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oitentaeoitosim

02
Nov16

Zelos IV

Jorge

Etelvina é uma senhora de sucesso.

Dá cartas na tevê, nos negócios e no jet set, graças a muita dedicação, muitos dotes, montes de colaboradores e a muita perspicácia.

Ela é uma vencedora, na arena de mercados locais, regionais e internacionais.

A sua efígie é corriqueira em jornais, revistas cor-de-rosa sobretudo e nas de especialidade também.

Tem arriscado, tem petiscado e que lhe faça bom proveito!

Há dias, vi Etelvina que apresentava um programa da matina, na tevê. Ela falava, gesticulava, sorria, ria, atirava piadinhas e os assistentes e as câmaras não lhe regateavam atenções.

A páginas tantas, aparecem 2 senhores, um mais novo e outro mais velho, que vêm a terreiro por um novo perfume.

Perfume esse patenteado por Etelvina.

O mais novo fazia de protagonista macho do curto filme exibido no programa e que publicitava o cheirinho. O personagem deixava-se impressionar tanto com o aroma emanante da protagonista central, a Etelvina, por sinal, de tal forma que deixa abananada e ao abandono uma mão cheia de borrachos que o acompanhavam, num convívio. As raparigas despeitadas puseram-se inconsoláveis e o caso não era para menos.

O rapaz falou pelos cotovelos e pôs o ar de quem lança foguetes e recolhe as canas todas. Ele também falava, gesticulava, sorria, ria, atirava piadinhas e os assistentes e, de vez em quando, as câmaras davam-lhe alguma atenção.

O outro senhor, o mais velho, talvez fosse o realizador do filme publicitário (não juro, nem trejuro). E também se pôs a falar, a rir, a sorrir e a trocar esgares malandros e as câmaras também lhe dispensaram alguma atenção.

À pândega esteve também o coapresentador do programa que também se pôs a falar pelos cotovelos, a rir a bandeiras despregadas, a sorrir sem medida e a atirar piadas provavelmente marotas. Fui muito cumulado de atenções.  

Aquilo cheirou-me a promoção ou coisa que o valha e arrastou-se por fartos minutos, quantos não sei precisar. Encontrava-me no serviço de urgências dum hospital, a contas com uma virose e dormitava nos intervalos das chamadas para consultas.

Feliz ou infelizmente tinham cortado o pio à tevê das urgências do hospital onde me encontrava, bem arreliado, a contas com uma virose, pelo que não sou capaz de jurar que o meu cérebro não me tenha pregado uma partida e eu esteja a fantasiar.

Certo é que abandonei as instalações hospitalares convicto que Etelvina tinha exagerado na sua ânsia de promoção e dizia para os meus botões que a coisa não ficava assim, fosse eu empresário do ramo da perfumaria, ou coisa que o valha.

(Diz quem sabe que quem não sabe fingir não sabe reinar.)

 Fosse eu empresário da perfumaria e teria, à uma, preenchido o livro de reclamações do hospital, por terem retirado o som da tevê. Melhor fora que retirassem o parelho!... Depois iria à organização de classe exigir tempo de antena.

(Fosse eu empresário de sucesso do ramo ou aproximado, não me daria ao luxo de perder horas num serviço que atende por ordem de chegada e da gravidade da situação...)

Mas, olha que não perdes pela demora, Etelvina!

Isto de curtir a tevê com o som cortado, até que não é má ideia,só que pode implicar com o ego...

 

tv-18.gif

O programa que se segue é um documentário sobre factos reais baseado em registos fictícios duma estória real que nunca aconteceu

 

 

 

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