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oitentaeoitosim

19
Fev13

Questão faturante

Jorge

    O Fisco anda de pé atrás com os emissores, recetores e omissores de faturas, em transações de bens e serviços. Toda a gente terá de se haver, nos próximos tempos, com esta questão fatual, existencialista. Para acabar com desmandos e cavar novos alicerces pátrios, pode valer tudo, mesmo tirar olhos, fazer implodir os famigerados direitos humanos, recorrer à denúncia, como nos tempos da Maria Cachucha e tripudiar a privacidade. Os fins justificam os meios (e vice-versa) e contra isso, batatas!

    Uma faixa da opinião pública entende que a medida vem travestida de operação cosmética, para credor ver (não parece que a trinca/troica fique condoída e não sacuda a água do capote, mais uma vez, quando outros valores pecuniários mais altos se alevantam). Para outros, é mais uma medida de largo alcance, que só dará frutos – a exemplo da boa anoneira - a médio prazo, mas as gerações futuras aqui estarão para agradecer. Dá deus o frio, consoante o cobertor!...

    Já, do ponto de vista da ecologia, parece-me ser uma medida imprópria (inconstitucional, talvez): veja-se as toneladas de eucalipto arregimentadas para o efeito, o que pode fazer perigar a principal espécie dos ecossistemas natais. Todavia, é atilado não limpar armas, ou poupar nas munições, em tempo de guerra.

   Diz-se que isto é receita mágica para desencorajar a economia paralela. Em meados de setembro de 2012, o senhor Carlos Pimenta, presidente do Observatório de Economia e Gestão de Fraude (OBEGEF) da Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP), disse que o valor desta forma de economia batizada de informal daria para erigir aqui um “monte” de notas de 100 euros (onde param elas?), com 8,5 quilómetros de altura, equivalente ao Monte Evereste. Mais, um estudo que apadrinhou diz claramente que «o que mais causa fuga ao fisco não é a falta de faturas, mas faturas a mais para se receber IVA que não se paga, para empresas fantasma, para manipular preços de transferência entre empresas do mesmo grupo e para offshores».

    Crê-se que o Fisco disporá já de parafernália informática que cubra igualitária e equanimemente todas estas situações. Ou há moralidade, ou comem todos!

    Bem hajam os quixotes empenhados na cruzada que têm o céu por limite!

 

   

   

 

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