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oitentaeoitosim

28
Nov14

Em Batatívia 8

Jorge

Cabriolas

   O senhor é narigudo e na santa terrinha tem-se por adquirido que o dono de um apêndice daqueles revela propensão a debitar lérias e o culpado disso talvez seja o Pinóquio um boneco andante criado pelo sr. Gepeto um inventor italiano que devia ser cá um ponto. O nosso primeiro pô-lo a braço direito e não parece que a escolha tenha sido debitada na conta desse pormenor fisionómico porque verdade seja dita os 2 formam uma dupla de alto lá com o charuto sabem levar a água ao moinho de ambos onde moem o juízo ao pessoal.

   O destino do senhor narigudo tinha sido traçado mal soltara os primeiros vagidos tão estridentes que logo perceberam os circunstantes que teria o mundo a seus pés caso fosse do seu livre alvedrio. Isso mesmo está delido nos astros nas linhas da palma de ambas as mãos nos pauzinhos chineses ou nas cartas do tarot caso existissem provas recolhidas à época fica registada a falha.

   É um tipo bem caçado esse ajudante do nosso primeiro um grande cromo pardeus um jongleur de palavras de cartas de maças de copos de bolas e até consta que já treinou para engolidor de espadas. Este ás do pedal encontra escapatória mesmo para becos sem saída e retiradas irreversíveis que já foram definitivas mas agora voltam atrás ao contrário do tempo. Nasceu para ser mandador tem estilo e pede meças a qualquer indígena pelo menos dos mais conhecidos que só os apoderados têm direito às luzes da ribalta e queixam-se quando as coisas correm para o torto.

   Um dia o senhor visivelmente prostrado do cansaço entre voos e por cortes sacrificiais pôs-se a pensar para variar sobre a penúria dos cofres da santa terrinha quase sem puto. Logo ali engendra um plano para atrair camones de países terceiros a troco de opíparos montes de notas verdes roxas ou cor-de-burro-a-fugir tanto fazia. Um punhado de especialistas de escritórios afamados vem ao encontro das suas preocupações a vendagem de vistos gold ou dourados é guito em caixa tem pernas para andar com a vantagem de se ajustar às mil maravilhas ao patriótico lifting exigido pela tesouraria da santa terrinha que poderá figurar um dia no Guiness na rubrica das maiores concentrações de tipos ricos como Creso .

    Venham a mim senhorias com carcanhóis à beça façam fila que há cartões dourados para todos e para a família toda para o gato o periquito e o peixe também e de caminho criam uns empregozitos para os indígenas. Meu dito meu feito vendem-se moradias apartamentos hotéis castelos terrenos a bom preço como pãezinhos quentes era uma lástima estarem ao abandono ao sabor das intempéries da bicheza e das invejas que fazem falar. São contratados indígenas para limpar o pó tratar da relva de jardins ou da água da piscina e a avenida da Liberdade enche-se de forasteiros ávidos de gastar à tripa forra.

    Um dia rebenta uma bronca aqui d’el rei que me comeram as papas na cabeça as polícias põem-se a catar e logo se percebe que ali há gato. Zangam-se as comadres descobrem-se verdades no confessionário dos magistrados que aos costumes dizem nada por causa do segredo da justiça que é uma espécie de bicho-de-sete-cabeças que apareceu na santa terrinha antes da legionella. Fervilham atoardas e opiniões atiladas a mais consistente das quais sugere que uns quantos indivíduos bem aparentados e bem colocados à frente daquele negócio das arábias tinham metido ambas as mãos no boião dos rebuçados pelo que depararam com grandes dificuldades em retirá-las sendo por isso caçados facilmente ainda bem as instituições estão a funcionar aleluia!

    O magistrado do santo ofício do costume ouve os suspeitos são feitas buscas aos computadores armários lixo telelés deles aparecem nas tevês com bolinha vamos lá a saber se fizeram xixi fora do penico mas fica entre nós para já o futuro a deus pertence. Nem meia dúzia de suspeitos vai estagiar no chilindró a ver o Sol nascer quadrado aproveitem o tempo ponham as ideias em ordem quem sabe um dia não vão publicar um romance artigos de fundo poesia ensaios livros científicos sobre o assunto. Outra meia sai com umas pulseirinhas eletrónicas catitas talvez made in China o país onde verdejam as árvores das patacas e ficam todos contentes da silva até lhes podia sair na rifa lavar pratos apanhar piriscas varrer o pátio lá da choça e eles até ver não têm habilitações para o efeito.

   Nenhum jornalista nenhuma jornalista faz a pergunta óbvia não gostam de apostar no euromilhões no jogo do bicho nas slot machines nas mesas dos casinos na bolsa ou nas raspadinhas mas porquê digam lá. Ainda-por-cima nenhum dos figurões parece ter dificuldade em comer do bom e vestir do melhor têm perfil de poderem pagar de taxas taxinhas derramas multas e não bufar e vão sujar-se para quê. No meu bairro que nunca deu um governante ao mundo descobriu-se que a sra. Dona Eufrázia uma viúva com uma pensão de miséria aluga quartos zimmer chambres e rooms na net e não passa recibo aquilo ia dando cenas do arco da velha a vizinhança pôs-se abismada onde foi ela aprender aquilo foi um escândalo.

   Chamado à pedra o senhor adjuvante do nariz empinado não se mostra escandalizado não há crise a ideia nasceu límpida e cristalina continua tem entrado massa a granel os trampolineiros que foram às filhoses que mordam o pó da estrada agora não obriguem o inocente a pagar pelo pecador. Palavra puxa palavra atira-se aos incréus que desdenham dos vistos dourados aqui ninguém anda à esmola não senhor vão mas é catar as pulgas e afinar o aljaraz do balceiro que trazem por casa saibam que não tenho telhados de vidro e se os tivesse seriam à prova de bola ora passem lá muito bem vão mas é trabalhar seus cocós seus malandros seus calões.

    Esteve vai-não-vai para socorrer-se do calão vernáculo mas contém-se a tempo resiste igualmente a contar aquela do moinante que se candidatou a um visto dourado está aqui o meu nome foto contas bancárias coisa e tal e vai-se a ver era procurado por uma multidão de filantes num ror de países. Não quer espantar a freguesia numa altura em que procissão ainda está no adro e o andor torto.

    Cá fora um manifestante não se contém e pespega num cartaz anódino «A justiça a todos guarda mas ninguém a quer em casa» ora toma.

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