Sábado, 09 de Julho de 2016

 Coisas soltas

 

a -  Era tão só um título de primeira página de um jornalito de distribuição gratuita:

      . Salários de pobre, despesas de ricos.

      Naturalmente que se refere a Portugal e se aplica à maioria das suas gentes cujos rendimentos se vão abaixo das canetas contra os balúrdios a pagar em mercados, minimercados, supermercados, hipermercados e outras lojas do género.

      (O carapuço até podia assentar noutro país, que há sempre melhor e pior que nós.)

     Na oportunidade, ocorre-me aquele ditado que diz que há muitas maneiras de matar moscas.

    «Não se pode baixar os salários e as pensões?» - Então, convoque-se a inflação que se deleita em fazer aumentar os preços, aliás, uma prática sem a qual as trocas se vão abaixo das canetas... 

    «Perderam poder de compra os cidadãos nacionais?» -  Ora bem, turistas é o que por aí mais há... 

     Confesso que nunca fui à bola com essa ideia que o turismo é a tábua de salvação da gente.

 

b -  Ia jurar e trejurar que ouvi da boca do Sr. Raúl Solnado – um dos maiores vultos da comédia do país -, num programa de evocação do compositor Francisco Valério que a este, um dia, ocorreu de improviso esta quadrinha:

      «A vida é bela

       Dá-nos de graça o luar

       Dá-nos o Sol na janela

       O resto é tudo a pagar.»

       Para sabedoria não está nada mal!...

 

c -  Certo dia, realiza-se um jogo de futebol entre um selecionado lusíada e outro de outra pátria, ambos empenhados na conquista de prestigioso troféu internacional.

      Da jogatana sai vencedora a equipa lusa, para alegria de muitas famílias.

       Nesse mesmo dia, ocorre na praça pública, com alguma antecedência em relação à hora fixada para a realização do jogo de futebol, uma demonstração nas ruas, a favor da escola pública, acontecimento que acolhe uma multidão significativa de gente crescida. Tal manife é entendida como contramanifestação a uma outra manife, levada a efeito com uma antecedência de 2 semanas, em prol dos contratos de associação de escolas privadas, evento levado a cabo por uma significativa multidão de graúdos e miúdos e que, na altura, tinha sido primeira página de diversos jornais e telejornais e que também havia gerado intenso debate em redes sociais.

    As parangonas da totalidade dos média do dia seguinte davam destaque ao feito da seleção futebolística lusíada.

    Confesso que vibrei com a vitória e que não esperava menos dos média.

 

d - A equipa de futebol representativa de Portugal está na final do campeonato da Europa.

     Eu estou a torcer pela vitória.

     E, em caso de vitória, não me importo nada que a sua notícia cubra todas as primeiras páginas de todos os médias e redes sociais.

     Mas, sou sincero, preferia que, no dia seguinte à vitória, as primeiras páginas dos jornais e as redes sociais se inundassem de mensagens sobre o processo de arquivamento das sanções da UE contra o país.

     Aliás, seria descabido multar um país de campeões, é que não faz sentido nenhum... 

(Já repararam que os donos da UE anunciam e adiam, dizem e contradizem-se, por alguma coisa é... Esta gesta de Portugal está a deixá-los à rasca!...)

 

Solidão.jpeg

 

 

 



publicado por Jorge às 09:57
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