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oitentaeoitosim

29
Jul13

Cenas do País Tetragonal (II)

Jorge

Panelinhas, arranjinhos e Ca., Lda.

No País Tetragonal o bando do mando foi reformulado, empossado e aumentado e quer continuar a massacrar quem não controla a sua vida e a riqueza que produz. Aumentado porquê? A «soberania compartilhada» (termo catita a novel terminologia sociopolítica!) não aconselharia a redução dos efetivos do comando operacional?

(Não será a altura de, ao invés, pedir vigílias prolongadas ao Senhor dos Aflitos?)

 

No País Tetragonal comentava-se à boca vazia e cheia o caso da senhora de cara comprida, sisuda, monacal (parece também ser intérprete de outro tabu, passada alargada e apressada). A senhora, de perfil militarista, terá aposto a sua assinatura num contrato de empréstimo leonino (para os unhas-de-fome que alinharam com o pecúlio), a uma empresa estatal, no valor de milhões variegados, em tempos de vacas magras (por causa destas, um ex-presidente de uma coletividade do pedibola está de bola no pé). Aos costumes nada disse nada e continua a bater o pé e as solas de todos os sapatos e tamancos que tem lá em casa e no escritório que não provou da poção mágica. Nunca, jamais, em tempo algum, meti prego ou estopa na arriosca, digo, no tacho dos druidas, nem de tal ouvi falar. Aqui me vou e passem muito bem (dava-lhes gozo porem-me de cana, sacanas!)

O «nosso primeiro» veio a terreiro e disse que tirassem o cavalinho da chuva os detratores da senhora, que ela continuaria a mandar, enquanto lhe desse na real gana. São sempre os mesmos caramelos a apostar em cavalos de Troia, a conspurcar o bom nome das pessoas, querem é gamela farta. Numa senhora prendada não se bate nem com uma couve-flor.

«Eu próprio fui obrigado a mentir, por causa desses trafulhas que me antecederam e aqui me têm, a dar o peito às balas e pronto a defender a minha dama. Uma mentirinha para arranjo da vidinha de todos nós, deve ser considerada impune.»

(Não pagar a bolada está fora de questão!)

 

O «nosso primeiro» disse que precisamos de dinheiro para pagar ordenados (há 2 anos, as pensões entravam na lista). Dito de outra forma: o país está teso. Das 3, uma: ou o disco está riscado, ou anda moira na costa, ou a riqueza foi pelo cano abaixo. Precisamente há um par de anos, o estribilho, era igual, sem tirar nem pôr. Daí que o bornal da gente terá de emagrecer, mais taéis serão apresados e voltamos à cena de estender de novo a mão à palmatória, digo, ao óbolo.

(Isto está a compor-se, está!)

 

No País Tetragonal saiu pela porta pequena um comandante da coisa pública que tinha estado envolvido na gestão de um banco a quem os deuses decidiram pôr a mão por baixo. Aquando da sua admissão, deu-se uma bronca de todo o tamanho, mas o homem aguentou-se a ela, impávido e sereno; ela limitara os estragos do meliante, digo, das más práticas bancárias e evitara males maiores ao erário público.

Acaba de entrar pela porta grande um mestraço, voltado às lides da coisa pública, ligado ele também também ao mesmo banco protegido pelas deidades. Já foram ensaiados os primeiros acordes da marcha contestatária. Desconfia-se que um dia sairá pela porta dos fundos, se a podridão por lá acumulada lho consentir.

(Pelo andar da procissão, terá chegado a hora de requisitar pessoal do mando aos conventos de oblatos e oblatas de clausura.) 

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