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oitentaeoitosim

19
Jul13

É pró menino e prá menina!

Jorge

 

Morituri te saluant!

    Instituições de crédito e sociedades financeiras exibem a fímbria e a fibra de que são feitas no manuseio pericial e especioso  de pecúlios, divisas, cartões, títulos, créditos, ações (das boas), na demanda de rendimentos pingues e chorudos réditos. Diversificar para reinar, são poucas a operar.

    Uma bataria de leis e profissionais especializados, põem-nas (quase) sempre a salvo do maralhal ignaro e desprotegido: coios de iluminados e entronizados, a lidar com cóios desentendidos da matéria.

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   ( Longe não vão os tempos em que só as elites se deslocavam ao banco; agora qualquer zé-quitólis acede a dinheiro fácil. Por isso, quando as coisas dão para o torto o campo de batalha enche-se de cadávares.)

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   Um pobre de Cristo põs pés a caminho do «seu banco», a saber dos reais ali armazenados, quando se dá conta das filas de outros veneráveis cidadãos, cara-de-poucos-amigos, estilo apresentação novo-acordo-da-coligação-governamental-em-exercício. Fumaçam e saem de mãos a abanar. Queda-se a ver em que param as modas e fica a olhar para o boneco, até ontem.

   Hoje aquele templo de agiotagem institucionalizada cedeu, transcorridos que foram os trâmites, as praxes e as liturgias regulamentares (uma questão de ritos), já fraco das canetas, rendeu-se. Os retornos dos depositantes? Logo se vê!... A seu tempo chegarão os  dobrões da Fazenda. Um pilha-galinhas e grande depenador da praça, sem quotiliquês, acaba de afirmar que um banco roto não é um banco morto, oferece muitas possibilidades de sucesso a quem sabe tocar guitarra. Ouve-se pranto e ranger de dentes, por aí.

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    Adozinda, depois de declarada insolvente, virou inimputável do ramo financeiro (o amor, quando nasce, é para todos), diz que nunca foi o centro de tantas atenções no café, no minimercado, no salão de cabeleireiro, no clube... Cumulam-na de atenções e fatura.

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    (Um famoso dos 4 costados, que levou o seu banco à glória, perguntado se lhe pesava algo na consciência, asseverou que não dispunha de báscula aferida. O ramboeiro, pelo-sim-pelo-não, estava pronto para outras venturas).

 

Exautoração

    Aquele jogador de soccer marca 2 golos e fez outras tantas assistências. É elevado aos píncaros, nas parangonas dos media. Na ocasião também é levado em ombros. Da vez seguinte, marca mais 2 golos e fez outras 2 assistências. As letras garrafais dos media do dia seguinte dizem que ele não merecia ter saído da competição, embora não tenha sido levado em ombros. (Os treinadores de grilos, deixam-nos ao alcance dos calcantes dos apostadores, após a primeira derrota).

   Por essas e por outras é que, nalgumas áreas do planeta, há quem jure e trejure que o pontapé na chincha seja um desporto individual, pelo menos, pouco coletivo.

 

Lapsus linguae

    O político calejado - comentador e conselheiro nas horas vagas – fazia o seu discurso à maioria silenciosa que estava na feira, para esquecer tristezas. Uma crise para ser resolvida tem de contar com a adesão de todos, só os tarados é que se regozijam com as perdas das bolsas, no regresso aos mercados (já experimentaram comprar peixe nos últimos tempos?) está a salvação das nossas almas, os bancos têm de ser protegidos, para bem dos sacrifícios de todos (da maioria desprotegida). «Nós precisamos de um governo do arco-da-velha» - saiu-lhe a tirada sem querer, borrou a pintura de fresco. Com tantos arcos por onde escolher (do cego, da governação, do baúlhe, abatido, voltaico, íris), fugiu-lhe a boca para a verdade.

 

Narrativas

    Eu ouvi o xarife esfalfado junto à credência: os colaboradores têm de trabalhar, declarar greve às greves, pagar e não miar, dar o litro sempre, não cuspir na sopa que lhes é dada, beijar o anel de quem oferece dinheiro para pagar salários. Alternativa: a campa fria, a trincheira ensanguentada trincheira, a vala comum, a campa rasa, o inferno. Solução: mais sacrifícios (e nem diz obrigado, o morcão), mais doses de azorrague, pancada de criar bicho (os inimigos são uns chatos, andam a angustiar o pessoal), menos cuidados de saúde, menos paparoca, que não há tempo a perder: Isto vai, companheiros, isto vai (o tintol, os festivais, os beijinhos televisionados ajudam), somos uma nação de homens do melhor que há nos antípodas, de barba rija (e as mulheres?), até à pirambeira final. Abaixo os niquentos velhustros do Restelo que andam ao arrepio dos tempos. Perorou, perorou…

   Estava-se nestes entreténs, quando um séquito de figuras humanas cobertas de chagas purulentas e farrapos maltrapilhos se faz ouvir: «Quanto mais me bates mais gosto de ti!» Ato contínuo puseram-se a pregar a autoflagelação, a solução para a salvação de corpos e almas.

   Assim, já não houve tempo para que o xarife lesse a parte da discursata em que, em 2 linhas, verberava os corruptos, os candongueiros, os deslocadores de empresas, os trânsfugas aos impostos, os praticantes do lay-off, os banqueiros aguenta-aguenta, os harpagões das sombras e tutti quanti fogem com o cú à seringa, ou comem bifes 2 vezes ao dia e promovem o capital a honras de altar.

 

 

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