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oitentaeoitosim

17
Jan17

Zelos VIII

Jorge

      Antes do natal, uma tevê exibiu uma reportagem sobre a desmobilização de trabalhadoras e trabalhadores de uma empresa que não lhes pagava a tempo e a horas; por isso, se postaram à porta das instalações, a clamar contra a falta de palavra dos gestores.

      De novo, uma média empresa, daquelas que nem sonham estar cotadas na Bolsa, a enfrentar problemas pontuais de tesouraria, barrado que estava o acesso a ginásticas financeiras amplas.

      Constava por ali que desaguisados – aliás, pouco habituais - entre elementos do conselho da administração da empresa, tinham exposto a empresa a um período de instabilidade que prosseguia e que desviara dos mercados internacionais a produção para mercados nacionais (diferentes degraus duma hierarquia têm os seus preços).

       A situação inversa nunca seria exposta, mas, quando as coisas correm mal, como no caso vertente, menor entrada de divisas nos cofres da empresa, há sempre algo que transpira cá para fora, que as desgraças são mais ágeis a dar-se a conhecer.

       Também constou por ali que o patrão da empresa se mostrou empenhado em ultrapassar os problemas de tesouraria, apesar de tudo, nunca se vira em semelhantes apertos; inclusive terá mesmo ponderado o saque de dinheiro vivo, de contas e posses suas, internas e externas, como solução para tão delicada situação (ainda dizem que não patrões românticos...).

       Igualmente constou por ali que os restantes administradores terão desaconselhado uma decisão tão extrema, recriminada por todos os compêndios da especialidade, que no jogo económico perde-se e ganha-se, uns mais que outros; além disso não se deve sacrificar assim a própria família (a dos outros, vá-que-não-vá...).

      Constou finalmente que o patrão amouxou e não deu cavaco às trabalhadores e aos trabalhadores, ou os parentes cairiam na lama. Esteve, vai-não-vai, para avançar com o lockout, por causa das moscas, mas a greve antecipou-se, que a necessidade obriga.

     Agora, patrão e os administradores estarão à espera de recuperar os mercados originais; já apresentaram um plano que lhes pode valer um PER, ou a insolvência definitiva. Neste ínterim, a empresa deve prescindir duns quantos trabalhadores, para bem de outros, naturalmente.

      Por mim veria com bons olhos que a empresa ultrapassasse os seus problemas e que os trabalhadores adstritos se mantivessem todos a coberto de dificuldades; vou ficar à espera que a tevê que se apressou a dar as más notícias, venha a terreiro, num destes dias, a trazer essa desejada boa nova.

    Assim, nunca mais toleraria que se dissesse que as notícias que mais se vendem são aquelas que deixam um travo na boca doutrem.

     (Cheira-me que 2017 não será ano bom de ameixas, caso as queixas continuem de pavio encurtado...).

zelos VII.jpg

«... e isto, em termos simples, é a minha ideia para otimizar a produção da fábrica, alguma dúvida?»

 

 

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