Cenas do País Tetragonal (XXVIII)
Aquele era mais um jogo decisivo, o jogo do título, para o líder da competição, outra vez.
Os jogos decisivos tinham-se sucedidos, que o 2º classificado não havia maneira de despegar; também ele ainda aspirava à conquista do posto cimeiro da classificação. Pela conta mais corrente, a fornada de jogos decisivos já tinha ultrapassado a barreira da dúzia.
Aquela era a penúltima jornada do campeonato de futebol da 1ª liga.
Os simpatizantes do clube que lidera a competição já andam de nervos em franja. E ainda há um outro em perspetiva. Nunca mais é sábado, rapaz!
(Quando falta o pão, é bom que o mesmo não suceda ao circo.)
Começam os jogos da penúltima jornada, todos à mesma hora, por causa das moscas. O 2º classificado está a dar boa conta do recado, o líder nem por isso: nem um golito adrega para amostra. O 2º classificado borra a pintura, quando «se deixa empatar, quase no fim do prélio» e a indecisão do título acaba ali.
(Os norte-americanos dos States – que há mais de 200 anos teimam em autodenominar-se americanos tout court , crê-se que por uma questão de poupança de discurso – diriam que a irresolução favorece o show business.)
Solta-se a alegria, o vinho escorre pelas gargantas e a festa dura até-às-tantas, sobretudo nas ruas de confiança dos vencedores. Os adeptos da agremiação relegada para primeiro lugar dos últimos, bebe para esquecer, sobretudo em casa.
(«A vitória foi difícil, mas é nossa!», «Campeões, nós somos campeões!» -gritava-se, a plenos pulmões.)
Ocorrem pequenos desaguisados coisa de pouca monta - por exemplo, um agente plicial que malha forte e feio num senhor pacato, ao que se sabe. Depois outro senhor agente também exibe o bastão a meio das pernas, de certeza a demonstrar que a autoridade tem um longo alcance. Muitos simpatizantes do clube vencedor levaram a mal, apesar do carnaval.
(No fim, foram todos para casa, a sonhar com futuros jogos decisivos; não fossem eles e a vida não passaria de uma apagada e vil tristeza.)
Ele deu-me um pontapé!!!

