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oitentaeoitosim

31
Out13

Cenas do País Tetragonal (X)

Jorge

    Um senhor juiz ou senhora juíza fez o seu juízo e consentiu que a menina de pais tendencialmente itinerantes não frequentasse a escola, mas como a menina gostava de continuar a estudar consegue-se que uma escola oficial dê apoio à distância; no momento de prestação de provas sobre as metas e competências alcançadas  aí sim irá à escola, mas não haverá rapazes por perto, nem professores a vigiar as provas. O pai da rapariga disse de sua justiça, estava contente com a solução encontrada (2 coelhos à custa da mesma cajadada, para ele, não é de todos os dias), a filha prosseguia os estudos do 3º ciclo do ensino básico e sobretudo ficava preservada a ínsita virgindade da rapariga que se fosse perdida poria em risco o futuro, o dela, o dele e o da sua família. De resto o mundo está a modos de derrancado e a santinha da sua devoção é muito sensível à fetidez da ambiência social, pelo que não convinha arriscar. A filha disse de viva voz que estava contente com o desfecho, por continuar a estudar e ser virgem. Nesse mesmo dia, noutro país muito afastado, outra nena dava testemunho do bambúrrio de não ter perdido a vida por querer teimosamente ir à escola, mantida em regime de co-educação, num ambiente social de discriminação fédita. O pai tinha-lhe dado todo o apoio, também.

 

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   Um dia um senhor general que chegou a presidente de uma nação que recebia muitos emigrantes deste país nos tempos das vacas magras, pastoreadas por um senhor de voz roufenha, muito devoto às guerras e aos valores idiossincráticos, como as mil maneiras de cozinhar bacalhau, a sardinha assada, o fado e que andava sempre com as mesmas botas cardadas, teve uma ideia luminosa. O presidente-general (ou vice-versa) pediu às famílias que lhe dessem muitas criancinhas, pois escasseava o capital humano. Crê-se que as famílias fizeram a vontade ao senhor general que era bué de alto, usava uma bigodaça ereta e era uma pessoa muito correta, por isso se esmeraram a fazer bastantes filhos, o que era uma prática altamente compensadora. Por que razão o nosso primeiro atual não lhe segue as pisadas? Há pouca gente a descontar para a SS, o fator de sustentabilidade sempre a aumentar, a malta pelo andar da carroça daqui por uns anos reforma-se aos 100 (então é que vai ser gozar, senhores professores, gagás à data) por-que-raio não lança ele uma campanha do género? Há por aí muita gente simpática capaz de se sacrificar pelo país por exemplo nos bairros finos onde a prática da máxima «crescei e multiplicai-vos» tem cada vez mais cabimento. 

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