Quarta-feira, 12 de Fevereiro de 2014

Meu Deus, ajuda-me a dizer a palavra da verdade na cara dos fortes e a não mentir para obter o aplauso dos débeis.  

Gandhi

 

O senhor Miró, originário da Catalunha, região atualmente afamada pelo futebol, mas também conhecida por ter visto nascer Dali e por querer ser independente de Espanha, entre outros, afamou-se pelos seus quadros surrealistas.

O senhor Miró fez arte que impressiona inconscientes bem formados, pelo que as pessoas com conscientes malformados e subconscientes assim-assim se estão nas tintas para que se divulguem as mensagens desveladamente transmitidas.

A arte luz, então que renda!

Veja-se o caso de 85 pinturas do senhor Miró que foram levadas a peito por alguém para as catacumbas do PBN, como garante de um empréstimo que deu com os burrinhos na água. Poderiam render 46 milhões, por isso de lá já não saíram.

Na continuidade, o BPN torna-se um banco nacionalizado-nosso. As normas regimentais e internacionais ditam que a banco falido põe o Estado a mão por baixo e contra isso batatas! O Estado assume a regência das 85 obras do senhor Miró.

Melhor dito, uma empresa pública – especializada em extrair ouro de minérios exauridos – toma conta daquela catrefada de pinturas que devem ser um regalo para a vista.

Por que arcas encouradas o Zé Povinho, o tal que alomba com as despesas dos perdões fiscais, das subvenções e das isenções de impostos, não merece contemplar aquelas maravilhas, para sua edificação?

Para quem é, grafitis basta, terão achado os gerentes da citada empresa pública. Por seu turno, os mandantes terão achado que o povoléu, tão arredio de concertos na Gulbenkian, no Centro Cultural de Belém ou na Casa da Música, desmerecia dos quadros do senhor Miró.

Aprende por arte e irás por diante…

(E os turistas, meu deus?!)

Circula na Net um vídeo viral que exibe as figuras tristes de gente muito instruída (tantos méritos superlativos) perante um borrão expressamente encomendado a putos da pré-primária.

As boas almas que mandam executivamente na santa terrinha não desejavam ver acolá reproduzidas aquelas cenas gagas (fica-lhes bem o sentimento).

Talvez por essa ordem de ideias, essas boas almas não dão explicações aos pagantes maioritários sobre suópes, pêpêpês, idas e vindas aos mercados, dívida pública…

(Para quê pôr as cartas em cima da mesa, se eles não percebem boi disto?!)

Ora experimentem, que a experiência é a mãe de todas as coisas…

Um dia, chega às mãos de um paisano peças da autoria da senhora Rosa Ramalho; ele nunca mais abriu mão delas, por preço algum. Enchem-lhe as medidas.

Noutro dia, foi lançado novo cedê de um cantautor de brejeirices e não há queima-de-fitas, regada a bijecas, em que não seja tocado. Enchem as medidas.

O senhor Miró teria muito que aprender em matéria de surrealismo com este país cruento. Veja-se:

Um senhor do poder executivo, de inconsciente bem formado, disse que a venda de quadros do senhor Miró ajudaria a tapar o «buraco lunar» do BPN, nosso-nacionalizado.

Um outro senhor do poder executivo, de subconsciente assim-assim, disse que o país não tem hipóteses de continuar a pagar as contas de manutenção dos quadros cá dentro. E ficou-se a bradar aos céus, pronto a pôr a chave na mão do primeiro que se atrevesse a fixar uma parada exequível.

(Quem mente, nunca acerta, que cesto roto nada detém.)

Consta que a corte celestial que reina lá em cima ainda não parou de rir; antes assim que não lhe dói a barriga pelo riso.



publicado por Jorge às 10:23
De
 
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres



Copiar caracteres

 



mais sobre mim
Fevereiro 2014
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
13
14

16
17
18
19
21
22

23
25
27
28


pesquisar neste blog
 
subscrever feeds
blogs SAPO