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oitentaeoitosim

08
Abr15

Dizem que és o maior!

Jorge

Um dia descobri que o senhor Herberto Helder (assim, sem acento?) tinha nascido na Madeira, mais precisamente no Funchal, a terra do funcho, espécie herbácea quase desaparecida do mapa e dos usos e costumes daquela cidade. Foi lá também que nasci…
Depois fiquei a saber que o senhor Herberto tinha deixado a ilha pelos 16 anos. Curioso, eu também abandonei a ilha, já com mais um par de aninhos em cima da giba…
Ouvi-o declamar 5 poemas de viva voz e quedei-me surpreso, com mais de oitenta anos de vida, o senhor Herberto Helder ainda mantinha o sotaque da ilha, não há que enganar! Eu perdi o sotaque, sem querer…
Soube que o senhor Herberto Helder era uma espécie de bicho-do-mato, não gostava de cagar-na-saquinha, como se diz por aquelas bandas. Entrevistas, reportagens ou simples fotos não davam com o seu feitio, eram tempo perdido. Acho que também eu…
Dantes fora um globe-ttroter, conhecera o mundo e disso se serviu, não há como cirandar para se pôr a penetrar o real. Outra coincidência, também me fartei de ser zangarilho…
Chegou a recusar prémio ou prémios – que atrevimento -, era assim, estava-lhe na massa do sangue! Nunca experimentei uma recusa dessas, mas deve ser saboroso…
Descobri que, apesar da atitude reservada de anacoreta, os livros dele se vendiam como pastéis de Belém, em Belém mesmo, num dia cheio de turistas, que é o pão nosso de cada dia. Aprendi que fez por merecer a fama e a glória que lhe dispensaram. A tanto não chega quem gosta de espernear em cama de penas, como uma pessoa que eu cá sei…
De indagação em indagação, descubro que o senhor Herberto Helder estava feito com alguma musa, coisa pouco ao alcance da esmagadora maioria dos mortais. Uns dizem que é grande vate, outros que é o vate entre os vates, seja do Rectângulo e arredores, seja da Europa e até do globo terráqueo. Fiquei babado! Só podia, eu que faço parte daquela maioria…
Pois é todos o tinham por mestre na arte poética de há muitos anos a esta parte, arte essa que, quanto a mim se perde de amores pelo amor platónico, carnal, total e por aí não vou. Pus-me a ler o senhor Herberto Helder, estilo frete, ao início, com mais gula desde então.
Pedi desculpa ao senhor António Aleixo, por me ter afeiçoado a outrem; que não havia problema, que me entendia (lia-o pela calada, descobri). Também ele tinha ficado pelo beicinho…
É certo e sabido que ninguém se faz poeta na sua terra. Que, na terra do senhor Herberto Helder, ninguém se alembre em erigir-lhe um museu, ou uma estátua mesmo! Caso contrário, desconfio que o teríamos de volta - quem sabe? - a espadeirar os vendilhões do templo. Quem sabe se não ficaria à coca, a ver se não repetiam a gracinha…
Vendo bem, até que não era mal pensado!...
(Também gostei de saber que o senhor Herberto Helder não conduzia carrinho pelas estradas fora. Vejam bem, eu também!... Agora proponho-me ler mais um poema, talvez vá escolher aquele sobre a bilha de gás vendida num país onde já não se fia, o que não o torna fiável…)

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