Sexta-feira, 27 de Setembro de 2013

- Vem cá, meu assessor preferido. Ao que andas, Pantaleão?

- Disfarçado de caça-níqueis, num cenário de entrudo.

- Anda cá ao tio, mostra lá os resultados da coleta de hoje.

  (Apara-me lá este calduço!)

- Olhe, chefe, isto hoje está fraco, quase só deu para ver em que param as mo(e)das.

- Abre mão da coleta, Pantaleão!

  (Apara-me lá este cachação!)

- … 3 punhados de medalhas, outros tantos de moeda falsa, 3 mancheias de moeda local, 3 sacos de serapilheira de moedinhas menores e 3 maços de notas de 5.

- Moeda fraca, não foi para isso que te nomeei moedeiro-mor, Pantaleão.

  (Apara-me lá este caldo!)

- É no que dá a imposição de só sacanear os rascas da praxe.

- Baixa o facho, só me faltava aturar a lambança de um qualquer com pretensões a Zé do Telhado na minha governança. Ter rascas na assadura é a nossa vocação.

  (Apara-me lá este piparote!)

- Tenho virado do avesso tudo o que é saco, saquinho, saquito, saquitel e saquitoilo do pessoal cá do bairro e não é que a arca não se endireita, continua a zorros.

- Vi-te a assobiar para o ar, de mãos nos bolsos, como quem anda aos papéis, ou aos caídos. Por acaso perdeste a letra da canção do bandido, seu Pantaleão relapso?

 (Apara-me lá este croque!)

- Aquela velhota pôs-se aos pinchos e aos gritos, que um carteirista lhe tinha abafado umas notas, a olhar, a olhar desconfiada para mim. Tive de disfarçar, chefe!

- Aquela é uma cidadã acima de qualquer coima, em missão lenitiva. Separar o trigo do joio é dom, treina que não duro sempre, Pantaleão. Este é o território de intervenção prioritária e daqui não saímos.

  (Encaixa lá este puxão de orelhas!)

- Ali na quinta ao lado era canja, enchia o baú, não chamam nomes feios à minha mãe e sempre se alternava.

- A tua mãe já partiu e eu até mandei os meus pêsames por carta registada, com aviso de receção, Pantaleão. Ao que a poupaste, não te ouviu falar no alterne!

  (Encaixa lé este tafoné!)

- Aliviar seletivamente não convence acredor que se preze. Um arrastão é que ficava a matar! A continuar assim, num dia destes, um qualquer corregedor é bem capaz de nos topar à légua e encafuar-nos numa gaiola de melro, a pão-e-água.

- Respeitinho pelas instituições, Pantaleão, ou saco-te do meu governamento. Basta-me estalar os dedos e ponho-te a aplicar talas ortopédicas às cagarras mancas das Selvagens, ou a colecionar piriscas do areal mais próximo.

  (Encaixa lá este beliscãozão!)

- Chefe, não estou a reconhecê-lo! E eu que aceitei alinhar consigo pelo seu bom karma, pela sua integridade moral. Não me dei conta que tinha cabelos no coração.

- Tu fecha-me essa matraca, Pantaleão, se prezas as placas dentárias que ainda andas a pagar A equidade foi criada para camone ver.

  (Deixa-me puxar esse monete!)

- Que tal vender pó?!

- A montante do rio Pó vivia a tua tia e casou-se! Vamos manter o rumo e agora desaparece-me da vista, que se me atravancou uma poeira na lente do olho esquerdo.

  (Toma lá tapa-olhos!)

- Estava eu a falar de pós de perlimpimpim, nacionalizar a coisa…

- A sério, Pantaleão? Até os exportamos, carago!

  (Toma lá galheta e uma bolachada!)

(Com estes e outros mimos, Pantaleão fez uma rosácea bochechal, 3 galos no cocuruto, um par de nódulos no cachaço, calafrios capilares intensos na zona do frontispício do escalpe e traumatismo craniano!)

 



publicado por Jorge às 20:34
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