Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

oitentaeoitosim

22
Mar14

Gatanhada 1

Jorge

Machuchos e machucados

Não, (a mobilidade) é qualquer coisa que beneficia, que favorece e  que enriquece o país. Se houve alguma coisa que o nosso país teve como sinal  menos foi o facto de sermos demasiado fechados e paroquiais na forma de  estar e de nos relacionarmos como os outros (...) O que se espera de vós  é que sejam uma geração muito mais portuguesa, muito mais cosmopolita, e  muito mais europeia

Dr. Carlos Costa, governador do BP, durante uma recente cerimónia de entrega de prémios

 

No tempo da velha senhora que o foi também da minha tia muitos vicos se quedaram às moscas e à conta disso muitas púrrias se desfizeram graças à abalada de muita malta para franças e araganças. O santinho de pau e de pinho alapado ao poder gostava de ter o pessoal de tanga e de rédea e piedoso também. Armado em somítico tinha muita massa escondida nos cofres do banco central dentro dos colchões e debaixo das enxergas. Um fundo de maneio para acorrer a uma emergência que o seguro morreu de velho. Para mal dos nossos pecados o harpagão alarga os cordões à bolsa pagar a fatura material de guerras batizadas de coloniais. Foi quando o pessoal percebeu que não tinha hipóteses de levantar cabelo e foi um ver-se-te-avias pega na trouxa e acompanha-me orgulhosamente sós.

(A impressionante mobilização.)

Lá fora os camones condoídos acolhem bem e pagam mal aos patrícios e a mais não eram obrigados tadinhos. Esgotaram-se as malas de cartão também. E os nómadas das plagas lusitanas foram fazendo pela vida estrada fora e roídinhos de saudades. Quem não trabuca não manduca…

(O renascimento do mobilismo.)

Sabe-se que o senhor que atualmente gere os negócios do banco central também andou por seca e meca. Às 3 pancadas a trouxe-mouxe ou a salto? Das duas uma ou esteve sempre de cama e pucarinho ou já levava apalavrada cama mesa e roupa lavada. Até pode dar-se o caso de ter levado os pais atrás que ele parece ter perfil de leal representante da geração Tanguy.

(A mobilidade autoinfligida é querida.)

Hoje por hoje a diáspora voltou aos seus momentos de pico se assim não fosse era o fim da picada que os aforradores exógenos não estão para brincos. Lágrimas de crocodilo basbaquice e rogos a Sta. Francisca não faltam atributo de entediados entendidos na matéria. Deu-lhes para ali que bulir faz bem. Ok não é preciso empurrar e nem é preciso seguir em cambulhada não te arreceies das fronteiras que somos todo da Onião. Os camones sobretudo os bifes têm bom coração venham daí seus viriatos de trazer por casa a gente trata de vocês. Coitados vêm das proximidades de Lampedusa estes refugiados do euro com uma mão à frente e outra atrás ó tio ó tio em busca do negro pão mas cantando e rindo. Aí seus valentes! Como fazer se já não se produz malas de cartão?

(O abolicionismo imprevisto.)

Lá fora vão refazer a vida arranjar casa fazer contratos de água luz gás dá uma estafa do caraças. Com prejuízo para as famílias uns cá outros lá sofrimento para a esquerda e para a direita. Antes que o pó assente já muitas vezes a família se desfez. Ora isto não é bom que a família é a empresa-base da sociedade e as empresas sejam micro pequenas ou médias devem ser apoiadas para que haja recuperação económica.

(O imobilismo abjeto da mobilidade.)

O senhor que atualmente gere os negócios do banco central está naquele de vão mas voltem pelo mesmo carreiro que precisamos de vocês para levar o barco ao bom porto dos nossos credores. Eu já fiz a minha parte agora colho o que semeei ponham os olhos em mim. Foi ou não foi assim que os indianos e chineses se safaram? Nós não somos orientais mas por lá andámos a ver em que paravam as modas portanto sabemos ao que vamos e do que falamos…

(A mobilidade agraciada.)

Dou de barato que o senhor apoie quem faz mal as contas e pôs a pão-e-água muitos de nós chegando-se ao impensável de ver senhores muito conhecidos com mais de 65 anos a bazar daqui-para-fora. Até dou de barato que o senhor tenha tentado apanhar um passarão frequentador do tribunal de penitência fora da época da caça ao que se diz.

(O imobilismo movível da sinecura.)

Só que os fluxos da emigração já não são o que eram são mais largos à saída que no retorno. Bastantes dos novos imigrantes ouviram estórias de veteranos que já haviam saído para melhoria das condições das suas vidas e se atreveram a voltar à pátria para descobrir tudo como dantes quartel-general em Abrantes. À segunda cai quem quer e à terceira…

(A mobilidade amovível.)

A malta daqui enxotada à má-fé e à má fila abala à procura do melhor ou do bem bom. Voltar atrás à estaca zero? Se até os que têm unhas toca guitarra cá dentro põem as maquias lá fora!... Mas há sempre quem ceda ao choradinho ao canto de sereia ao elogio de raposa batida velha e até ao rogo de anjo da guarda e monte estaminé na paróquia em regresso celebrado. A romagem de saudade impõe-se.

(Uma samsonite num expatriado fica bem fica mal num emigrante vulgar de Lineu?)

Eu gosto de vocabulário social modernaço aquele que é  redutor e esconde o jogo da evolução na continuidade até que alguém tope o esconde-esconde o lusco-fusco o claro-escuro do neologismo ou a esquizofasia imanente. A novidade linguística traz água no bico e acinte ideológico e até arrepio ontológico tão longe vai a troca de alhos com bugalhos.

(A marcha contra tangas e o arrotar de postas de pescada.)

Adiante caro senhor passe bem mas sempre ao largo. Vá pela sombra e leve os seus compagnons de route.

(O movimento a que temos direito.)

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2018
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2017
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2016
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2015
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2014
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2013
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2012
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2011
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2010
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2009
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub