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oitentaeoitosim

28
Jul17

Zelos X

Jorge

 

   (Aqui, o litoral comanda o interior, como um mandante dispõe dos comandados.)

 

  Bem contadas, são 162 (não 150!) medidas supostamente sensatas as que compõem o Programa Nacional para a Coesão Territorial, vulgo PNCT (www.portugal.gov.pt/pt/o-governo/pnct/pnct.aspx), parcamente divulgado entre nós.

  Ao compulsar a lista propostas (162, não 150!), ressalta à vista desarmada a extensão e a degradação do interior, derivada da macrocefalia estruturante que, no caso deste país, sempre confere a primazia das decisões a centros urbanos enraizados no litoral.

  Encarregada de tais proposições (são 162, não 150!) foi a Unidade de Missão para a Valorização do Interior, vulgo UMVI (ainda pouco conhecida), que avançou com um conjunto de apostas para menorizar a depressão que grassa e estiola o vasto território do interior do país.

  Estas propostas (são162 e não 150!) podem ser a chave para o esmaecimento da interioridade. Será tempo de acabar com os lamentos sobre o abandono do interior, será a oportunidade de arregaçar as mangas e poderá ser a ocasião para meter mãos à obra com denodo e acabar de uma vez por todas com desigualdades dentro de portas. Venha mais emprego, mais valências e infra estruturas mais realistas para o interior esquecido, de forma a convencer uns a ficar, outros a migrar para lá, que os reformados da UE não conseguem, sozinhos, dar a volta aquela apagada e vil tristeza!

  É assim: por mais problemas de organização da atividade económica palpáveis às gentes do litoral, as do interior têm-nos a duplicar; por mais faltas de ordenamento detetadas pelas pessoas do litoral, têm-nas a triplicar as do interior; por mais dificuldades em transportes anotadas pelos s habitantes do litoral, os do interior têm-nas a quadruplicar; por mais falhas em atinentes a comunicações sentidas pelos residentes do litoral, os do interior têm-nos a quintuplicar; por mais omissões reconhecidas pelas populações do litoral ao nível de apoios e políticas sociais pela no litoral, as do interior têm-nos a sextuplicar. E assim por diante...

  Por aquelas propostas (são162 e não 150, ou coisa parecida!) dão o corpo ao manifesto pessoal de todos os ministérios que integram 8 grupos de trabalho, tantos quantos os desafios e questões estruturantes do interior do país: envelhecimento com qualidade, inovação da base económica, capital territorial, cooperação transfronteiriça, relação rural-urbana, acessibilidade digital, atratividade territorial e abordagens, redes e participação.

  Portanto, elementos dos stafes ministeriais estão incumbidos de centralizar a operacionalidade da máquina montada, para operar no terreno, em tempos e escalas diferenciadas. É admissível pensar-se que está dada voz de comando a quem está no interior...

  Algumas das medidas propostas (162 e não 150, ou coisa que o valha!) já estão no terreno, enquanto outras têm execução planeada lá mais para a frente (que nenhuma delas esteja prevista para as calendas gregas!).

  Há fundos nacionais e comunitários consignados às agendas formuladas pelos 8 grupos de trabalho. Estarão criadas as condições tudo decorrerá sobre carris, na tentativa de libertar o interior do país às suas insuficiências e a algumas submissões. O país todo precisa de render mais, é essa a aposta a ganhar. 

  Tenho para mim que sesta é uma tarefa titânica. Pôr as gentes de concelhos, freguesias e lugares - até aqui menos beneficiados pelos fados -, com mais e melhor qualidade de vida, não é para qualquer um (e vai levar o seu tempo)!

  Tenho para mim que os muitos técnicos envolvidos não estarão ali para empatar e saberão ultrapassar com pertinácia as malhas que a burocracia tece, a mania de atirar sempre as culpas a outrem e a tentação de puxar a brasa à sua sardinha.

  As pessoas que privam com a interioridade todos os dias merecem alcançar todas as coisinhas boas que preferem localizar-se comodamente nos centros do litoral, sobretudo na capital.

  Tenho para mim que o PNCT (injustamente mal divulgado) vai romper com as assimetrias nacionais e trazer mais rendimentos à malta toda do interior, nem que seja à custa do turismo (já ouvi dizer que o turismo atrai variadas gentes, mas não nos aproxima dos valores delas, será?).

  Tenho para mim que, no fecho do programa, o país terá - como é desejo do PNCT, da UMVI, do governo, das autarquias e de todos nós - um interior mais coeso, mais competitivo, mais sustentável, mais conectado e mais colaborativo.

  Que, no fecho do programa, caso não seja possível obter maior coesão em todo o espaço nacional e, que, pelo menos, o interior fique mais conectado, ao litoral, naturalmente.

  Caso contrário, mude-se os habitantes todos para o litoral, que o interior está a ficar com as suas paisagens desfiguradas.

  Sem síndrome de coitadinho, com accountability isto vai!

  PS – Por acaso vou propor mais 2 medidas: que sejam aplicadas fortes multas aos passantes em áreas florestadas que abandonem brasas, vidros, latas e beiças de cigarros (saliva fica feio, mas até se aceite em campos de bola), em qualquer das estações do ano; que, antes, sejam feitas campanhas nos média. Para que o interior não se vá consumindo pelo fogo...

Litoral-interior.jpg

 

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