Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

oitentaeoitosim

06
Dez14

Em Batatívia 9

Jorge

 

Tirem-me deste filme!

O nosso homem governara o país às 3 pancadas diziam uns a mim deu-me uma pensão diziam outros ele tentou endrominar o pessoal mas amouxou diziam figuras umbrícolas que circulam à vontade pelos paços dos estaus.

O nosso homem sendo um grande rato de biblioteca sabia pelos clássicos que o cavalo do poder e para mais encilhado não passa 2 vezes à mesma porta. Inopinadamente passou pela sua assim que o lobrigou saltou-lhe em cima ferrou-se à garupa o cavalo tomou o freio entre dentes vai daí ele agarra-se às rédeas crava ambos os braços em torno da cabeça do bicho dá às esporas e aqui vou eu para as minhas 7 quintas.

Soube-se mais tarde ser o nosso homem detentor de dom e faro imanentes para cavalgar toda a sela quanto a ter misericórdia aí mais devagar. Seria depositário fiel de um egotismo insustentável como a leveza do ser do estilo daqueles que raramente se enganam e poucas vezes têm dúvida lá diz o povo na sua imensa sabedoria que o poder induz o orgulho e este a insolência. Apontam-lhe também como imanentes a fúria de comunicar e o psitacismo crónico na forma de expor e que fugia a 7 pés dos riscos sobretudo dos sistémicos. Que estava bem aviado para a peregrinação de 6 anos que se seguiu parece não restarem dúvidas é que pode ser muito filosófico tergiversar no decidir é que está o ganho e é obra para poucos e bem dotados assim seja.

O nosso homem era um mãos-largas se lhe falavam em guardar dinheiro no porquinho no lenço ou no colchão atirava-se ao ar o dinheiro tem piada para se gastar seja o do património próprio seja emprestado que o progresso assim o exige. Bem se esforçou por fazer obra que se visse que não era de atirar a toalha ao chão sem mais aquelas e ter-se-á mostrado exímio no cumprimento de uma tradição do mando doméstico ser mãos-rotas para os amigotes diletos e distribuir cachações e tálitros a quem não lhe apara os golpes.

A páginas tantas o nosso homem recebe a má notícia os banqueiros nacionais regionais unionistas e internacionais estavam a querer o dinheiro emprestado ou malparado de volta depois de chamuscados em altas cavalarias noutras paragens.

Reza a estória que iam caindo os grãos aos pés do nosso homem que teve sucessivos ataques de fúria a especialidade da casa fora quase sempre parecia um cordeirinho de palavras calmas e delicodoces. Apanhado à má-fé ficou sem saber para onde se voltar precisava de graveto como pão para a boca remodelar escolas e setores que levaram pela medida grande as suópes e as pepepês tadinhas estavam em perigo e mal tinham dado os primeiros passinhos as empresas na hora os Magalhães os túneis os troços ferroviários iriam por água abaixo mas que ganda porra.

Passa para cá o nosso ó Abreu repetiam-lhe à saciedade os magnatas que por sua conta e risco fundaram um imperium in imperio sem respeito por nada nem ninguém o dinheiro traz a felicidade e o cetro agarrados há muito que estes melros mandavam mais que os governos escolhidos a voto que era o cerne da democracia. Se não sabes como desembrulhar a prenda a gente dá-te uma dica esmifra o Zé esse pobre coitado que passa o tempo a contar os dias que faltam para receber o salário ou a reforma e alomba até mais não e que só quer ser mandado lá dizia o outro e vivó velho.

O nosso homem assim fez apertou de fininho os calos ao Zé mas não deu certo pôr remendos numas calças já muitas vezes remendadas quase no fio só piora o estado das mesmas. De polegares para baixo os cubas fizeram orelhas moucas a gemidos e a novos pedidos de clemência que deus perdoa nós não.

E ele foi-se embora quem não pode arreia o nosso homem passa a pasta e vai estabelecer-se na cidade onde as cegonhas da santa terrinha vão buscar os bebés lavo daí as minhas mãos e logo se verá se há quem esteja pelo menos à minha altura. Atira-se às lições de filosofia e também lhe dá para aconselhar farmacêuticas que lhe vão bater expressamente à porta e não me venham com cantigas que ele não percebia peva ou boi daquilo ele sempre foi tipo de ir a jogo mesmo sem jogo. Tivesse proporcionado a santa terrinha dos brandos costumes e poucos teres e haveres honrarias fundações ou pedrarias e ele não teria de andar à cata da rolha cambada de invejosos.

Um dia estava o nosso homem integrado numa romagem de saudade passa pelos estúdios da televisão central no preciso momento em que o guarda de serviço estava a coçar as partes dá-lhe na maluca e entra por ali adentro a ensaiar uns números de prestidigitação nunca dantes tentados acham-lhe piada e passam-lhe para as mãos um programa de comentário ao qual comparecia religiosa e litigiosamente todas as semanas vindo expressamente da capital do Hexágono. A atração por estar do outro lado dos holofotes o calor das câmaras o seu requintado gosto por comunicar mexiam mas ele gostava sentia-se bem em lavar a roupa suja e a levar a água ao seu moinho onde era escassa a farinha diga-se de passagem.

O nosso homem curtia bater na maralha que estava agora no poleiro e que veio com essa narrativa de andar a pagar os calotes que ele deixou mentirosos duma figa só me apetece agatanhá-los tudo tinha ficado na maior vocês é que deram bronca. Esteve vai-não-vai para lhes fazer uns corninhos em direto mas conteve-se a tempo.

Andou nisto muitos meses vivó velho e num belo dia estava a chegar ao aeroporto da capital provindo da cidade luz quando é encadeado por holofotes que ele tomou por amigos mas desta feita estavam ali para o verem filado a ir de cana voltou-se o feitiço contra o feiticeiro.

Para quê tanto estardalhaço informativo sem bolinha nem nada alguém soube por portas e travessas e aproveitou-se da situação que desprestígio para as instituições qualquer dia ninguém quer governar para passar por estas e sabe-se lá se por outras que estão por inventar.

Poucos acreditam que o nosso homem tenha feito mão baixa da caixa das esmolas ou tenha andado a assaltar velhinhas ou outros cidadãos honestos com seringas contaminadas mas se fez sacanagens do género deixem campo à justiça que é cega mas vê mais que muitos que têm os 2 olhinhos bem conservados.

Não foram poucos os amigos do nosso homem que rasgaram as vestes em atitude de desagravo mas ninguém sabe onde nem como que isso é segredo de justiça. Certo e sabido é que ele sestá a estiolar numa choça dourada do-mal-o-menos não vá o animal feroz fazer mais das dele.

Um vizinho do lado ontem passou por cá a buscar um punhado de sal e um raminho de salsa e disse de sua justiça que foi indecente terem filmado o nosso homem sem estar devidamente maquilhado está mal. Indiretamente o tipo está a fazer a cama a muitos fieis da congregação a que presidiu veja lá que o sr. Costa já não consegue a tal cabazada já parece o SCP dos últimos natais. Aconselhava a prudência e o bom senso que não se deixasse ludibriar pelas sereias e que desse o piro e se pusesse a milhas antes que fosse tarde até parece que encontrou o que queria. Assim talvez chegue a sacristão da séjana sem desprimor para os sacristães como o trapalhão daquele presidente do clube de estimação da bola dele até parece que estão um para o outro.

img516[1].jpg          Por cima, caraças, por cima!

 

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2018
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2017
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2016
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2015
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2014
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2013
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2012
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2011
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2010
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2009
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub