos, safados e parolos, do amor às postas, umbigo e perna ao leu ficará fora dos seus propósitos (as dobragens, em terra de muita iliteracia e analfabetismo, podem ser um bálsamo para a fuga à alienação social, ao que tudo indica).

. Com o fim das ideologias, os prosélitos do livre cambismo assumirão frontalmente a boa-nova que, afinal, a sociedade não tende para a homogeneização, para o igualitarismo, que sempre houve ricos e pobres, que há legitimidade na apropriação de mais-valias dos outros (também não se pode comer bifes todos os dias).

. Finalmente os mandadores dirão às escâncaras que o Estado não existe para pôr a produzir, não existe para bem-fazer à maioria dos cidadãos, que o bem de poucos é a sorte da maioria dos cidadãos e que estes não se fiem nas harpias que persistem em vender banha da cobra do reviralho (a discriminação positiva é boa!)

 

   Talvez todas estas coisas sejam praticáveis em terras do Cruzeiro do Sul, talvez!... Lá o mundo vê-se ao contrário e sonha-se também, não?

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