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oitentaeoitosim

23
Ago14

De profundis

Jorge

Por detrás da alegria e do riso, pode haver uma natureza vulgar, dura e insensível. Mas por detrás do sofrimento, há sempre sofrimento. Ao contrário do prazer, a dor não usa máscara.

Oscar Wilde

 

Vida é praxe e a morte o seu ríctus final.

A vida é feita de pequenos nadas, de grandes coisas e outras assim-assim. E pode existir momentos dessa vida terrena gizados numa universidade, com muitos ritos à mistura, numa encenação vivencial que ora se estranha, ora se entranha.

 

A copa (da árvore) é o teto de quem não tem razão.

Aquele foi um dia da reunião de copa sigilosa de uma academia que está a bem no mercado. Da ordem de trabalhos, de matriz sigilosa, nada transpira, por disposições de regulamento apócrifo. Noite dentro, alvorada longínqua, de livre alvedrio, ou em cumprimento de algum edicto não revelado, pelo próprio pé, um a um, os partícipes desfilam.

 

Diz quem sabe que todas as ruas vão dar ao mar (junto ao Meco, no caso).

Senta-se aquele grupo de amigos e/ou conhecidos no areal, eles e elas juntinhos nas proximidades da zona de rebentação de ondas randómicas, ali tão perto. De costas voltadas ao destino - que marca a hora, que havemos de fazer? -, soube-se pouco depois…

 

Quem vai até ao mar, aprende a rezar.

Conheço quem jure e trejure que, em cada 7 ondas, uma é mais tramada. De Neptuno diz-se que tem dias: quando lhe dá na bolha, fere com mais ferros. Feito ladrão de estrada, o fingidiço atacou ali, à falsa fé, depois escafedeu-se. E tomou para si 6 vidas, na flor da idade.

 

A vida pode ser tudo - boa, má, chata dos pés -, mas todos nos agarramos a ela, feitos náufragos. Alguém sempre faz falta a alguém, por mais rotineiro, remisso ou desenxabido que seja o passar dos dias. É comummente aceite que, em tempo de guerra, morrer possa ser glorioso; em tempos de bonança, e fora das estradas, a perda de uma vida dói mais que a própria vida.

 

Nem sempre o mar está de lapas…

Ficou a dor, a dor que ensina a parir, que não a partir. Seis vidas ceifadas, em dia em que se meditou em sobre praxes efémeras, toleradas, vesânicas até. Aparentemente sem razão ou causa direta conhecida. Ouve-se dizer (com muita razão) que a indiferença é para os corações o que o inverno é para a terra.

 

A dor maior de todas é a dor de existir (?)…

Para aquele acidente não se consegue provas residuais ou cabais de crime de exposição. Tão pouco de abandono, nem homicídio doloso ou negligente, tão pouco houve coação. As cortinas de silêncio, os pactos de silêncio não dispersam neblinas, nem o nevoeiro que se adensa sobre as reticências, o mutismo apático de sobreviventes, só os adensam.

 

Há segredos que baixam à cova com os seus donos. 

Lidar a bem com a morte é dom de poucos. Alguns desses se juguem donos do seu próprio destino, quanto mais não seja, em certos momentos (convicção ancorada nas profecias de refinado dramatista).

Em certos momentos, quais? 

 

 Quanto maior for a tua capacidade de amar, tanto maior a tua dor.

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