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oitentaeoitosim

10
Nov16

Zelos V

Jorge

A despeito dos médicos, viveremos até morrer.

 

Não dou como provada a existência de falsas baixas médicas.

Embora, de-quando-em-vez, venham ao barulho as ditas-cujas.

Um sicrano, doente, adoentado, ou por aí, achando-se incapaz para o preenchimento das tarefas que obrigatoriamente cumpre nos dias/horas úteis, para solicitar baixa, normalmente mete pés a caminho da USF mais próxima, ou do consultório do médico/a assistente.

Provas colhidas, o/a clínico/ preenche um CIT (certificado de incapacidade temporária), vulgo atestado médico, ou convence o candidato/a não quebrar a rotina, tipo «vá lá, deixe-se de tangas, está em condições para trabalhar».

Mas, uma vez atribuída a baixa, uma cópia do CIT deverá dar entrada no escritório da entidade patronal, em 5 dias dos úteis; outra segue, por via eletrónica, para a SS, vulgo Segurança Social, ou Caixa (a outra, não de depósitos), para ser iniciado o processo de pagamento proporcionado aos dias de baixa, se for caso disso.  

Do certificado devidamente assinado pelo clínico, terá de constar a sua identificação, o nº da cédula profissional, o nº do BI ou CC do colaborador, o seu nº de beneficiário, a identificação do subsistema de saúde, a caraterização da situação objetiva da não comparência no local de trabalho, bem como a duração previsível da mesma, etc...

Este será o procedimento normal.

O processo da oficialização de maleita impeditiva de trabalhar pode passar por um sistema paralelo? Custa assim tanto presumir que haja para aí uns melros a imitar teres, dizeres e fazeres de esculápios e, assim, na mira de lucros pingues?

Na Net mais banal, ensina-se a forjar atestados, mas isso deve ocorrer só lá fora...

Neste país, apesar dos seus brandos costumes, haverá quem se atreva a tanto?

Entretanto soube-se, pelos média, que militares de um corpo de polícia, em protesto recente, meteram baixa, em datas combinadas previamente (oportunidade que não foi devidamente aproveitada por automobilistas convencidos que as estradas e os passeios lhes pertencem por direito divino, a crer nos média). Esta combinação envolveu ajuramentações enganosas?

Não necessariamente, a capacidade de sugestão (ou a autossugestão) da mente pode obrar coisas de espanto, como essa de uma maladia afetar em simultâneo um ror de gente do mesmo ofício...

Confesso que, mesmo que cheire a esturro uma ou outra situação, nunca me desfiz da crença inabalável que o sistema de passamento de CIT funciona às mil e dentro de padrões da decência e da moral vigente.  Essa convicção continua bem guardada!

A organização montada só admite que a palavra de um esculápio possa ser posta em xeque por um/uma homólogo/a.

Por exemplo, pode ocorrer que, de baixa alongada, um trabalhador persista em manter-se em casa (ou entretanto tenha sido desviado para outro mister), sem regresso à base, quando se vê na contingência de enfrentar o juízo de uma junta médica que denega a declaração anteriormente visada por um confrade.

Mas, alto e para o baile! - aí o potencial acusado tem safa: já se passou tanto tempo que a pessoa sob suspeita (ou coisa que o valha) entretanto se curou.

Para todos os efeitos, em caso de comprovada mescambilha, o mau da fita é o beneficiário da declaração médica, pela simples razão que, quando o mar bate na rocha quem se lixa é o mexilhão, ou porque a corda esticada se rompe pelo lado mais fraco...

Da próxima vez que o assunto em epígrafe vier a lume, talvez seja possível confabular sobre os perigos que impendem sobre a passagem de certificação que ateste a dispensa do trabalho e alternativas credíveis à sua creditação, num mundo cada vez mais tecnológico .

Por acso, nas farmácias costuma haver de tudo...

 PS - Por acaso, não dei grande crédito a um passarinho, que se pôs a pipilar episódios, verídicos, segundo ele, sobre galenos tão compreensivos que chegavam ao ponto de apor a assinatura em CIT, sem que o interessado estivesse à vista. Diz quem sabe que «a ave de bico encurvado, guarda-te dela como do diabo». Ia jurar que o bicho tinha mesmo  biqueira aquilina. Só pode!...

Uma solução

A solução.jpg

 - Diga ao médico que demore o tempo que quiser. Já me sinto melhor.

 

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