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oitentaeoitosim

05
Mai15

Apostilha 15

Jorge

Era uma vez um ex-ministro de vários governos, de várias tendências do espetro político a que lhe deu para falar alto e grosso, do alto da sua autoridade moral.

Falou de bandalheira na gestão do país e exemplificou: detentores de altos cargos usam e abusam de carros de luxo postos à sua disposição; ao fim de pouco tempo são substituídos e depois vendidos por tuta e meia a que se der preferência. Foi ainda mais longe, que há muito menino e muita menina em altos postos da gestão da coisa pública a fazer viagens aéreas aos molhos, munidos de cartões de crédito, sem limite de plafond, não lhes vá faltar nada. Quem paga? O Zé Pagode, naturalmente.

No tempo dele não era assim...

Tó, um condutor de tuk-tuk, sem contas em atraso, dono do casitéu onde vive com família (2 gatos e 3 cães incluídos) e que se convenceu desde tempos anteriores ao PREC que tem uma palavra a dizer no rumo do país, ouviu, não gostou de saber dessas frescatas e disse de sua justiça, numa roda de colegas de profissão, quando aguardava impaciente a chegada de um cliente retardatário, circunstância com que ninguém gosta de arrostar.

Fica aqui o resumo da sua intervenção:

- Considerando que o nosso povo sobrevive com uma mão à frente e outra atrás, na esperança que os apoderados e poderosos deixem escapulir algumas sobras, demasias, ou migalhas;

- Considerando que ainda não está claro que o nosso povo não terá de renunciar à sua identidade, entrar para a lista das culturas em vias de extinção e fechar a porta;

- Considerando que o exemplo de novo-riquismo denunciado pelo ex-ministro é a prova provada que é cada vez mais latente que quem está no poleiro se serve e não se dispõe a servir.

    Proponho que esta malta abusadora deveria ser alvo de processos disciplinares, sumários ou outra coisa qualquer no género, no sentido de serem obrigados a dar o corpo ao manifesto,como participar numa campanha de denúncia da corrupção; alternativamente que os seus nomes constem de uma lista escarrapachada na net e nos postes de iluminação pública. Isto para evitar que seja sempre a mesma melodia: uns comem figos e a outros arrebenta-lhes a labiadura.

Não te vás sem resposta, Nando, um colega seu que o ouviu pachorrento, deu-lhe o troco. Eis a resenha da sua intervenção:

Que não temos de ser pelintras cá dentro e lá fora. Os poderosos não recebem zés-ninguéns, nos seus palácios, as troicas também não. Eles só recebem pessoal alinhado ou de alta linhagem, em carrinhos topo de gama, roupinhas de marca do último grito de Paris ou Milão, pessoal bem comido e bebido, que os maquiavéis não lidam com maltrapilhos, com cavaleiros da triste figura. A estes nem óbolos dão. Janotas, de estômago delicado, de trato fino, a falar línguas fazem-se pagar caro, porque os cânones diplomáticos assim o exigem.

Tó atirou uma cusparada e foi tratar da criação, que o cliente tinha desistido.

Enquanto assim falavam, o primeiro-ministro soube dos arranjinhos e disse que iria pensar no assunto, de molde a reduzir prejuízos deste fartar vilanagem, que o cinto apertado assenta bem a todos.

(Como a denúncia já se deu há largos meses, pensa-se que já terão sido implementadas medidas tidas por convenientes. Oxalá não sigam as pisadas da «tv rural» que nunca mais volta às pantalhas…)

 

 

 

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