Sexta-feira, 06 de Setembro de 2013

1 - Assim discursava o parlapatão messiânico:

. Que dos descontos mandados à Caixa pelas entidades patronais das gerações de trabalhadores atuais deveria depender (em exclusivo, presume-se) o valor das reformas das hodiernas tribos de pensionistas. Ou assim ou o dilúvio!

(Tomara que os trabalhadores atuais vivessem às tenças dos salários que ainda lhes vão sendo reconhecidos por Lei.)

. Que o desemprego veio para ficar por décadas imprevisíveis (vá-se lá a saber se não por conta da constituição cá do burgo). Assim, como poderão as atuais gerações de trabalhadores sustentar cada vez mais gente que já não produz divícias? Missão impossível, pois!

(À geração grisalha não é pedir demais que se sinta desconfortável na asfixia das novas gerações.)

. Que uma pensão não é propriedade privada, mesmo que tenham feito os descontos convencionados para uma vida. Quem se acha merecedor da mensalidade que lhes permita estar na sossega, até que a alma se lhes instale na paz da eternidade, labora num erro crasso, numa teoria holística da propriedade privada que já levou sumiço. A solidariedade intergeracional impõe cortes a quem passa a vida a jogar às cartas. Ou assim, ou kaput, não há nada para ninguém!

(O que tem de ser tem muita força.)

. Que a ética, a moral dos bons costumes, das boas relações internacionais, dos votos e ex-votos reclama, por muitos lustros, a cobrança das faturas dos juros das dívidas cravadas a benfeitores externos macanjos. A solidariedade intergeracional e cosmopolita exige que se bata a nota mais e mais. Morra quem se nega, ou então tragam-me numa travessa um poço de óleo de xisto!

 (Os empenhos políticos que para aí andam!!!)

 

2 – A lista das doenças de civilização (DC) é extensa e não é para aqui tida nem achada. Muitos se esmifram em trazer à luz do dia as causas subjacentes, mas subjaz a opinião, o palpite, a teoria que não dita a certeza. E se certezas houvesse poderiam bem ir parar ao caixote do lixo ou ao inferno que é onde desaguam as boas intenções.

     . O espetro eletromagnético, a comida de plástico e a miríade de produtos químicos que se cruzam com a vida dos humanos terão culpas no cartório, portanto muitas culpas a expiar. Suspeita-se, talvez só fumaça. Dantes o mal só acontecia aos outros, agora as DC proliferam e já não vale dizer que desta água não beberei. Convém pôr-se à tabela.

     . As fumaradas das chaminés das fábricas levaram que contar. Indigência a este nível sobrevive em países roscofes, de congénita pasmaceira pública, ou com apetite voraz para a produção a baixo custo, lobrigando o controlo do orbe. Pouca gente aceita ser gazeado sistematicamente, os tempos do nazismo industrialista já lá vão. A onda ecologista, um estímulo vivaz às novas oportunidades de negócios, estancou a questão dos RSU, em muitos dos cantos terráqueos.

     . Os popós matam que se fartam, sendo os acidentes a face mais visível da periculosidade que encerram. Apurou-se a mecânica, os combustíveis, os resíduos, mas há quem ache que continuamos metidos num caldinho nutritivo de pestilências, biocida portanto (os aviões estão a ser injustamente ignorados). Um dia alguém trará à luz do dia os infortúnios dos cidadãos automobilizados, atingidos na sua saúde por uma espiral doentia. Até quando?

 

3 – Naquela plaga, pretendia-se fechar as portas de um externato modelar. Para sempre, assim como qualquer maternidade que já conheceu melhores dias. Um final de bradar aos céus, em lamentações lancinantes. Quem estava a favor não se descosia, nem chus nem bus, chegando a dar o cavaco por haver quem contestasse uma tão singela opção de bom aforro. A partir daí, está criado o terreno fértil para as boas razões, para as atoardas mais verrinosas, para a má-língua, as meias-verdades e as meias-tintas. Diziam para os seus botões:

      «Querem saber porquê, porquê? Querem lá ver que já chegámos à Madeira! O comer e calar tem o seu lugar, em qualquer ponto do orbe terráqueo»

      Fecharam-se ainda mais em copas os promotores da clausura. Não estavam voltados para privilégios mais ou menos classistas das artes militaristas, ao que se sabe. Voltaram ao monólogo com os botões:

      «Tivéssemos que dar sempre esclarecimentos e não havia briefings que chegassem. No comments, basta, correu-se os taipais da loja porque sim. Em tempos de crise isso é mais uma questão patética, para fugir ao termo pateta».

      O Movimento Militante, da oposição à medida, avançou para a contenda, de peito aberto. Com a proteção divina a vitória não escapava, até comiam o rancho dos praças, caso fosse necessário. Os mentores não toleravam que se encerrasse uma instituição de utilidade pública que tinha dado o seu nome a mais de 200 ruas por toda a santa terrinha.

        No tempo da velha senhora, ou no tempo do rei 15, por acaso não havia uma avenida da liberdade?



publicado por Jorge às 20:51
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